A névoa pairava sobre as colinas de Mythralis como um véu sagrado.
O vento frio carregava o perfume das flores lunares, e os sinos distantes do templo de Kaerys anunciavam o amanhecer — o mesmo amanhecer que Lysandra Kaerys observava em silêncio, há anos, do alto da varanda de pedra de sua casa.
Ela tinha herdado os cabelos prateados de sua mãe e o temperamento do pai.
Seu rosto, belo e marcado pela serenidade, guardava uma força que poucos compreendiam. Desde criança, Lysandra via o mundo de maneira diferente: as sombras se moviam ao redor dela, obedecendo a comandos que ela jamais aprendera a dar.
Sua mãe, Rose Kaerys, costumava dizer que Lysandra tinha “a alma da Lua”.
Mas a Lua, como tudo em Mythralis, também podia adoecer.
Rose foi levada pela Praga de Noctyra, uma doença que consumia o sangue e a alma — e que, mesmo curandeiros e magos, temiam mencionar. Ela partira quando Lysandra tinha apenas oito anos, deixando para trás apenas o eco de sua voz e um colar em forma de meia-lua.
Seu pai, Pietro Kaerys, general respeitado e guardião do vale de Mythralis, criou-a sozinho.
Foi ele quem a ensinou a lutar, a usar lâminas, e a controlar o medo — mas não conseguiu ensiná-la a preencher o vazio que a morte de Rose deixara.
E foi nesse vazio que a magia começou a despertar.

Lysandra kaerys
20 anos

Pietro Kaerys
53 anos

Rose Kaerys
31 anos
Vaelra, sua melhor amiga, era seu oposto.
De riso fácil e alma livre, tinha os cabelos escuros e o olhar carregado de curiosidade.
Filha de estudiosos de magias antigas, Vaelra sempre acompanhava Lysandra em suas explorações, seja nos corredores proibidos da biblioteca de Mythralis, seja nos bosques onde as sombras sussurravam.
Vaelra era a única capaz de fazer Lysandra sorrir quando o peso da magia se tornava insuportável.

Vaelra
22 anos
Do outro lado do continente, nos salões de mármore e aço de Elyrion, o reino soberano, um homem observava o mesmo amanhecer.
Draven Kaelith, o Mago da Tempestade.
Moreno, de olhos âmbar que pareciam conter o próprio trovão, e um sorriso tão sarcástico quanto perigoso.
Draven era o mago mais jovem a ser nomeado Conselheiro de Guerra de Elyrion.
Temido por uns, admirado por outros — ele era a arma viva do império.
Mas por trás da arrogância, havia um homem ferido.
Seu coração ainda carregava as cicatrizes deixadas por Ruth, sua amiga de infância, que havia desaparecido anos atrás nas fronteiras entre Elyrion e Mythralis.
Draven confiava apenas em um homem: Davwn, seu guarda pessoal e amigo de sangue.
Davwn era leal, silencioso e letal — um guerreiro moldado pela guerra e pela honra.
Ele havia lutado ao lado de Pietro Kaerys anos antes, quando os reinos ainda mantinham alianças frágeis.
E, embora Draven nunca o admitisse, foi Davwn quem o manteve vivo quando o caos tomou Elyrion.

Draven Kaelith
24 anos

Davwn
24 anos
Kaeltharion
33 anos
Enquanto o destino dos nove reinos se reescrevia em silêncio, duas forças estavam prestes a se encontrar.
Lysandra Kaerys — a maga que herdara o sangue da Lua e o poder das sombras.
Draven Kaelith — o mago que comandava o trovão e a guerra.
Nenhum deles sabia, mas o fio do destino já os entrelaçava, tecendo uma história que mudaria o curso de Aurethys.
Entre eles, pairava o eco de uma profecia esquecida:
"Quando a sombra abraçar a luz, e o trovão beijar a Lua, o mundo renascerá em fogo e silêncio.”
E naquela manhã fria de Mythralis, sob o olhar da lua pálida,
Lysandra sentiu o primeiro estremecer daquilo que o destino começava a mover.

