logo do projeto lunar

Capa
Não é uma Maldição 1🌻
Todos saúdem a família real
2895 palavras • 16742 caracteres • ⏱ 11 min 35 s

Todos saúdem a família real

0
0
0

No dia seguinte, vi que minha mãe não estava em casa, nem meu pai, os empregados ainda estavam ali, mas sei lá, o lugar parecia diferente sem eles.


Depois de me arrumar pra faculdade, fui até a sala de conferências, e o Davi estava lá novamente, e agora os papéis estavam na metade do caminho, talvez ele acabasse quando eu voltasse pra casa.


Antônio: oi Pedro


Pedro: oi irmão


Antônio: onde tá o meu pai e minha mãe?


Pedro: eles saíram pra resolver umas paradas, por que?


Antônio: então só vai ter eu e você em casa? Por quanto tempo


Pedro: relaxa mano, eles vão voltar hoje


Antônio: por falar nisso irmão, você estará livre hoje de tarde pra…treinar comigo?


Pedro: tem certeza mano? Eu não vou me segurar


Antônio: (risada abafada) estou contando com isso.


Com um clima alegre, sai de casa, tentando não me interessar muito na confusão dos meus pais, eles tinham as paradas deles, e eu tinha as minhas, e se eu quisesse transformar esse bastão em um cajado, a aula de hoje seria essencial.


@@@


A aula de hoje seria diferente, quase como se tivéssemos em uma excursão, o professor de história nos levou até um palácio bem grande, junto de um jardim extenso com uma pequena cidade dentro dele, quase como uma pequena comunidade inteira lá dentro, pois aquele era o castelo do Rei.


Entrando no castelo, vi cavaleiros e magos barra pesada no caminho, não conseguia sequer os olhar nos olhos de tanto poder que eles exalavam, o que me deixou mal fisicamente, mas ainda bem orgulhoso daqueles cavaleiros. 


No interior do castelo, fiquei surpreso em ver que, apesar de ter janelas um pouco melhores, pinturas mais finas, e outras bijuterias assim, aquele castelo gigantesco não era muito diferente da minha própria casa, hummmm.


Pensei que as coisas iam ficar interessantes logo, e eu estava certo, o professor parou perto da porta mais blindada, mágica e protegida que eu ja vi, parecia uma mistura de cofre de banco, tanque de guerra e um quarto do pânico, tudo em uma porta.


Professor: aqui é uma das várias entradas do lugar onde os maiores Singulares são mantidos, Singulares com maldições tão instáveis que são perigosos até pra ficar no meio de outros Singulares, ou pessoas que tem uma cabeça tão ruim que elas precisam de um tratamento mais “especial”.


Aaaaaaah, éeeeeee, eu sentia isso, os feitiços que tinham pra guardar aquela porta eram tão complexos que eu tinha dor de cabeça só de tentar entendê-los, e nisso, um dos alunos ergueu a mão.


Aluno: de onde esses amaldiçoados vieram?


Professor: a maioria são estrangeiros que foram pegos em expedições de psicomaga antes de causarem ainda mais estrago. Sei que pode ser estranho, mas existem coitados que nem sequer sabem o que a palavra “maldição” significa, às vezes o trabalho do Rei e do coven psichomantis parece quase não ter fim, mas os frutos disso fazem tudo valer a pena


Aluno2: professor, você já conheceu alguém que saiu dessa clínica “especial” do rei?


Professor: (risada abafada) não só eu, mas como você e todos os seus amigos também, na verdade, mais de 30% de todas as pessoas que existem no reino são pessoas que foram salvas pela clínica especial, sendo que o resto normalmente decide voltar pra casa quando são curados, e quem pode culpá-los? Se curar e voltar pra casa, às vezes parece um sonho impossível, muitos sequer entendem que nós estamos aqui.


Com o rosto de tristeza se formando no professor, via que os alunos começaram uma pequena agitação, com palavras de “o que tudo isso?” mas eu só continuava olhando o professor, ficando triste, como se ele já tivesse saído do território e visto algo que o fez querer ser alguém da guarda psicomaga, hummmm. Até que do mais profundo nada, alguém tocou o ombro do professor e falou.


???: e é por isso que temos tantos cantores, quanto mais pessoas souberem sobre nós, melhor será que o mundo fique um pouquinho melhor, não concorda professor José?


Professor: oh, vossa majestade, mas que honra revê-lo, deseja falar algumas palavras de inspiração para seu povo?


Aí aí, o Rei Adriano, ele estava despreocupado e tranquilo como sempre, havia bastante postura nele, mas ele era mais calmo e descontraído que muitas pessoas que eu conhecia, ele olhava para nós como crianças junto de seus olhos prateados e pele clara. 


Se ele não fosse apresentado, os mais leigos ali pensariam que ele era um nobre convidado, e não o Rei, até as roupas dele eram bem…simples, nada de jóias ou colares, apenas uma roupa bem feita e a coroa na cabeça que era o maior ouro em todo seu corpo.


E ele era um mago tão forte, que conseguia esconder por completo o próprio poder, eu mesmo, que sabia que ele estava escondendo o poder, não pude penetrar ná proteção dele.


Tudo isso junto de uma barba loira e um cabelo ondulado e loiro que lembrava o de um surfista, quem poderia dizer que ele era o Rei?


Ouvir o professor falar “vossa magestade” deixou muitos alunos paralisados por um tempo, os que entendiam mais do Rei como eu estavam tranquilos, mas os mais leigos nem sabiam o que fazer com os braços ou se deveriam se ajoelhar de alguma forma, mas o Rei os ajudou e apenas falou.


Rei: a vontade.


E os leigos relaxaram, mas apesar de não ser surpreendente, estava curioso pra saber por que o Rei estava lá, pela reação do professor, aquilo não estava no programa. (Isso ou o professor era um grande ator).


Antônio: vossa alteza, por que o Senhor está aqui?


Rei: por que estou aqui? Preciso de motivos para querer caminhar em meu próprio castelo?


Antônio: não senhor? Só estou curioso pra saber por que decidiu fazer isso, esse encontro foi coincidência?


Rei: sim, foi coincidência, mas como estou aqui, irei lhes mostrar algo incrível, venham, me sigam.


Depois de algum tempo, o Rei levou minha turma para uma biblioteca, já estava gostando do lugar, os livros dali eram bem antigos, pareciam registros bem antigos, bem antigos mesmo, enquanto os registros mais novos pareciam ser feitos com magia incrustada em pedras hummmm. 


Mais na frente, existia um único livro em um pedestal protegido por um vidrinho básico, de longe ele já parecia um livro bem grosso, mas chegando perto dele, era possível notar que o livro não era apenas grosso, quando aberto ele começou a mostrar páginas que não deveriam estar lá, como páginas que pareciam sumir quando eram viradas, como se o livro fosse infinito, ou pelo menos perto disso. 


Existiam feitiços tão complexos lá que eu nem podia olhar direito, mas talvez eu fosse o estranho, pois todos que olharam diretamente para o artefato desmaiaram na hora, aquilo era…absurdo.


Rei: o que vocês estão vendo agora, foi um presente especial que Alaric deu ao primeiro Rei “filo-arcano” que chegou ao poder, claro que nenhum Rei até hoje conseguiu compreender totalmente o grimório, existem coisas aqui que parecem ser compreendidas e ou completas apenas nas eras mais modernas. São artefatos como esse que fazem as pessoas se questionarem se Alaric era realmente humano ou uma espécie de mensageiro de Deus…mas pelos registros, é nítido que ele era humano de verdade…já passei por poucas e boas com esse grimório, mas ele me tornou uma pessoa melhor, um marido melhor, um pai melhor…um Rei melhor…(suspiro) e ainda sinto que só arranhei a superfície dele, é realmente triste.


Todos estavam chocados demais para ouvir totalmente o Rei, e de alguma forma, eu consegui me focar no Rei e no grimório. Eu queria lêr aquele livro, de uma forma tão gananciosa que nem conseguia explicar em palavras, mas da mesma forma, sentia que se tentasse iria ser consumido por tantos feitiços complexos e poderosos naquele único livro.


Rei: é realmente triste, mas sei que podemos evoluir bastante com o que conseguimos, não é?


Antônio: sim


Todos: sim.


Os alunos nem entendiam com o que estavam concordando, eles foram hipnotizados por tanto tempo pelo livro que perderam o contexto de tudo. E como se não tivesse nenhum problema no mundo, o Rei nos levou a saída e deixou os guardas para patrulharem a biblioteca.


Rei: espero que tenham gostado do show, tenham um bom dia.


E assim como chegou, o Rei saiu de lá sem um único movimento “nobre” que ele normalmente usa em eventos que o fazem parecer uma máquina elegante.


Antônio: ele é mais legal quando tá assim


Saytus: concordo.


Ah é, a Saytus tava junto comigo, ela olhava todo o lugar atentamente, assim como eu, mas ela não parecia nem um pouco satisfeita com o que viu.


Saytus: esse lugar é bem mais tranquilo do que pensei


Antônio: o que você esperava? Um lugar cheio de criaturas, monstros e feitiços disparando por todo lado?


Saytus: bom, sim


Antônio: hahahaaaaaa.heeeeeh. você me diverte tanto garota


Saytus: você também mano, você também.


Mas as visitas inesperadas do castelo não acabaram, pois pouco tempo, um vestido simples, que parecia flutuar e se mover sozinho, assustou muitos alunos. A Saytus ficou com medo daquilo ser um ataque por alguns segundos antes de eu a acalmar, dizendo que tava tudo bem, mas fiquei com a guarda alta mesmo assim, e quando o vestido voador se aproximou com a ajuda de uma empregada, a princesa cumprimentou todos ali.


Princesa: ola, o que desejam ver no castelo?


Aquele altura, o professor parou de excursar o passeio e deixou a princesa guiar a todos ali, e guiada pela sua empregada, a Princesa nos levou a um lugar bem mais profundo do castelo, onde uma grande gama de armaduras estava exposta, perto de várias armas também, e no meio de tudo aquilo, uma grande armadura de fada estava exposta junto com as outras…


Espera aí, não, não era uma armadura, era a casca de uma fada que trocou de pele, nossa, era uma casca bem antiga, mas ela continuava emanando poder a ponto de parecer uma armadura lendária, e apesar de não ter a intensidade do presente de Alaric, ela ainda possuía seu poder que me empurrava pra trás e derrubou muitos outros alunos no chão, enquanto a Saytus parecia bem alegre, como se ela tivesse visto um vestido de casamento perfeito pra ela.


Satus: (suspiro longo e demorado) NÃO ACREDITO, NÃO ACREDITO, NÃO ACREDITO, NÃO ACREDITO!


Princesa: hehe, lindo não é? Essa belezinha aqui é algo que temos muito orgulho, pelo jeito, presentear uma pele antiga inteira a alguém é um jeito de confiança extremo, e em alguns pontos da floresta das fadas, é até um pedido de casamento. E a Rainha das fadas presenteou a Rainha Graciele quando ela completou a promessa de unificar as fadas com ela…as vezes gosto de vir aqui e olhar a armadura, ela faz eu pensar no meu legado, e nas coisas que preciso tomar cuidado para manter, vocês têm algo assim?


A princesa se virou pra nós, ninguém respondeu, mas a princesa não ficou chateada, ela só falou.


Princesa: entendo, também não ia querer falar das coisas que eu me importo se elas parecem tão insignificantes perto dessa armadura, mas saibam que toda motivação tem valor, então não fiquem tão nervosos, continuem treinando e estudando, e quem sabe, vocês podem estar do lado de meus pais um dia.


Com os braços cruzados pra trás, era possível ver a Princesa sorrindo, ela não estava de maquiagem, mas mesmo invisível era possível ver que ela sorria, o que pegou alguns alunos de guarda baixa, os apaixonando de forma quase instantânea. E se despedindo de nós, a Princesa foi continuar suas tarefas.


E assim que ela saiu, alguns alunos começaram a falar dela de forma estranha, como a forma que queriam conhecê-la melhor, o quão fofa ela é e alguns até foram longe de quase falar algo inapropriado, mas apesar da princesa não ser isolada, existia um simples “bom senso” a ser seguido, e todos os alunos que foram longe demais levaram pescotapas dos guardas, fiquei com um pouco de medo, mas vendo como os guardas sequer olhavam pra mim, sabia que tudo ficaria bem.


Nossa, será que a Rainha iria nos cumprimentar agora? Foi isso que pensei, mas quem veio até nós depois foi o irmão do rei, o Duque Tomás, era nítida a semelhança deles em aparência, mas em comportamentos o Duke tinha uma etiqueta perfeita, junto de um terno fino que o fazia parecer mais Rei que o próprio Rei. 


Mas tudo que consegui ver foi que ele tinha um dos braços feitos de madeira, um braço que ele não conseguia mover de forma nenhuma, estava com medo dele falar algo ruim, mas foi bem tranquilo também.


Tomás: olá jovens, pelo jeito o professor de vocês está os excursando, então, se importariam de me acompanhar?


Depois de tudo que aconteceu hoje, ninguém estava suspeitando do Duke, cara, me senti mal pelo professor, ele estava com uma cara péssima. 


Depois de mais algum tempo, agente chegou na sala de treinamento dos cavaleiros reais, não entendi o por que o duque nos levou pra lá, mas então vi, uma grande quantidade de cavaleiros diferentes, existiam alguns veteranos que tinham algo faltando no corpo, e outros novatos que estavam tentando acompanhar os antigos, mas o que mais eu notei é a combinação de auras, eles estavam apenas treinando, mas eu conseguia sentir um imenso poder emanando de cada um deles. 


As cores fortes, como vermelho, laranja, amarelo e rosa se misturavam em uma grande chama aos céus; As cores mais fracas como o azul, o verde e o roxo acompanhavam tudo criando correntes de água que iam até os céus e deslizavam em grandes rios; E existiam os neutros, com tons puros de branco ou puros de preto que eram a cola que unia tudo em grandes nuvens monocromáticas.


Era um grande espetáculo de cores, que muitos alunos, inclusive eu, tiravam fotos mentais e físicas para sempre se lembrarem desse momento, e o Duke Tomás olhou pra gente com um sorriso simples e tranquilo enquanto seu corpo era rodeado por uma intensa aura azul, o corpo inteiro, menos a mão que possuía a maldição do boneco.


Eu ainda estava feliz, mas eu tinha a consideração para me sentir triste pelo Duke.


Antônio: que saco ein?


Duke: nem tanto, seria pior se não pudesse ser um cavaleiro por causa disso, mas eu encontrei uma arte da espada pra alguém sem um braço…sério, as vezes eu me impressiono com o que agente conquistou


Antônio: e o que agente ainda vai conquistar não é Duke?


Duke: hehe, você fala bem jovem, sim, tem coisas que não dá pra se fazer só com uma mão, mas na maioria do tempo, consigo me virar com apenas uma.


Ele então parou de falar um momento para admirar o show de seus próprios soldados, não querendo atrapalhar isso.


Duke: enquanto eu ainda puder ter essa emoção em meu peito, uma emoção, alegria e êxtase que só consigo achar ao lado de meus cavaleiros, ficarei feliz.


A alegria genuína na voz do Duke me pegou de surpresa, e olhando superficialmente, aquele lugar parecia o paraíso mesmo, mas não era tão simples, foi o Duke que transformou o lugar, foi o Duke que fez o lugar continuar bom daquele jeito, criar algo era difícil, mas manter, isso sim era imprecionante, cruzei meus braços, e balancei de forma positiva algumas vezes antes de falar.


Antônio: é, foi você que fez isso


Duke: o que?


Antônio: ah, eu quis dizer que você deixou os cavaleiros assim, bons saudáveis e muito felizes


Duke: ah tá.


Suspirei profundamente, há, quase que sou executado por falar errado.


Depois disso, o Professor nos tirou dali, seja lá o que ele queria nos mostrar foi interrompido e ele tinha perdido totalmente nossa concentração, mas estava tudo bem, porque agente havia aprendido bastante naquela visita.


Antonio: ahn, professor, o que você queria mostrar pra gente?


Professor: ah, eu queria apresentar a vocês o filo-arcano atual e braço direito do Rei, mas acho que nós já conseguimos tempo demais da realeza, não acham?


Apesar de estar ansioso para conhecer o filo-arcano atual, eu concordava que não estava mais com energia pra encontrar outra figura super-poderosa, tanto fisicamente quanto psicologicamente, no mesmo dia. 


E com olhares cansados e alguns pés se arrastando, vi que os alunos concordavam comigo, então só respirei fundo, e falei com a Saytus.


Antônio: e aí fada, como você tá?


Saytus: habdhaofnelbahdoabomshdlsm.


Aquilo não era língua das fadas, ela já tava tão cansada que nem conseguia formar palavras direito, é, agente realmente exagerou dessa vez, então estalando o corpo, apenas tentei relaxar enquanto era levado pra fora da pequena comunidade do Rei. 


Era apenas em momentos como aqueles que tinha uma real noção do quão grande o reino era, uma terra como aquela, que poderia facilmente abrigar quase 50 pessoas sem considerar o castelo era apenas o quintal do Rei, e o fato de que era normal nobres bem grandes como o Rei ter algo assim me fazia derrubar o queixo, e antes de entrarmos na grande carroça escolar, o professor se virou e falou.


Professor: bom, depois disso iremos voltar pra aula, espero que tenham aproveitado a nossa visita


Todos: nós aproveitamos, professor.


Eu não era vidente ou detector de mentiras, mas eu tinha certeza que, naquele momento, nenhum deles estava mentindo.


Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.