Depois do encontro, entrei numa grande correria pra aprender, pois os testes finais estavam chegando, uma última prova, um último teste e eu seria um constructo oficial, eu poderia finalmente sair desse lugar, a não, a não, eu não podia cometer um único erro nisso.
Meu celular tocou várias vezes, mas eu havia me trancado no quarto e só sai pra ir ao banheiro e tomar banho, pois eu até tinha começado a comer no meu quarto, eu tive tanto stress em meus estudos que eu apagava por horas mais cedo antes de dormir, e começou a ficar frequente eu acordar e meu corpo estar cansado, dolorido e ainda estressado, tudo ao mesmo tempo, mas eu revisei parte por parte cada propriedade do lugar que eu iria, e depois li novamente, pois no dia em que a prova iria rolar, me dei o crédito de não esquentar a cabeça no último dia, era algo difícil depois de tudo que fiz pra aprender, mas isso não me impediu antes, então não ia impedir agora.
No dia da verdade, cavalguei com o Zorro até a escola, onde várias carruagens diferentes esperavam por nós, sai mais cedo e peguei o caminho mais longo, tentando em vão acalmar meu coração acelerado, demorou, mas me senti mais calmo depois de um bom tempo, e eu respirei fundo, e fundo e fundo.
E quando cheguei perto da escola, vi várias carruagens levando os alunos, Saytus esperava em uma das filas, apesar de não ser minha carruagem fui até ela e falei.
Antônio: ei
Saytus: hummm
Antônio: boa sorte
Saytus: pra você também.
He, não lembro se já vi ela tranquila e calma desse jeito, ela estava indo para as montanhas relampeadas então devia ser um lugar difícil pra relaxar assim.
Quando achei que estava tudo tranquilo, alguém bem menor do que eu apareceu e me deu um abraço forte, e o cabelo loiro entregou quem era.
Midas: boa sorte parceiro
Antonio: valeu cara.
Bom, no fim, entrei em minha própria carruagem, junto com vários outros alunos, tinha espaço o bastante no carrinho pra 100 alunos ficarem lá, muitos estavam revisando e olhando seus próprios golens, pensando se eles deveriam melhorar alguma coisa neles, coitados, a essa altura seria inútil mudar qualquer coisa neles.
Tentei não pensar muito e nem olhar pela janela, apenas dormi tentando recuperar o sono que perdi de stress ontem. E quando a carruagem parou, máscaras foram dadas a nós pois era perigoso respirar muito tempo os gases tóxicos daquele lugar. Então as colocamos sem problemas, e depois de me acostumar com elas, elas não me incomodavam mais.
Fora da carruagem, existia uma grande cratera com vários buracos dentro dela e coberta de lava em todas as direções, mas no centro, existia uma grande torre que tinha vários mechamagos nelas.
Fomos postos na porta da frente do lugar, então apenas entramos e fomos recebidos por vários avaliadores, cada avaliador pegou 20 alunos, então tudo ficou tranquilo.
Meu grupo de mineração foi levado pra bem perto da lava, a ponto de eu ter que ajustar a máscara várias vezes, mas o pior era o calor, tinha feiti;os de frio ali, mas ele não conseguia vencer o calor da lava incandescente e eu suava como um porco várias vezes, e ainda tinha os alunos reclamando atrás de mim sobre o calor, e por mais que eu concordasse com eles, a conversa paralela deles me irritava mais que qualquer outra coisa.
Agradeci aos céus quando chegamos na nossa avaliação de testes, uma plataforma simples onde era possível ver onde era pros golens serem jogados.
Avaliador: vocês tem 1 hora pra coletar 100 quilos de minérios.
Fiquei curioso no que 100 quilos de minérios podiam ser usados, mas engoli minha dúvida e já joguei meus golens junto com os outros.
Os meus golens aguentaram bem, eles estavam vermelhos pelo calor mas não entortaram e nem incharam nenhum momento, alguns golens eram mais rápidos, a ponto de deixarem os meus pra trás, e outros eram tão fracos que quando eles entraram na lava, eles caíram no chão e foram derretidos, e quando chegou no ponto dos golens ficarem até a cintura na lava, os golens menos resistentes começaram a falhar, mas os meus resistiram, junto com vários outros.
Chegando ao ponto onde devíamos minerar, cada mago criou uma linha de golens que levavam os minérios coletados para os minérios serem colocados na superfície para não desperdiçar tempo com o Golem indo e voltando o tempo todo. Bom, parece que se funciona, funciona.
No meio daquilo, a mistura do calor, junto com o peso dos minérios, fizeram ainda mais golens quebrarem, ah droga, meus golens começaram a dar problemas, não não não…espera aí…ah não, era só coisa da minha cabeça, eles estavam bem, mas o peso dos minérios realmente explodiu alguns golens e os desmontou na hora. Quando tudo acabou, mais da metade do meu grupo tinha perdido o Golem e tentou o substituir, coitados, eles nem chegaram na parte difícil de verdade desse teste.
Depois de muitos alunos (inclusive eu) conseguirem 90% dos minérios, um grande terremoto aconteceu, junto com um rugido bestial, mas isso não perturbou o avaliador, nem eu.
Avaliador: tá começando
Antônio: sim.
Existiam muitos golens, que apesar dos danos da lava e do peso dos minérios, sobreviveram até aquele ponto e foram substituídos por outros golens, mas tudo começou a separar de vez quem iria passar e quem não iria quando os monstros apareceram, mais especificamente, sapos imensos feitos de rocha e magma com o tamanho de carros pequenos.
O ninho deles estava perto dali, então era normal eles aparecerem, meus golens sequer bateram neles, eles só ativaram um sonar que era irritante pro ouvido deles e os sapos se dispersaram em segundos.
Outros golens foram mais pra ignorância e bateram os sapos até eles fugirem, e os coitados mais fracos, que estavam resistindo até aquele momento, foram esmagados pelos milhares de sapos. E quando a única hora que tínhamos acabou, eu estava entre os alunos que cumpriram a meta, mas o avaliador apenas anotou algumas coisas, anotando bem mais perto dos alunos que não conseguiram, depois falou.
Avaliador: ok, agora coletem minérios ali.
E assim, pelas próximas 2 horas, golens coletaram minérios em várias áreas diferentes, enquanto os magos atrás tentaram acompanhar até ficarem totalmente sem mana e terem que ser socorridos com garrafas de mana, cada aluno tinha direito a 10 garrafas de mana, e para a alegria de todos, o aluno mais azarado apenas usou 5, depois de muita dor, desespero e garrafas, o último aluno terminou a parte dele e com uma última anotação, o avaliador falou.
Funcionário: ok, sigam me agora.
Fomos levados a uma seção bem mais funda da mina, até chegarmos em um poço que parecia um ninho, exalando poder e calor, junto de monstros imensos que possuíam minérios em suas cabeças.
Avaliador: no próximo teste, vocês vão ter que tirar a jóia da cabeça daqueles monstros, eles são uma praga nesse lugar, então não tenham pena de matá-los, e não se preocupem, estaremos vigiando se algo der errado.
Matador de pragas, que trabalho incrível, mas do jeito que o funcionário falou, achei melhor não mandar meus golens mineradores ainda, no lugar disso, peguei o Golem que criei para cuidar do meu irmão, era óbvio que ele não era forte pro meu irmão, mas estava curioso pra saber o quão forte ele era comparado a um monstro daqueles.
Funcionário: eu tenho 3 poçoes de cura pra cada um, essas são as chances que vocês têm de conseguir.
Respirei fundo e como um fantoche de linhas, enviei o Golem lanceiro ao buraco da criatura, não pensei e nem liguei quando os gritos começaram, e quando os golens especiais de meus colegas de teste atacaram os monstros também, só foquei no meu próprio monstro.
E quando o Golem atingiu o chão, a grande língua do sapo foi até ele, e tentou o agarrar, mas com o cabo da lança, o Golem cortou a língua do sapo 5 vezes, todos cortes superficiais, mas ainda cortes.
No instante seguinte, o sapo saltou pro teto, depois pra parede esquerda, depois à direita, as vezes jogando alguma cortina de lava, tentando derreter meu Golem, mas eu apenas deixei a lava cair nele, era uma lava borbulhante capas de eu sentir o calor mesmo aquela distância, mas eu via que meu Golem estava totalmente bem.
O sapo então saltou pra cima e tentou dar uma cabeçada em meu golem. Meu golem foi arrastado vários metros, mas a postura dele na defesa foi perfeita, e na segunda cabeçada, o sapo teve a testa perfurada pela lança de meu Golem.
Sabia que exagerei mandando aquele golem quando vi o sapo recuando e tentando tratar o ferimento esfriando lava em cima dele, mas então mais cortes chegaram, o sapo tentou parar meu golem, mas quanto mais ele saltava, mais oferecivel ele ficava.
Então eu vi, um ponto macio em baixo da barriga dele, não foi preciso ver duas vezes, com percepção e precisão perfeita, o golem disparou a lança, não conseguindo só perfurar o corpo inteiro do sapo, mas o empalar na parede com tanta força que meu golem só precisou de um segundo golpe pra acabar o serviço.
Depois de meu Golem especial terminar o serviço, consegui olhar como os outros estavam. Muitos golens tiveram problemas, ficando estilhaçados a ponto de restarem apenas fios e endoesqueletos deles. Mas nenhum unico golem desistiu, eles apenas ganharam mais ajuda, muitos magos tiveram que substituir os golens de combate várias vezes antes de matarem os monstros, e isso sem contar aqueles que foram reabastecidos de magia pelo professor.
A maior surpresa eram ainda os alunos que não precisavam substituir nada pelo quão impressionante o único golem deles eram, tinham golens ali que conseguiam matar 3 monstros daqueles ao mesmo tempo, mas eu só conseguia enxergar aqueles caras como exibido, agente só precisava de uma, pra que desperdi;ar tempo, poder e energia em coletar algo desnecessário? Eu não entendia isso.
Quando o último monstro foi morto, e os gritos de pânico dos animais pararam, os golens mineradores foram chamados de novo, golens bem diferentes que tinham garras para trabalhos mais “delicados” em minérios.
Depois de cada um conseguir seu próprio pedaço de minério, o avaliador anotou algumas coisas, depois disse.
Avaliador: muito bem, então está tudo tranquilo, só precisarei de uma certa quantidade de golens de vocês e a avaliação estará completa.
Aaaaaaah, agora ia começar a avaliação realmente pesada, entreguei meus golens para o avaliador, assim como todos os outros, e depois rezei para que o teste que eu fiz neles não fosse tão inferior quando eles fossem controlados por outros magos.
O receio, medo, e ansiedade estava estampado no rosto de todos ali, mas ninguém queria recuar, isso era bom, todo mundo estava de guarda alta, em momentos assim, essa era a melhor opção.
Depois disso, fomos levados a uma sala de espera, cheia de pufes, travesseiros e camas, e iluminado o suficiente pra ninguém pensar em fazer algo estranho ali, mas pela cara que todos estavam fazendo, ninguém iria fazer nada estranho, pelo menos por enquanto, tava todo mundo com a cabeça tão perdida que eles não conseguiam pensar em nada além da prova.
Eu tentei usar todos os meus truques, escutar óperas, bater meus pés no ritmo certo, contar meus dedos em ordens estranhas e diferentes, mas demorou muito pra eu ficar ligeiramente calmo, eu respirei, respirei…e meu ar tava se perdendo, peguei rápido uma garrafa e bebi água bem rápido, tentando me acalmar, e quase me afundando de novo no pufe, consegui me acalmar, mesmo que só um pouco.
Algum tempo depois, uma grande tela mostrou nossos golens lutando sendo controlados por outro mago, e cara, a forma como os golens lutavam era totalmente diferente, mas apesar de tudo, todos os golens bem construídos conseguiram se virar bem, e os golens controlados melhor pela técnica tiveram dificuldades, mas não falharam em suas missões.
Na primeira mineração, alguns sapos destruíram muitos golens extras, fazendo alguns alunos agradecerem por terem dado golens extras pro avaliador, o que bateu minha ansiedade, me fazendo pensar se dei o bastante, mas vendo como meus golens aguentavam, eu sabia que era só minhas ansiedade falando, e eu tinha que me acalmar.
Mas o ponto onde os sapos parasitas apareceram foi quando as coisas mudaram mesmo, nunca pensei ver isso, mas o golem que criei pro meu irmão foi usado ainda melhor pelo “esquadrão de extermínio” como os avaliadores chamavam do que comigo. Cara, alguns golpes do funcionário faziam parecer que ele conhecia meu próprio Golem melhor que eu mesmo, não senti ofendido quando pensei nisso, eu só fiquei empolgado, empolgado com o que “eu” poderia fazer.
Antônio: então esse é o poder de um profissional?
Aluno1: não se preocupe, tenho certeza que você vai conseguir algo ainda maior
Antônio: hehe, valeu.
E como último teste, vi no meio do esquadrão de extermínio muitos golens começando a falhar, mas não era por danos externos, era que o poder do esquadrão de exterminio era tão grande que se os golens não fossem resistentes, eles explodiam de dentro pra fora, as explosões foram bem feias e eu apenas fiquei feliz que, no final de tudo, meu Golem não explodiu, ele estava danificado e com certeza teria que atualizá-lo ao invés de repará-lo, mas ele havia sobrevivido.
Ainda sentado, olhei nervoso todos os resultados dos meus golens, eu não sabia ainda como eu fui, tudo indicava que eu fui bem, mas era em momentos como esse que meu pior lado se manifestava e o pior cenário brotava em minha cabeça.
Tentei me acalmar, dizer que eu fui bem, mas não foi o suficiente, o pessimismo, dor, e medo de falhar em meu peito gritou, mas eu respirei, eu não podia ter um ataque, não agora, então eu bebi mais água, minha garrafa ficou vazia, e eu estava ofegante, mas me senti calmo e tranquilo de novo, esperar o resultado ainda era um saco, mas era melhor tédio que ansiedade.
Relaxado, mas ainda sem ninguém pra conversar, me acomodei melhor no pufe e tentei relaxar um pouco, e acabei dormindo um pouco sem perceber, e quando acordei o avaliador que me instruiu me esperava em pé.
Tentei controlar minha empolgação, mas a palavra “ansioso” não fazia jus ao que eu estava sentindo agora.
Antônio: então, como eu me saí?
Avaliador: (sorri) meus parabéns, você passou
Eu…não consegui acreditar, eu…uoooooou, muitas memórias começaram a passar na minha cabeça, o suor derramado, as noites em claro, os treinos constantes, os testes de calma, as palestras, as consultas, as conversas, tanto stress, tanta gente que aguentei, tanta gente que afastei, tanta gente que eu aproximei, tantos gritos que já dei, tantas lágrimas que já derramei…tudo levou pra esse momento, a comemoração iria ser depois, mas minha alegria e felicidade e podiam ter um gostinho dela.
Antônio: IEEEEEEEEEEAAAAAAAAAAA. EEEEEEEEEEEEEEEE AAAAAAAAAAAA HAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA.
No fim, eu não era o único maluco ali, pois todo mundo que parecia ter recebido a mesma notícia estava tão feliz e empolgado quanto eu, muitos alunos até começaram a disparar bolas de fogo no ar, e pelo quão empolgado eu estava, atirei junto deles, grandes e imensas bolas de fogo maciças, tão amarelas, radiantes e cheias de estalos igual a alegria contagiante e intocável que minha mente tinha se tornado, e eu disparei cada vez mais e mais bolas de fogo, e mais bolas de fogo…
Antônio: ISSO É MUITO LEGAAAAAAAL HAHAHAHAHAHAHA.
Eu amava aquela explosão nova, eu já explodi por raiva e stress muitas vezes, mas nunca tentei pensar como era explodir de alegria dessa forma.
Era bem diferente, era como se eu propositalmente explodisse, me enchi de propósito para deixar toda a alegria explodir de uma vez, enquanto o estoque parecia se preencher regularmente enquanto fosse aceitável eu ainda me sentir feliz, e graças a alegria dos outros alunos, pude aproveitar bem a alegria imensa que sentia.
E quando todos se acalmaram e todo mundo se afastou, tive mais tempo pra pensar em…como parecia que…agora tudo começava, minha preparação, minha força, minha experiência(questionável), tava tudo pronto.
Não importava mais se o mundo era cruel, eu era durão o bastante pra aguentá-lo, talvez eu não fosse um adulto completo, mas eu era adulto o bastante pra ter minha própria história…

