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Não é uma Maldição 1🌻
O fim do começo
1613 palavras • 8950 caracteres • ⏱ 6 min 27 s

O fim do começo

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Antônio: huuuuuuum, não sou um adulto completo, mas sou adulto o bastante pra ter minha própria história.


Eu apenas pensei nisso, mas quando montei o Zorro e cavalguei pra casa, fiquei bastante com aquilo na cabeça, eu quero contar isso pra alguém e é claro que tive que começar com minha mãe. 


Depois que eu cheguei em casa, achei que iria direto falar com ela, mas foi o contrário, eu andei mais e passei direto pela porta do quarto dela, e fui direto pro meu quarto, depois de pensar bastante, tomei banho pra por a cabeça no lugar, depois desliguei a luz e me deitei na cama, ligando para alguém bem especial, e depois falei.


Antonio: e aí Brutus


Brutus: Há, como sabia que era eu?


Antônio: hoje é seu dia, o Davi me mostrou a tabela


Brutus: booooooa, me fala, o que foi


Antônio: primeiro me fala, onde você tá?


Brutus: me camuflando de predadores, e o fato deles não me encontrarem mesmo depois de você me ligar significa que eu tô indo muito bem


Antônio: hehehe, olha, você não vai acreditar, EU PASSEI DE ANO


Brutus: (suspiro fundo) aaaaaaah, seu filho de cruz credo, você quer que os predadores me peguem?


Antônio: foi mal, eu apenas queria contar isso pra alguém, pensei em contar pra minha mãe, mas todos os meus instintos falaram pra eu começar com você


Brutus: pensei que você disse que não iria mais seguir seus instintos


Antônio: só os instintos ruins…você é meu amigo humano mais antigo, perdendo só pros meus pais, não é sem motivo de eu confiar em você


Davi: hehe, você tem um ótimo ponto, mas fala, é só isso que quis dizer?


Antônio: me fala, você tá feliz com a notícia?


Brutus: eu tive que lutar com todas as forças contra meu grande desejo de uivar pra lua enquanto disparava uma imensa quantidade de aura pra cima, tudo enquanto gritava com todo ar de meus pulmões o quanto tô feliz por você, e eu quase perdi o controle, então sim Tony, eu tô muito feliz


Antônio: hehe, é bom saber disso.


Não desliguei, nem o Brutus, naquele simples momento, tentei entender o que é essa anciã em meu peito, eu fiquei feliz antes, mas agora eu me sentia quase normal, com apenas uma emoção forte de verdade em minha cabeça.


Antônio: eu quero mais, eu quero muito mais.


Brutus: hehe imagino o por que.


De forma maligna, eu e Brutus rimos, como se nós dois fossemos monstros desejando o item mais valioso do mundo, quando toda a maldade foi destilada em monólogos de vilões e grandes mensagens de ódio a muitas pessoas que nos odiávamos sendo apenas ouvido pelo outro, me acalmei o bastante pra falar um pouco mais sério com ele agora.


Antônio: Ok, falando sério agora, eu…me sinto meio estranho, sabe. Eu nunca quis acabar aqui, mas, eu eu tô feliz, muito feliz mesmo com o que eu consegui, isso…tem muita cara de fim, mas não é o fim do fim, tá mais para o fim do começo, o fim do meu preparo, o fim da minha proteção, talvez eu fique com minha mãe mais algum tempo, mas sinto que, quando esse cajado estiver pronto, eu vou estar por conta própria lá fora, no bom sentido


Brutus: o filhote que finalmente virou um adulto contempla a floresta a sua frente


Antônio: de onde você tirou essa?


Brutus: improviso, eu que fiz essa.


Dei uma última risada antes do Brutus começar a gritar, e logo, o som de uma explosão ser ouvida por mim.


Brutus: vou ter que desligar Tony, um dos predadores me achou, AHHHHHH droga, desculpa por…


A próxima coisa que ouvi foi gritos, rasgos, explosões, junto com muitos gritos, não sabia se eram do monstro ou do Brutus, só consegui traduzir uma coisa da confusão, o Brutus estava ganhando, então só falei a única coisa que podia na hora.


Antônio: BOA SORTE BRUTUS, ATÉ LOGO.


Eu tava só começando a boa notícia, primeiro, eu pensei que tava tarde lá fora, por que tava bem escuro aonde eu estava, mas olhando de novo a janela, vi que ainda estava de dia lá fora, hehe, então iria dar pra conversar com muita gente ainda, ótimo.


Sai do quarto bem empolgado, me sentindo de novo uma criança correndo até a mãe, depois eu bati com muita empolgação na porta dela, e ela demorou um bom tempo pra atender, mas ela estava sorrindo, pera ai…ela tava dormindo? bom, normal também.


Antonio: oi mãe


Mãe: oi filho, o que foi?


Antonio: voce nao vai acreditar, EU PASSEI, eu consegui


Mãe: ah, você passou, caramba, que legal…


Minha mãe ainda tava sonolenta, então levou alguns segundos pra ela entender de vez o que eu disse, e quando ela notou, a boca dela fez uma letra O de surpresa antes dela começar a gritar, dar pulinhos de alegria e me abraçar com muita força, ela tava tão feliz que ela ficava trocando entre dar gritinhos e berros, ela tentou falar, mas era quase como se ela tivesse se esquecido como, até que ela decidiu só dançar, dançar e dançar mais pra mostrar o quanto tava feliz, e eu, em minha inocência absoluta, acompanhei totalmente ela na dança, dançamos juntos, até os sentimentos acumulados de nós dois se acalmarem e nos permitirem pensar direito, pelo menos pra mim, por que minha mãe continuava igualmente empolgada.


Mãe: ai meu deus, ai meu deus, ai meu deus, ai meu deus


Antonio: mãe, se acalma um pouco


Mãe: nossa, eu sempre sonhei com esse momento chegando, e agora que ele chegou…não acredito que já passou tanto tempo


Antônio: foi tudo numa piscada né? mas não se preocupe mãe, eu to só começando


Mãe: sei disso filho, mas me fala, prá quem mais você contou!? TODOS PRECISAM SABER, TEMOS QUE FALAR PROS SEUS PRIMOS,  SEUS TIOS, SUAS AVÓS…


Mas antes dela continuar, segurei as mãos dela de forma tranquila, a olhei nos olhos, eu amava vê-la assim, e depois de alguns segundos só ajudando ela a respirar e se acalmar, falei.


Antonio: vamos devagar mãe, só fale pra eles quando a cerimônia do cajado chegar, o que acha?


Mãe: si-sim, é melhor mesmo, mas me fala, tem mais alguém que voce quer falar isso?


Antônio: sim.


Sorri de uma forma pateta de novo, e só pelo meu rosto, minha mãe adivinhou pra quem eu queria falar, e com um sorriso encorajador, ela deixou eu voltar pro quarto. Novamente desliguei a luz e liguei meu telefone, esperei a chamada, depois ouvi a voz da mulher mais linda do mundo.


Antonio: ola princesa


Dandara: ola príncipe, o que foi?


Antonio: eu…consegui, eu passei.


O telefone ficou no mudo por alguns segundos antes de uma sessão de muitos gritos, xingamentos de felicidade e muitos sentimentos confusos demais pra eu decifrar, e depois dela se acalmar e rir de forma tranquila, ela me falou.


Dandara: IRADO, sua mãe deve já tá pensando na festa


Antônio: é, mas eu confio nela pra essas coisas, ela me entende


Dandara: é… ela é confiável…


Mas um silêncio na linha, mas aquele durou bem mais, era um silêncio de alguém procurando as palavras certas pra falar, palavras essas que acabaram sendo apenas.


Dandara: mas me fala, como você tá se sentindo?


Antonio: estranho, no meio disso tudo, eu pareço ser o menos animado de todos que descobrem isso


Dandara: hummmmm, tenho quase certeza que você só está guardando suas emoções pra quando seu bastão virar um cajado, mas isso é só meu pensamento solto, o que você acha?


Antonio: hehe, pior que faz sentido, me sinto um barril de pólvora sendo enchido aos poucos


Dandara: barril de pólvora é dramático demais, tá mais pra um grande foguete, pôr quê quando você explodir, você vai explodir de felicidade e trazer alegria, não caos


Antonio: hehe…pois é…olha, não sei como vamos fazer isso funcionar, mas quando eu ir embora, sinto que não seria justo deixar você esperando


Dandara: interessante, e por que você acha que me deixaria esperando?


Antonio: por que agente tá namorando, não é? E se eu sair pra fora, sinto que vai ser difícil manter o relacionamento, claro que eu voltaria pra te ver, mas seria difícil o manter.


Não sei o que a Dandara fez, mas ela parou de falar um tempinho, depois pareceu que ela tava abafando um grito no travesseiro até ela pegar o telefone de novo e falar.


Dandara: primeiro, você não faz ideia de quanto tempo eu esperei você me falar isso, e segundo, não se preocupe com isso, pra mim, você é tudo que eu preciso e sempre o que irei precisar, você não deixou de ser amigo do Brutus ou do Davi quando eles foram embora, vocês só começaram a se falar menos, só teremos que fazer a mesma coisa e provar que uma distância extra não é o bastante pra desfazer nosso namoro, não to certa?


Antônio: É CLARO…


Hehe aquilo foi bem mais forte do que eu queria, mas diferente das outras vezes, não senti arrependimento ou reprovação fazendo isso, só vergonha, então tossi pra disfarçar.


Antônio: (tosse) quer dizer, sim, eu concordo, você tem toda razão.


E mais uma vez, deitei na cama, e senti um carinho no meu lado a ponto de pensar que a Dandara estava deitada do meu lado, como nas outras vezes.


Antonio: querida, agente pode conversar um pouco mais?


Dandara: claro querido.


Então eu passei o resto da noite conversando com a Dandara, até que eu apaguei pelo quão tranquilo e feliz nosso papo estava indo, nem notando quando a manhã chegou, e eu mesmo estava mais calmo e relaxado do que nunca.


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