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Entre Acordes e Silêncios
Capítulo 1-Onde tudo começou
931 palavras • 5831 caracteres • ⏱ 3 min 43 s

Capítulo 1-Onde tudo começou

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"Ninguém ali sabia quem eu era — e isso me dava medo e liberdade ao mesmo tempo."

— Respira, Alya. Você só vai estudar, não entrar em uma guerra.
Minha mãe disse isso antes de eu sair de casa.
Honestamente? Parecia uma guerra.
Você deve estar se perguntando por que uma garota que odeia chamar atenção decidiu entrar em uma universidade cheia de pessoas desconhecidas.
Acredite, eu me fiz essa mesma pergunta durante todo o caminho.
E, ironicamente, agora que eu finalmente estava ali, achei que seria ainda mais aterrorizante.
Entrei na universidade nervosa, imaginando o que seria da minha vida a partir dali.
Morar em um dormitório. Conhecer pessoas novas. Precisar começar do zero.
Tudo isso me assustava.
Talvez eu fosse louca por estar ali, mas, pelo menos, seria uma louca com diploma.
Isso, se eu realmente conseguisse me formar.
Enfim… onde estávamos?
Ah, claro.
Prestes a enfrentar o castelo do vampiro da Transilvânia — também conhecido como o prédio principal da universidade.
E o Drácula era, sem dúvidas, aquele homem parado no centro do auditório.
James King, o reitor da universidade.
Nome de rei. Que irônico.
Para um monarca, ele parecia energético demais. O homem de aparência imponente parou diante do enorme auditório. Por um instante, achei que ele faria um discurso de campanha política, mas era apenas um “boas-vindas” disfarçado por um sorriso simpático demais para alguém naquela posição. Se quer saber, ele não parecia levar metade daquilo tão a sério.
Ainda bem. Finalmente alguém com humor naquela universidade de aparências.
Estou sendo sarcástica demais?
Talvez.
Mas nunca prometi que essa história seria convencional.
O que me faz lembrar que, depois dali, eu ainda precisaria encontrar meu dormitório.
Eu só esperava que minha colega de quarto fosse alguém minimamente legal… e que respirasse o mesmo ar social que eu.
Se é que isso era possível naquele lugar.
Depois das boas-vindas no auditório, os monitores responsáveis por cada ala dos dormitórios começaram a nos guiar pelos corredores.
E foi nesse momento que percebi uma coisa: universitários em grupo são assustadores.
Eu praticamente me vi sendo empurrada por uma multidão de estudantes extremamente iguais no jeito de se vestir, como se todos tivessem saído do mesmo catálogo de roupa alternativa universitária.
Parecia fila de show.
Inclusive, o povo estava tão desesperado que comecei a me perguntar se o BTS tinha aparecido no campus e ninguém tinha me avisado.
Eles andavam tão rápido que, por um momento, achei que seria carregada pela multidão.
Finalmente, parei diante da porta de madeira do dormitório.
Bonita demais para parecer velha.
Talvez já tivesse sido trocada algumas vezes, embora a maçaneta denunciasse o contrário. Aquela, definitivamente, parecia ter sobrevivido a gerações de universitários emocionalmente destruídos.
Barulhos estranhos vinham do outro lado da porta.
Aliás, meu dormitório era o número 5.
Coincidentemente — ou não —, também era meu número da sorte.
Não que eu acreditasse muito em superstição.
Eu acho.
Antes que eu pudesse bater, a porta se abriu sozinha, revelando uma garota de cabelos cacheados, óculos redondos e um estilo completamente diferente das patricinhas e dos playboys que eu tinha visto espalhados pelo campus.
Ela usava uma calça jeans rasgada nos joelhos, uma camiseta estampada com um console antigo e um moletom largo por cima.
Estranhamente… parecia normal.
Ou talvez anormal.
O que, para mim, era praticamente a mesma coisa.
Será que eu finalmente tinha encontrado alguém minimamente parecido comigo?
Não.
Eu não podia confiar tão rápido assim.
Aparências enganavam.
Antes que eu dissesse qualquer coisa, a garota suspirou fundo e disparou:
— Oi, tudo bem? Meu nome é Jane. Parece que vamos dividir o quarto. Tenho 19 anos, repeti um ano no fundamental, gosto de jogos, memes e energético de uva. Quer ser minha amiga?
…
Certo.
Definitivamente não era assim que eu imaginava conhecer minha colega de quarto.
Jane falava muito.
Muito mesmo.
Honestamente, acho que ela e a Dory teriam uma competição séria para descobrir quem conseguia tagarelar por mais tempo sem respirar.
E, pela primeira vez desde que cheguei naquela universidade gigantesca…
aquilo não pareceu assustador.
Porque Jane não parecia uma pessoa rasa.
Ela parecia real.
Respondi com um “oi” educado, mas sem emoção demais.
Também não queria parecer fria.
Socializar parecia muito mais difícil na vida adulta do que na adolescência.
E, sinceramente, por que as pessoas precisavam conversar tanto?
Deviam inventar botões para comunicação.
A pessoa apertava um botão, um som saía e pronto: sentimento transmitido com sucesso, sem necessidade de interação humana prolongada.
Porque, veja bem, eu adorava falar sozinha.
O problema começava quando existiam outras pessoas envolvidas.
E lá estava eu, entrando naquele mundo estranho e ainda completamente inexplorado: meu novo quarto.
Enquanto eu organizava minhas coisas em silêncio, Jane parecia possuída por alguma entidade extremamente energética chamada felicidade.
Ela fazia perguntas sem parar:
— Qual sua cor favorita?
— Você joga alguma coisa?
— Já assistiu anime triste?
— Você acredita em alienígenas?
E eu apenas observava tudo enquanto arrumava meu pequeno canto do quarto, torcendo internamente para que o horário do lanche chegasse logo.
Porque aí eu poderia ficar em paz.
Apenas eu.
Meu livro.
E silêncio.
Eu já estava prestes a ter um colapso causado pela voz assustadoramente animada de Jane quando ouvi uma nota ecoar pelo corredor.
Não era um som desagradável.
Muito pelo contrário.
Era bonito.
Cru.
Melancólico de um jeito estranho.
E, por algum motivo, aquela única nota trouxe paz e inquietação ao mesmo tempo.
O som vinha da outra ala do dormitório.
Eu não fazia ideia de quem estava tocando.
Mas aquilo parecia bonito demais para ser por acaso.

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