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Não é uma Maldição 1🌻
O grande dia
1475 palavras • 8400 caracteres • ⏱ 5 min 54 s

O grande dia

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O grande dia chegou, eu cheguei mais cedo na escola aquele dia e fui levado a um lugar especial, onde me colocaram em um robe cheio de detalhes e um chapelão digno de um bruxo, só faltou a barba, e é claro eles me entregaram meu bastão, eu estava quase lá só faltava mais um pouco.


Com o tempo, terminei de ser arrumado e fui colocado junto com as outras turmas, e não muito longe, Saytus estava sentada em um canto, com um robe especial para os braços extras dela.


Antonio: e aiiiiiii, Saytus, doidera né, agente conseguiu


Saytus: CONSEGUIU O QUE?  Isso é só um ingresso.


Ela falou isso e quanto mostrava os dois bastões quase completo delas.


Saytus: o verdadeiro parque está lá fora, e agente vai aproveitar cada pedaço dele


Antônio: tô com você nisso.


É quase como uma preparação, comecei a fazer massagem no ombro dela, a Saytus não esperava aquilo, mas relaxou um pouco com meu toque.


Antônio: se permita relaxar um pouco, nesse ponto, esse será o dia mais feliz da minha vida por muito tempo, tenta saborear mais o momento


Saytus: hehe como?


Antônio: apenas pense, pense no que você fez, isso tudo durará instantes, mas a memória e sentimentos bons que isso te provocar será eterno


Saytus: hehe, com esse dom com palavras, você podia muito bem ter virado o líder da casa


Antônio: eu sou bom em contar fatos, não distorcer e criar meias verdades


Saytus: ah é “amaldiçoados dos super sentidos não podem mentir” 


Antônio: não precisa generalizar também né!?


Depois de brincar e discutir com a Saytus mais um pouco, nós finalmente fomos chamados, eu tava tão empolgado, que nem percebi a grande multidão de pais, irmãos e responsáveis estavam atendendo o lugar. 


Nossa, existiam tantas pessoas ali que pensei estar me afogando em algum lugar, e quando agente subiu no palco da cerimônia, tive a vista do grande mar de pessoas ali, tinha tantas pessoas que dava quase pra nadar ou navegar na cabeça dessas pessoas.


Olhei de forma frenética pros pais, tentando encontrar minha família, mas demorou pra isso acontecer, e quando os encontrei, apenas os reconheci por que meu pai estava no meio deles, ele estava ali, ele ia me ver conseguir, mas ele estava triste, não pelas minhas escolhas, era…culpa, enquanto batia palmas no meio da multidão de pais, de uma forma bem semelhante com a minha, sabia que ele me via. 


Nos olhamos pros olhos um do outro um bom tempo, e o momento que levou pra minha turma ser chamada pareceu se estender, e tudo que eu via era meu pai, sentindo…culpa…e isso suavizou a fortaleza que pus em meu coração, onde eu nem sabia direito se queria a manter ainda ou não.


Mas não precisava pensar nisso, pois pouco tempo depois, fui chamado para o palco acima do palco, precisei pegar uma escada grande que me levou pra cima, onde um pequeno pedestal me esperava, junto da Diretora, em seu estilo comum.


Sem falar nada, ergui meu cajado na frente do pedestal e fiz uma mistura entre dois extremos do que o ser humano é, uma máquina, um ser racional, capaz de pensar por algo além da sobrevivência, reunindo tudo que eu aprendi, não apenas da matéria, minhas experiências de vida até esses meus 24 anos presente aqui no palco, junto de tudo que aprendi conversando com as pessoas, o que aprendi estudando coisas paralelas, e pensamentos soltos que mudam entre eu carregar comigo até hoje até às coisas que só penso quanto não tenho mais nada pra fazer, nada ficou de fora. 


Misturado com meus instintos mais profundos, a parte mais animalesca de mim, tanto os impulsos que desejei manter e até fortalecer ao longo do tempo, quanto os impulsos ruins que apenas faziam mal e atrapalhavam demais minha vida, se quisesse que esse cajado ficasse perfeito, eu não poderia esconder nada, e logo, meu bastão brilhou de forma intensa, e como uma planta ainda viva, ele se debateu onde estava e criou vários galhos, raízes e até folhas, até o ponto em que ele começou a diminuir, tudo que eu sou, tudo que eu fui, tudo que eu ainda seria, estava refletido naquele simples bastão de madeira. 


Agora ele era digno de ser chamado de um cajado de mago, algo que era tão velho e desgastado que ele parecia ter mais de 200 anos de idade.


A felicidade que senti naquele momento foi diferente de tudo que já senti, e como Dandara falou, todos os sentimentos que eu estava segurando até aquele momento estavam prestes a explodir pra fora, mas eu segurei todos até olhar com confiança para os pais abaixo de mim, então eu levantei meu cajado e gritei com toda a força que tinha, e os parentes responderam a isso gritando junto comigo, um rugido de satisfação que fez o lugar inteiro tremer sem nem precisar de magia, eu queria poder gritar ainda mais alto, mas meu corpo não permitiu, eu fiquei tão feliz que achei que iria explodir, mas não foi o que aconteceu.


Quando desci do palco, tudo que pude sentir era o bastão, eu fiz aquilo, eu lhe dei aquele poder, então por que ele parecia tão diferente de mim, tão maior do que eu?


Bom, tive que abafar essas dúvidas, pois a vez de Saytus chegou, e glamourosa como sempre, a fada fez um show com os dois bastões que precisava controlar, e como eu esperava, o show de Saytus foi bem maior que o meu, e em um lado, o cajado de Saytus estava cheio de espinhos, quase machucando sua mão e o outro cajado estava quase transparente, sendo quase poder puro, completo e simples.


Cada aluno entrou no palco tinham cajados diferentes, com leves e pequenas diferenças, mas não pude acreditar que tão poucas pessoas tiveram um cajado enrugado e cheio de raízes como eu, se eu não soubesse que esse cajado significava uma extensão de meu próprio ser, ficaria ofendido de ser o único que não tem parceiros de cajado.


Depois de conseguir o próprio cajado, Saytus se acalmou um pouco, na verdade, todos pareciam estar esperando com grande animosidade o que estava prestes a acontecer, e não podia negar que também estava esperando por isso. 


Não muito tempo depois, a Diretora subiu no grande pedestal, o transformando em uma pequena mesa de palestra, e falando de forma tranquila.


Diretora: mães, pais e guardiões. Estamos aqui hoje para comemorar um evento incrível, bem a minha frente, todos esses alunos podem ser chamados magos graças ao esforço deles e de vocês por nunca deixarem de acreditar neles, como educadora, tudo que posso dizer é, obrigada, obrigada por ajudar seus filhos. Não posso dizer onde eles irão depois disso, mas eu lhes garanto que eles estarão preparados PARA QUALQUER COISA QUE ACONTECER COM ELES OU EU NAO ME CHAMO MANDALEI GARCINAL.


E junto do grito da Diretora, todos nós jogamos nossos chapéus de bruxo no ar junto de um grande grito. Depois disso, as coisas ficaram bem faceis, fotos pra recordação, cumprimentar meus colegas, deixar eles assinem meu manto branco. Tudo estava tranquilo até chegar (suspiro) na hora da festa, depois de todo o show de hoje, minha bateria social já tava muito baixa, mas ninguém me forçou a ficar, então quando a festa começou, peguei todos os petiscos que conseguia e fui embora sem olhar pra trás. E é claro que a Saytus me seguiu, mas pela cara dela, ela tava com tanto saco pra festa quanto eu.


Saytus: 20 minutos, nunca ficou numa festa por tão pouco tempo cachinhos


Antonio: e você parece que precisa trocar de pele


Saytus: preciso de mais alguns dias, vou ficar super sensível se tentar tirar a pele agora.


A gente sorriu, mas ela não falou nada.


Saytus: voceeeeeee, quer que eu saia?


Antônio: não precisa, mas se for possível, pode falar mais baixo?, meu ouvido ta tão ruim que nem mesmo quero ouvir minha própria voz.


A Saytus fez uma expressão de dor, como se ela pensasse que eu estava torturado, ah não, eu só estava cansado, bem cansado mesmo sobre tudo, estava prestes a explicar isso a ela, quando ouvi uma voz familiar me chamando.


Pai: filho?


Eu naaaaaaao, senti nada, não havia raiva, alegria, ou tristeza, muitas emoções tentaram se manifestar, mas consegui parar todas elas, pro que eu iria fazer, e pro que eu iria falar, eu precisava de concentração absoluta.


Antonio: oi pai


Pai: agente pode conversar?


Antônio: sim.


Me virei pra Saytus, tentando avisar logo o que iria acontecer, mas o rosto que ela fez, mostrava que minha cara deveria estar assustadora agora, droga, eu odiava que meu rosto mudava sem eu saber, o que tem de errado comigo?


Antonio: desculpa Saytus, mas quero ficar um pouco sozinho com meu pai


Saytus: tranquilo, eu entendo.


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