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Não é uma Maldição 1🌻
Pra sempre irmão e eterno amigo
825 palavras • 4577 caracteres • ⏱ 3 min 18 s

Pra sempre irmão e eterno amigo

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O dia seguinte foi bem estranho, pois acordei no sofá, com meu corpo todo dolorido, a sujeira e suor me agarrava por todo lado e toda a dor e sujeira me deixava mais agitado e nervoso do que nunca, tinha que tomar banho rápido, mas antes de eu ir tomar banho, uma batida peculiar na porta foi dada, como se uma garra tivesse batendo na madeira.


Quando entendi tudo, corri até a porta da minha casa, eu estava cansado, fraco e ainda mais dolorido que ontem. Mas meus sentimentos, que eu sequer tinha força pra identificar, me mantiveram em pé. 


Não perguntei quem era, apenas abri a porta e vi a bermuda e regata super pequenas que ele sempre usou, por animais sempre acharem roupas incômodas, mesmo os mais receptivos. O corpo todo peludo, rosto alongado, e uma altura capaz de finalmente me olhar nos olhos, revelou Brutus com um rosto cheio de tristeza, mas sabendo que aquilo era necessário, não trocamos nenhuma palavra, apenas nos abraçamos, e ficamos ali, de olhos fechados e buscando um calor e carinho que apenas nós dois conseguiamos entender.


Brutus: Antonio, você…foi a primeira pessoa que eu já considerei um amigo, muitos me ajudaram com pena ou medo…mas você realmente quis ser meu amigo por mim e não pelo Davi, muitos vieram depois, mas você foi a ponte para essas pessoas chegarem até mim…não importa se não quiser mais falar comigo, ou se não nos falarmos por 1000 anos, ou se nós dois mudarmos pra pior com os próximos desafios que enfrentamos, voce sempre sera o primeiro e verdadeiro amigo que eu já tive, e eu nunca esquecerei disso.


Não falei nada, não conseguia falar, era um dos momentos raros de minha vida onde eu queria ouvir o outro lado primeiro, mas Davi apenas queria falar aquilo, depois ele se virou e foi embora, sem falar mais nada, ele se afastou, e nao consegui aguentar aquilo e exclamei.


Antonio: Brutus, eu sempre soube que você era o original, pois antes de nos separarmos, o antigo Davi, antes de mudar, era idêntico a você, eu fiz amizade contigo pois você era meu verdadeiro amigo, talvez as piores partes dele, muitos iriam se afastar delas, mas elas sempre foram as partes que senti falta em Davi, eu apenas o ajudei por meu puro egoísmo de querer manter meu verdadeiro amigo vivo, entao nao precisa me agradecer por isso.


Brutus sorriu enquanto levantou a mão e me mostrou o polegar, e eu apenas repeti a ação, num impulso, falei pra ele.


Antônio: NAO ESQUEÇA DE LIGAR


Brutus: mas é claro.


Senti um vazio em meu peito quando ele se afastou, a gente já se conhecia a muito tempo, passamos por muitas coisas juntos, e agora ele estava indo enquanto eu ainda tinha muita coisa pra resolver…ia ficar tudo bem, eu ia encontrá-lo outra hora, quando eu passasse por mais um ano na minha faculdade dos sonhos, mas eu ainda sentia um vazio grande em meu peito, o vazio da distância entre meus amigos. 


Pra tentar melhorar meu humor, decidi andar pela casa por algum tempo, e com meus pés me guiando quase sem a guia do cérebro, acabei no escritório da minha mãe, e como sempre, ela estava com tanta papelada ao redor dela que pareceu quase criar uma fortaleza, é sério, pra que ela precisava olhar tanto papel? Bom, um dia eu saberia o por que, ou talvez não, eu chamei minha mãe, não a assustando dessa vez.


Antonio: oi mãe


Mãe: oi filho, o que foi?


Nossa, ela entendia na hora que tinha algo errado comigo, como ela fazia isso?


Antonio: mãe, meu amigo se formou, e agora eu me sinto sozinho


Mãe: você só está triste por que não pode acompanhar ele, apenas seja paciente, tenho certeza que vai encontrá-lo logo


Antonio: mãe…você liga se eu ficar aqui com você?


Mãe: claro que não filho.


Se o escritório da casa tivesse uma cadeira normal, seria uma grande dificuldade ficar com a minha mãe, mas a cadeira imensa que meu pai usava era grande a ponto de nós dois ficamos juntos, eu não iria herdar a casa então nem olhei o papel, só abracei minha mãe e tentei não a atrapalhar. 


E meu cansaço, junto de meu stress e vazio se acalmaram bastante, eu fiquei abraçado nela por um bom tempo, me sentindo como se tivesse ficado várias horas na terapia apenas com um simples toque. 


O que eu sentia com minha mãe, eu sabia que não conseguiria sentir com mais ninguém, então tinha que aproveitar o máximo que conseguia e nunca iria deixar de ama-la, ela nunca mais irá chorar igual aquele dia, eu não permitiria.


Antônio: eu te amo mãe


Mãe: eu também te amo filho.


E fazendo carinho na minha cabeça, eu fiquei tranquilo e calmo o bastante pra dormir no colo dela igual uma criancinha de 5 anos, e eu amei aquilo.


FIM da parte 2


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