Hoje era um dia inédito, onde eu dava um tempo pra ficar com o Zorro, dizendo apenas que eu ia sair um pouco e iria ficar sozinho, cavalguei até uma pradaria simples, que era uma estranha “reserva de cavalos” sai de cima do Zorro e dei um tapa na bunda dele, o liberando para correr com os outros cavalos.
Antônio: TENTA NÃO SE APAIXONAR ATÉ VOLTAR.
Já eu, eu só me sentei numa árvore próxima dali e fiquei só relaxando, aquele cavalo, ele significava tanto pra mim. E quando pensei nisso, alguém me chamou.
???: oh, você vem pra cá também?
Ah, meu amigo da biblioteca, o…droga, esqueci o nome dele, era melhor falar isso logo antes que ficasse constrangedor, ele me ajudou a levantar, e agente deu um abraço forte antes de eu arremessar a bomba.
Antônio: desculpe, eu esqueci seu nome
???: Jay, meu nome é Jay
Antônio: oi Jay, bom, sim, mas só venho quando quero ter um tempo sozinho com meu cavalo
Jay: o seu cavalo parece estar tendo tudo menos um tempo sozinho
Antônio: tempo sozinho pra mim…e você, tá fazendo o que aqui?
Antônio: passeando com meu padrasto.
Jay falou quando eu vi a mãe dele perto dali, com um Sapien que parecia um adulto jovem.
Antônio: sua mãe tem um lance com sapiens?
Jay: fazer o que, ela acha que eles sabem aproveitar a vida melhor, o pior é que ela tá certa
Antônio: quando você não vive por séculos, você começa a aproveitar muito mais as coisas.
Numa risadinha tranquila, o Jay sentou do meu lado, e como eu não era muito íntimo dele, me afastei um pouco.
Antônio: e você? Ta fazendo o que aqui, fugindo?
Jay: isso aí
Antônio: isso que eu gosto, sinceridade.
Não fazia ideia do que falar com eles então falei do óbvio.
Antônio: você tem um cavalo?
Jay: sim
Antônio: você corre muito com ele?
Jay: não, fico muito ocupado com as festas doidas que meu novo padrasto tá dando
Antônio: rotina difícil?
Jay: QUE NADA, EU AMO AS FESTAS…mas não importa o quanto você ama sorvete, se você comer apenas sorvete no café, almoço e jantar, você começa a enjoar
Antonio: só peça um pouco de tempo pra ele, se ele gosta de você e da sua mãe ele com certeza vai entender
Jay: sei disso, eu só tô pensando a coisa certa pra dizer, nunca fui bom com palavras
Antônio: vai, me fala o que você pensou até agora, não pode ser tão ruim assim
Jay: oi tio Zé, agente pode dar um tempo nas festas, já to enjoando delas, preciso de tempos de paz também.
Aí, esse era outro tipo de desrespeito, dor e falta de comunicação que até ME surpreendeu, e eu só consegui falar.
Antônio: ok, só pra saber, seu padrasto gosta de ser chamado de tio Zé, não é?
Jay: sim, ele ama, faz ele sentir parte da família
Antônio: ok, o que você tem que falar é…
E pelo resto da tarde fiquei apenas tentando impedir que o Jay acabasse ofendendo seu padrasto e destruísse a felicidade bem feita da família, não foi fácil, depois de ouvir o Jay falando por tanto tempo, descobri rápido por que ele não falava muito, quando finalmente achamos a palavra perfeita, vi que já tava anoitecendo e decidi ir pra casa, mas antes da gente se separar, falei.
Antônio: aí Jay
Jay: que foi?
Antônio: fala a verdade, você não sabe se comunicar direito né?
Jay: não, mas pelo menos eu sei falar, tem gente por aí que nem consegue fazer isso
Antônio: eu tentaria concertar isso se fosse você, nunca se sabe quando você pode acabar falando algo errado pra pessoa errada e terminar numa enrascada, se é que me entende.
Oooooh e o Jay entendeu perfeitamente o que eu disse, então ele apenas me cumprimentou com o boné que ele usava e falou.
Jay: agradeço o aviso Antônio Carvalho, não esquecerei isso.
E assim, sem mais nem menos, agente se separou, eu chamei o Zorro e sai cavalgando, preparado para o grande dia, mais calmo e tranquilo do que nunca.

