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Não é uma Maldição 1🌻
Nós mudamos
2344 palavras • 12981 caracteres • ⏱ 9 min 23 s

Nós mudamos

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O dia seguinte estava bem animado, ainda mais comigo cavalgando com Zorro, respirei bem fundo enquanto corri em um lugar que não visitava há muito tempo, a quadra de batalhas. E lá dentro, com sua armadura completa, uma espada bem grande e uma compreensão da aura que me assustou bastante, Davi esperava por mim. 


Depois de eu amarrar o Zorro em um canto, me aproximei sem nem ligar que eu tava na vista dele.


Antonio: fazia muito tempo que agente não lutava, to até curioso sobre o que vai acontecer


Davi: se prepare, como eu falei, eu não sou mais uma máscara


Antonio: eu vejo mano, uou, vejo que a os cavaleiros fizeram milagres com você


Davi: você não faz ideia.


Ah, mas eu queria com certeza saber, os olhos, aquela postura, ele estava longe da postura certinha e reservada que ele tinha até depois de sair da casa de recuperação, ele estava desleixado de forma não proposital, como um humano novamente. Sorrindo de antecipação, exclamei.


Antonio: isso vai ser divertido.


E na mesma hora, arremessei a espinha de meu golem junto de todas as peças dele no ar, e usando o feitiço de ligamentos, fiz ele se montar no próprio ar e já está pronto para cortar o Davi, mas ele bloqueou sem problemas.


Havia metal nas duas lâminas, mas elas nem se tocavam, o que se tocou eram camadas de magia e aura que giravam tão rápido na superfície das lâminas que quase faziam serras de pura energia, criando faíscas que fizeram o sistema de segurança da quadra ser ligado na mesma hora, até o golem voltar a se mover.


Meu golem se moveu primeiro e mirou no pescoço do Davi, mas o Davi colocou a própria lâmina de forma estranha e aparou a lâmina do golem pra longe, o golem não tentou lutar com o aparamento e no lugar disso girou seu próprio braço até conseguir colidir a lâmina com Davi novamente. 


3 colisões aconteceram, a primeira foi empate, a segunda foi ataque do golem e a terceira foi defesa, depois 6 defesas do golem foram feitas antes do Davi dar um corte de baixo pra cima que o jogou no ar, mas o robô se recuperou e deu um bloqueio no meio do ar, mas Davi fez uma finta e fez golem cair bem na guarda dele.


Meu golem foi cortado bem fundo, mas resistiu e tentou cortar o Davi logo depois, mas mantendo sua guarda, Davi bloqueou o ataque e os próximos 4 sem problemas, quase desfazendo o poder da mana ao redor do golem várias vezes até Davi cortar duas vezes os braços e duas vezes o rosto do golem.


Meu golem estava com problemas, mas o metal resistiu bem, e com um entendimento melhor, fiz o golem bloquear o primeiro golpe de Davi, depois desviar e depois bloquear de novo, depois de 10 sequências, fiz meu golem atacar sem desviar primeiro e receber de corpo todo o golpe sem nem mesmo defender, uma mudança bruta que o Davi percebeu, mas ainda foi desequilibrado, e com uma perfuração, afundei a armadura de Davi, sabia que ele não ia morrer com isso, então ataquei o coração dele pra matar.


A armadura afundou a ponto de não parecer que ele conseguia respirar, mas Davi ainda rebateu o Golem, que desviou novamente e usou a parte mais inteira do braço cortado para bloquear a lâmina enquanto o outro braço não tentou ajudar a defesa e apenas atacou o capacete “vulnerável” do Davi. 


A lâmina quebrou o braço do golem, mas ele ainda conseguiu terminar o movimento, conseguindo amassar o capacete de Davi e quase arrancar ele fora, mas ele destruiu o braço do Golem antes de continuar.


O golem na mesma hora chutou o Davi tentando se recuperar, redistribui a força do braço destruído e mantive o poder do Golem, a ponto do Davi ter uma disputa de força com ele, onde o poder extra estava superaquecendo o único braço, mas ligando o dispositivo de resfriamento, mantive o braço forte.


Com a força de dois braços em um, meu golem colocou poder o bastante pra Davi começar a ceder devagar os joelhos, e a espada de Davi começou a rachar bem devagar, mas então eu vi, uma simples diferença de poder, uma diferença que me fez tirar o golem do caminho, mais alguns segundos e eu teria perdido o golem, mas não, só perdi a espada que foi cortada ao meio no golpe surpresa do Davi.


Antônio: uuuuuuh, espertinho.


Eu vi, a lâmina continuava igual, mas agora, a aura na espada de Davi havia se enchido do mais profundo ódio, manipulado pelo grande desejo de cortar tudo, o permitindo criar cortes através da aura que cortavam o próprio ar e viajavam pelo vento na direção de meu golem.


Sem a espada, desconectei toda a parte superior do corpo do Golem, deixando ele ver acertado e explodir em uma grande bola de fogo, a fumaça, o brilho e sequer os estilhaços imensos de metal fizeram os olhos de Davi piscarem, nossa, o que foi que ele passou naquele treino?


Agora, só com as pernas e toda a força da minha magia acumulada nelas, fiz as pernas correrem numa grande investida de magia concentrada, e apesar de toda a força do Davi, ele não conseguiu pegar as pernas.


Depois de muitos ataques, as pernas chegaram onde eu queria, mas a segundos de chegar onde queria, Davi pisou no chão com força, fazendo parecer que a gravidade ao redor dele havia ficado maior, mas não era isso, eu via, era exatamente a aura dele, empurrando minhas pernas pra baixo com uma grande força, mas nem isso foi o bastante para impedir as pernas, que conseguiram amassar e arrancar o capacete dele, mostrando um rosto cheio de ódio, que me fazia rir pela insanidade dele.


Antonio: HAHAHAHHA, SIM, SIM, EU VEJO, VOCÊ TAMBÉM CONSEGUIU UMA PERSONALIDADE.


Nessa minha contemplação, vi o resto da armadura amassada de Davi bem na minha frente, uou, eu fiquei fascinado, eu ainda tinha alguns golens sobrando, mas não tive chances de usá-lo, pois o Davi arremessou a lâmina dele em mim.


Na hora, bloqueei ela com meu bastão sem dificuldade, e a quebrei em pedacinhos, hehe, as aulas de combate mágico realmente compensaram, Davi ficou surpreso com o que fiz, e exclamei.


Antônio: QUE FOI!? NÃO ACHOU QUE MINHA LÂMINA SERIA MELHOR QUE A DE UM GOLEM!?


Davi não se abalou como eu pensei, e ele correu em minha direção, concentrando aquele poder imenso da aura dele em quase uma parede em meu rosto, firmei meus pés no chão e contra ataquei com canhões de ar que colidiram com o grande poder de Davi, tendo um empate dos dois lados, mas logo o Davi se recuperou e criou vários punhos além dele próprio. 


Firmando meus pés no chão, preparei todos os outros golens que guardei e no meio da briga de golens vs punhos de aura, eu e Davi trocamos mais golpes.


O pequeno joguinho que fiz com o Golem não foi nada parecido com as explosões e cortes brutais que fiz com o meu bastão verdadeiro, enquanto que o Davi estava bem mais motivado, e me mostrando cada vez mais as emoções que o mostravam não ser mais uma máscara, a tristeza fluia em casa movimento, a alegria contagiava cada grama de golpes que trocavamos, e como retribuição, descarreguei milhares de ondas de stress que acumulei fazendo nos dois perdemos boa parte de armadura, meus robes cheios de encantamento e durabilidade, rasgaram, e a armadura de Davi amassou e foi removida até ficarmos apenas com as calças dos dois casos.


A troca de golpes foi tão rápida, que nem percebi em meio ao caos quando algo frio tocou minha garganta, uma faca bem pequena, mas que cumpria bem seu papel.


Os golens e os ataques de aura de Davi pararam, a lâmina estava perto demais da minha carótida para eu fazer qualquer coisa rápido o suficiente, focar em curar a garganta me distrairia o bastante para o Davi acabar comigo e meus golens, e evitando derramar mais sangue e desperdiçar mais força que necessário, larguei meu bastão em sinal de rendição, e falei bem alto.


Antonio: ta bom, você ganhou, eu desisto


Davi: hehe, ainda bem.


Noooooooossa, aquilo foi divertido, e de novo, eu estava cansado, fisicamente e mentalmente, mas nós dois estávamos apenas com alguns arranhões.


Antonio: nossa, você devia dar crédito ao cara que fez essa armadura


Davi: e você pra esse robe


Antonio: pfff, ser costureiro não é mole não, você só devia ver o que esses caras fazem pros príncipes e pras princesas, simples, bonito, eficiente, de treino, eles fazem de tudo


Davi: nooooossa, eles são ferreiros de tecido então


Antonio: ferreiros de tecido, é uma forma boa de chamar eles, vem, vamos tomar uma poção.


Respirando, fundo e relaxando bastante depois da brincadeira que tivemos, tomamos poções de energia e de cura.


Antonio: eu não sabia que dava pra usar aura daquele jeito


Davi: e eu também não sabia que dava pra usar a magia daquela forma


Antonio: mesmo assim, fico meio triste que tenha tantos estudos pela magia e quase nada da aura


Davi: quer aprender sobre a aura? só viaja pelo mar e vá para o reino dos vampiros, ouvi dizer que eles são especialistas em aura, esse é o meu plano quando me formar cavaleiro


Antonio: hehe, então se prepara, vai ter muita gente querendo isso junto de você


Davi: ah, eu sei disso melhor que ninguém.


Eu vi então, o Davi deixando a raiva sair, tantas emoções saíram dele apenas em alguns segundos, e depois passou, era algo simples, mas me enchia de alegria.


Antonio: sabe, te ver assim me deixa bem orgulhoso, agente acabou se separando depois que eu decidi ser um mago, mas você continuou como cavaleiro


Davi: pois é, imagina minha surpresa quando eu vi que um dos novos recrutas era você, eu nem pude pensar direito


Antonio: eu levei um tempo pra te reconhecer, nem acredito quantas vezes você aliviou minha barra


Davi: e no fim eu só adiei o inevitável, eu apenas consegui te deixar um pouco mais calmo, mas você ainda explodiu e quase destruiu o lugar


Antonio: o que eu tinha não tinha nome, explodir e soltar tudo, era tudo que eu sabia fazer.


Parei de falar um pouco e olhei para a minha mão, não sei por que, ela não tinha machucados, mas olhar pra ela me fez refletir sobre tudo que eu passei e tudo que eu ainda iria passar e o que eu consegui no final.


Antonio: eu nunca iria querer passar por aquela dor de novo, mas eu gostei do que consegui no final, e acho que, se toda aquela dor formou esse meu “eu” de agora, valeu a pena


Davi: hehe, eu penso a mesma coisa, o Brutus pode ser mais antigo que eu, mas eu não sou uma casca (abre e fecha) ainda é estranho pra mim, sentir coisas como Davi ao invés de jogar tudo pro Brutus, mas pelo menos agora, o Brutus pode sentir coisas além da raiva absurda que eu dava a ele…e eu me sinto “vivo” agora, ao invés de ser algo que os outros gostam e ponto final, eu sou “eu”, e não mais o que os outros queriam que eu fosse na maioria do tempo, isso faz sentido pra você?


Antonio: mais sentido do que você acha, irmão.


Agente tava tão satisfeito, que nem pensamos em sair pra pegar lanches, apenas ficamos ali, sentados e olhando o fluxo de pessoas passando, antigamente o som das pessoas falando e o som dos passos me fazia enlouquecer, mas agora eu nem ligava mais, pois agora eu sabia que “era inútil”, meu corpo aprendeu a “não ligar”...isso, não posso desfazer minha maldição, mas já sei bastante como lidar com ela…sorri de forma simples, sim, eu tava bem feliz. 


Antonio: cara, como as pessoas podem gostar tanto de ser crianças? Quando criança ninguém me ouvia, eu não sabia quem eu era, e eu só ficava nervoso, estressado e fazia birra, pois pelo jeito essa era a única forma de me levarem a sério…mas…agora é o contrário, agora as pessoas me escutam, eu mesmo posso entender o que eu sou, não sou sozinho e agora sei que não sou maluco.


Davi: sei bem como é isso


Antônio: ah não, eu falei isso alto?


Davi: sim, e não se preocupe, é normal pensar nessas coisas, mas sei que vai encontrar algumas coisas boas tanto em ser adulto quanto em ser criança, a diferença é separar as coisas boas das ruins.


Não respondi, mas meu rosto já dizia que concordava com meu amigo, não o Brutus, mas o Davi. Antigamente, nós não podíamos estar em um lugar com tantas pessoas pois ele podia acabar virando o Brutus e gerar uma grande confusão com quem entrasse no caminho dele, mas agora ele olhava aquelas pessoas com um sorriso no rosto, sim, ele não suprimia mais nada naquele momento, ele só não sentia mais raiva de pessoas que não tinham nada a ver com o problema dele.


Antonio: nós mudamos muito, melhoramos e viramos pessoas melhores e confiáveis, mas sinto que não acabamos ainda, temos muito pela frente ainda


Davi: bom…acho que isso que significa crescer


Antonio: (respira fundo) pois é.


Apesar de não conhecer bem esse “novo” Davi, não falei mais nada, eu o conhecia a tanto tempo, que tanto eu quanto ele não vimos necessidade de falar com o outro, no silêncio, apenas pensamos sobre nossos próprios problemas.


Antonio: ai Davi, amanhã vai ser um dia bem especial pra mim, você se importa de avisar o Brutus para ir comigo para a casa de reabilitação?


Davi: É claro…sair daquele lugar é sempre algo muito especial, deve sempre tratar alguém que sai dali com o mais profundo respeito.


Sorrindo pro Davi, soube que podia confiar nele e decidi ir embora.


Antonio: desculpa mano, mas tenho grandes planos para se fazer


Davi: claro mano, se prepare para a sua garota.


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