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As chamas de Aurethys
⚡ Capítulo 2 - Quando o Trovão Toca a Lua
672 palavras • 3924 caracteres • ⏱ 2 min 41 s

⚡ Capítulo 2 - Quando o Trovão Toca a Lua

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O amanhecer em Mythralis trouxe um silêncio estranho.

Nem os sinos do templo soaram. Nem o vento ousou cantar.

Algo se movia nas fronteiras — e todos sabiam o que isso significava.

Os estandartes negros e dourados de Elyrion despontaram sobre as colinas, tremulando como asas de corvo.

Dez cavaleiros atravessavam os portões, e à frente deles vinha Draven Kaelith, o Mago da Tempestade.

O chão parecia vibrar sob os cascos dos cavalos, como se o próprio mundo reconhecesse sua presença.

De pé no terraço do salão principal, Lysandra Kaerys observava a chegada.

Seu pai, Pietro, ordenou silêncio absoluto entre os guardas.

E, por um instante, ela se perguntou se aquele tremor que sentia vinha do medo — ou de algo muito mais antigo despertando dentro dela.

Quando Draven desmontou, o ar ao redor pareceu se dobrar.

Ele era alto, o rosto marcado por sombras e uma confiança perigosa.

O capuz negro o tornava quase uma extensão da própria tempestade que o seguia, e seus olhos âmbar — intensos, inteligentes e letais — varreram o pátio com a precisão de uma lâmina.

Atrás dele, Davwn observava em silêncio, a mão sobre o punho da espada.

Ao ver Lysandra, seus olhos vacilaram — um breve lampejo de surpresa.

Mas Draven notou.

E esse detalhe bastou para o mago entender que aquela garota, de cabelos prateados e olhar luminoso, não era apenas uma filha de general.

—Pietro Kaerys. 

disse Draven, a voz grave e perfeitamente controlada.

— Elyrion envia suas saudações… e seus termos.

Pietro se ergueu, com a postura de um guerreiro que já vira guerras demais.

— Não esperava ver o Mago da Tempestade fora dos muros de Elyrion.

— Nem eu esperava que Mythralis ainda ousasse fingir independência.

As palavras caíram como aço.

E nesse breve instante, Lysandra sentiu algo — um frio no peito, um eco distante, como se as sombras ao redor respirassem junto com ela.

Enquanto os homens discutiam, Lysandra e Draven se olharam pela primeira vez.

Foi um instante. Um só.

Mas o mundo pareceu parar.


Ele a observava com um olhar que misturava curiosidade e perigo.

Ela, com o brilho prateado refletido nas pupilas, sentiu o ar ficar pesado, espesso, como se a própria realidade se curvasse entre eles.


O trovão soou ao longe.


E então, a magia reagiu.

As tochas do salão tremeram, as sombras se alongaram, e uma aura prateada começou a surgir em torno de Lysandra.

Seu coração disparou. As chamas vacilaram.

Draven ergueu uma sobrancelha, fascinado.


— Interessante…

murmurou ele, baixinho, o tom quase divertido.

— Cale-se.

disse ela entre os dentes.


Mas era tarde demais.

A energia se desprendeu dela em um clarão de luz e sombras entrelaçadas — o símbolo de algo que não deveria existir.

Os guardas recuaram, aterrorizados.

Davwn avançou, espada em punho.

Draven, no entanto, apenas levantou uma mão.


— Não se atrevam.

ordenou ele, sem tirar os olhos de Lysandra.


As palavras foram calmas, mas carregadas de autoridade.

E foi então que o olhar dele mudou — não mais arrogante, mas quase reverente.

Como se reconhecesse nela algo que o mundo esquecera.


— Diga-me seu nome.

ele pediu, a voz agora baixa, quase um sussurro.


Lysandra respirou fundo, sentindo as sombras se acalmarem ao seu redor.


— lysandra Kaerys 


Draven sorriu, devagar, como quem decifra uma profecia antiga.


— Então é você...


— O que...?


— Aquela que nem a luz ousou destruir.


O trovão explodiu no horizonte, e o vento varreu o salão, fazendo as bandeiras de Mythralis se rasgarem.

Quando o som cessou, Draven ainda a observava — não como inimigo, mas como alguém que havia encontrado o seu igual.


Naquela noite, as chamas do templo queimaram azuis.

Os anciãos murmuraram sobre um sinal antigo, uma união que jamais deveria acontecer:


“Quando a Lua e o Trovão se encontrarem, os reinos ruirão.”


E enquanto a chuva caía sobre Mythralis, Lysandra olhava pela janela, o colar de sua m


ãe em mãos, e sentia algo novo pulsar em seu peito.

Não era medo.

Era destino.


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