Hoje estava sendo um dia bem normal na escola, tudo parecia tão estranhamente monótono que eu até achei que tinha algo errado, até eu ver a Saytus, fui até ela tentando animar meu dia, até que eu vi ela brigando com um aluno que eu nem sabia o nome, mas o que ele falou fez meu humor que estava tranquilo ao extremo ferver como um vulcão instantaneamente.
XXX: dá o fora daqui, aberração
Saytus: espera, o que?
XXX: isso mesmo, não precisamos do seu tipo aqui
Saytus: meu tipo? do que você tá falando?
Antonio: ei, o que tá acontecendo aqui.
Minha voz tava…estranhamente calma, a Saytus estava tranquila em me ver, mas o aluno racista estava me olhando com medo, tinha algo estranho com a minha voz?
XXX: ai, pode falar pra essa Fada que ela não deve ficar entre humanos de verdade
Antonio: e onde ela não é humana?
XXX: como algo como isso pode ser humano?
O aluno apontou para a Saytus inteira, seus 4 braços, suas 4 pernas, seus 8 olhos e seu exoesqueleto digno de um inseto, mas e eu só via a garota alegre e feliz, que eu fiz amizade desde a nossa primeira batalha, com um rosto tão surpreso que ela não tava nem ofendida, só confusa.
Uma parte de mim se alegrou um pouco vendo como ela não passava, ou até não passou por isso desde que ela chegou ao reino, hehe, me virando para o aluno, vi ele ficando ainda mais assustado e até recuando pra trás, ok, agora eu tava curioso, tinha algo de errado com meu rosto?
Antonio: bom, senhor, você está me dizendo que um ser capaz de ter raciocínios inteligentes, se comunicar não só com sua raça mas outras raças de forma inteligente, possuir sentimentos, manter uma sociedade e cultura duradouras e principalmente conseguir discernir entre o certo ou errado, não é humano:?
A confusão de Saytus foi mudando devagar por alegria por cada palavra que eu dizia, enquanto o aluno agora parecia preparado pra correr, e suava como se um tigre estivesse na frente dele, MEU DEUS, O QUE ERA TÃO ASSUSTADOR?
Antonio: enquanto o senhor, apenas num olhar superficial, sequer possui o senso de certo ou errado já que julgou minha amiga como uma aberração, um animal e um ser bruto apenas olhando. Para animais e monstros, não existe certo ou errado, apenas rivais e comida, nada importa além dele próprio e sua família, não importa o quão mal ou o quão destruidor ele seja, em minha visão, você é menos humano e mais animal do que a mulher que você diz “não ser humana”.
Eu vi o medo inteiro do aluno se dissipando e sendo substituído por surpresa enquanto ele olhou para Saytus novamente, incrédulo.
XXX: isso aí é…
Professor: eu não podia ter falado melhor meu jovem, agora se me der licença, preciso conversar com esse jovem senhor aqui.
Não notei o professor chegando, mas olhando pra ele, só pude ver a raiva simples em seu rosto antes dele levar o aluno, saindo de forma tão rápida quanto chegou, deixando apenas eu e a Saytus ali, e ela novamente estava atônita demais para falar qualquer coisa. Esperei que ela me perguntasse algo, mas ela estava em choque demais pra falar qualquer coisa, então eu levei ela pra uma máquina de refrigerantes que tinha dentro da faculdade, não gostava de comprar ali por que aquelas máquinas eram um roubo, mas hoje era um caso especial, mas antes de colocar o dinheiro na máquina, a Saytus se recuperou e falou.
Saytus: não espera, eu pago.
E ela realmente pagou, ela comprou um refrigerante, deixou a espuma sujar a própria mão e o bebeu bem devagar, fechando os olhos, deixando a doçura do refri talvez clarear sua mente, então ela falou.
Saytus: uau, o que acabou de acontecer?
Antonio: você acabou de ser julgada só por ser você, mas não liga pra isso não, ligar e se importar só deixa eles mais fortes
Saytus: eu não entendo
Antônio: como seu amigo Saytus, espero que isso nunca aconteça a um nível que você consiga entender.
Estava triste, triste pela Saytus, enquanto ela ainda estava confusa, mas ao mesmo tempo, estava feliz que eu dei uma resposta tão boa pra um dito “humano” sem perder a compostura, tomei meu refrigerante de cereja explosiva e meu humor mudava de forma bem simples, enquanto outro professor apareceu.
Professor: ola senhor Antônio, sei que isso é repentino, mas queremos que a senhorita Saytus vá ver a psicomaga da escola e que o senhor me acompanhe
Antonio: anh, tá bom.
Eu não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que tudo ia dar certo no final, então só segui o professor de forma simples, e quando saímos da linha de visão da Saytus, o professor falou comigo.
Professor: então senhor Antonio, você já ouviu falar do senhor Midas?
Antonio: unnn, provavelmente já, mas nunca ouvi o nome dele
Professor: eu e os outros professores queremos que você lute com ele.
Ok, eu gostava quando as pessoas eram diretas comigo, mas sentia que o professor além de estar sendo direto demais estava sendo muito vago.
Antonio: pode me explicar o por que?
Professor: o senhor Midas se joga nas batalhas e se recusa a ouvir qualquer aluno ou professor, sabe o criminoso que invadiu a escola no início do ano? ele quase perdeu permanentemente um braço pra ele, e mais recentemente, ele perdeu um amigo, de uma forma pior que uma morte pode causar, se o rei não tivesse se metido na negociação…não quero nem pensar no que poderia ter acontecido
Antonio: e?
Professor: tentamos ajudá-lo, mas ele não nos escuta, a psicomaga da escola presumiu que ele deve ter algum passado ruim com adultos, mesmo que ele se recusasse tão profundamente a falar, tudo fica nas entrelinhas, lamento por pedir isso, mas acho que ele apenas escutara você
Antonio: onde ele está?
Professor: ah, ele já está lhe esperando.
Segui o professor algum tempo, como aquilo era novo pra mim, meu corpo ficou nervoso, muito, muito nervoso, e bem estressado, mas tudo ia ficar bem com o tempo, pois eu já estava na arena do segundo ano que eu sempre usava.
Ele era um aluno grande, longo e com poucos músculos, com cabelo longo, castanho e bagunçado. Além de uma barba por fazer junto de olhos cheios de rugas de stress e olhos verdes. Aquele garoto tinha um rosto bem interessante, hehe.
E olhando para o aluno e para o uniforme na minha frente, vi que ele havia sido reprovado e ainda estava no primeiro ano, não liguei muito para como ele estava, ele parecia calmo, mas eu, melhor que qualquer um, sabia o quanto essa calmaria podia ser frágil.
Antonio: ola, eu sou Antonio, qual seu nome?
???: sou Midas, veio lutar comigo?
Antonio: eu vim conversar, mas se é uma luta que você quer, então é luta que terá.
Midas me olhou alguns segundos, considerando se deveria lutar ou não, mas escolheu atacar, e eu vi na hora por que ele foi reprovado só nos primeiros movimentos, tudo que ele conseguiu fazer eram botas e luvas tecnológicas, quatro equipamentos que mal me dei o trabalho de bloquear, só desviei com passos simples pra trás e mexendo levemente minha cabeça, até o Midas se cansar e se afastar de mim pra respirar. Ele já parecia exausto enquanto eu não tava nem suado
Antonio: você é o garoto que entrou no meio da batalha dos professores e quase matou seu melhor amigo?
Midas: sou eu
Antônio: onde tá o seu outro amigo? Soube que vocês eram um trio
Midas: ele parou de falar comigo…ESQUECE, ESSA CONVERSA JÁ TÁ UM SACO!
Jogando mais poder e mais força, o aluno jogou vários feitiços de bola de fogo em mim, mas a densidade da minha própria magia era tão forte que todas as magias de longa distância dele se desfaziam quando chegavam perto de mim igual a açúcar na água, quando todos os feitiços acabaram, ele ficou novamente sem reação e muito nervoso, não acreditando no quê houve.
Antonio: por que? por que você fez isso?
Midas: …por que não se dá pra confiar nos adultos…eles apenas gritam, nos machucam, e falam no final que é pro “nosso bem” mas eles só querem sugar tudo de nós
Antonio: mesmo assim, é inconcebível que você tentou ajudar os professores com um poder tão fraco, eu percebi isso, mas agora eu vejo que me enganei, você é fraco até para um aluno do primeiro ano.
Aquelas palavras pegaram o Midas de surpresa, mas seja lá o que o garoto passou, transformou ate a mais fraca e inocente das dúvidas em ódio puro que ele usou para me atacar, mas se os golpes com ele calmo já eram previsíveis, ele irritado era como lutar com um animal selvagem.
Tentando testar minhas próprias forças, suprimi cada pedaço de minha magia, levantei minhas mãos e lutei de mãos limpas com o Midas por 10 minutos, bom, lutar era uma palavra forte, pois ele não me acertou nenhuma vez.
Antônio: lento, fraco, previsível e deprimente.
As máquinas dele eram tão desequilibradas, a magia era tão irregular e as técnicas dele eram tão falhas que ele não encostou em mim, ele apenas recebeu mais e mais socos até cair no chão novamente, minhas mãos doíam e tinham pele descascando, nossa, já fazia um bom tempo que eu não lutava com alguém “a moda antiga”. Midas olhou pra mim, incrédulo, e pelo que eu vi, ele estava mais disposto a ouvir agora
Antonio: agora me diga, por que você fez tudo isso?
Midas: he…he…he…por que é legal. Desde bem novo, eu queria ser um herói, uma criança escolhida que ajudava os adultos enquanto ganhava grandes poderes se arriscando e vivia grandes aventuras junto de amigos que tao sempre ao lado dele, não importa o que aconteça…sempre amei histórias assim e…eu queria fazer a minha
Antônio: ah, mas…você pode ter uma história assim, é que tem uma diferença pequena entre nós e os heróis desses livros
Midas: o que? nos?
Antonio: (acena com a cabeça) é, eu sou um amante de aventuras também, e a diferença de nós para aquelas pessoas, é que a jornada deles, quase todo o tempo é num mundo bom sem maldade ou dor para afetá-los muito, e quando o mundo é tão ruim quanto o nosso, os protagonistas normalmente tem grandes parceiros, mestres e ajudantes para guiá-los, entende?
Midas: mais ou menos.
Me aproximei bem devagar do Midas, não o culpava por pensar assim, eu já pensei daquele jeito por um tempo, só nunca tive a coragem de fazer as coisas de verdade
Antonio: senhor Midas, você tem recusado a ajuda dos professores e tá tentando lutar com pessoas fortes muito cedo, e não ta seguindo os avisos dos seus amigos, você está cometendo tantos erros que se continuar assim você vai no melhor dos casos, morrer, e no pior dos casos vai virar o vilão na história de outra pessoa, tenha paciência, sua hora irá chegar
Midas: PACIÊNCIA!? MAS EU QUERO MINHA AVENTURA AGORA.
O Midas não tinha percebido até ser tarde demais, mas eu fiquei tão perto dele que ele deu um salto pra trás, assustado quando me notou.
Antônio: oh Midas, como você deseja ser um herói lendário, alguém que é marcado na história, que inspira gerações, e o mais importante, é vangloriado por sua grande força se você sequer consegue me derrotar, um segundanista.
Midas: …
Antonio: eu sou só um segundanista, deve ter muitos outros segundanistas mais fortes que eu, os terceiranistas até me derrotariam com um golpe, e olha que eu nem falei dos professores, o criminoso que você foi atrás era forte o bastante para conseguir escapar dos professores, e você pensou que podia fazer alguma coisa com um poder tão baixo como esse?
Eu vi a inocência de Midas indo pelos ares enquanto ele parecia entender em segundos quantas vezes ele quase morreu. Aproximei devagar minha mão dele e fiz carinho em sua cabeça, o que pareceu o acalmar.
Antonio: olha Midas, inocência não é algo ruim em si, mas como tudo na mente, a inocência tem hora e lugar para existir, em um campo de batalha ou em frente a um criminoso, não eram esses momentos.
Midas então olhou pra mim nos olhos, e ele pareceu ver algo em meus olhos dourados, algo…além do ouro e da beleza, ele estava vendo algo…místico, mas ele ganhou força e falou.
Midas: mas eu sou o melhor do primeiro ano
Antônio: É mesmo, então o seu primeiro ano é bem fraco.
Não tinha hesitação alguma em minha voz, se o Midas era o dito “o melhor” do primeiro ano, então todos eram fracotes que sequer conseguiam usar magia direito, nem mais nem menos. O Midas tentou pensar em alguma coisa, mas ele não conseguiu pensar em nada, então terminei.
Antonio: só uma dica, treine, estude, e faça o titulo de primeiranista mais forte realmente valer, e quando você estiver pronto, irei lutar com você novamente, mas quero que saiba que até você se tornar um adulto, você só está se preparando para começar sua história. Nos livros as crianças fazem o que quiserem, mas aqui na vida real, os adultos que saem em aventuras pois o mundo é perigoso, essas palavras, você pode escolher escutá-las ou não, mas saiba que estarei esperando por você.
Midas não se levantou, ele continuou ajoelhado enquanto eu ia embora, mas antes de chegar na porta, ouvi ele falando.
Midas: quando eu sei que a minha história começa?
Antônio: ah, segue sua intuição, vai no instinto, vai ter horas que você vai literalmente sentir.
Sorrindo para o garoto que eu sentia ser meu mais novo amigo, sai da arena, os alunos nas arquibancadas, seja do segundo ou primeiro ano, estavam todos com olhares diferentes, mas todos eles demonstraram profunda satisfação e medo, assim como pensava que o meu olhar refletia agora. Talvez eu tenha feito um bom show com minha magia.
No fim, a monotonia foi quebrada com a última aula de alquimia, pois agora estamos comprimindo todo o líquido que preparamos por quase o ano todo até conseguirmos cristaliza-lo, e pra variar, algumas misturas explodiram, outras cristalizaram o corpo de alguns alunos, e outras começaram a jorrar por todos os lados, mas muitos conseguiram completar sem problemas.
Meu próprio cristal estava brilhante e tranquilo, eu podia sentir a carícia e a massagem da água quente em minha mão, e a Saytus até se esbarrou em mim pra me mostrar o cristal dela, tendo um poder solar radiante e quentinho, enquanto o meu brilhava em azul, o dela brilhava em laranja forte.
Professor: a mineração de joias da alma é bem comum, mas elas normalmente são padronizadas em sua energia e funções internas, com suas amostras mais diferentes estando bem fundo da masmorra, as joias mais comuns são criadas para criar os golens que vocês encontram por toda a escola, mas para a criação de um golem específico, como um golem construtor, um golem de combate, ou um golem tradutor, é necessário ir bem fundo nas minas e enfrentar monstros pelo menos do nível dos terceiranistas para conseguir algo descente, é algo excelente só pode ser achado nos níveis que só um professor pode chegar. Enquanto que, apesar de ser mais frágil, criar artificialmente a mesma joia dos níveis mais inferiores em caldeirões é bem menos custoso.
O professor parou de falar por alguns segundos, apenas deixando os alunos discutirem e absorverem o que ele falou e depois continuou.
Professor: mas para aqueles que querem passar por menos dificuldades, criar artificialmente uma joia da alma é mais barato, menos desgastante e bem mais prático
Alunos: então por que aprendemos a minerar?
Professor: pois como eu disse, mesmo sendo melhor em casos especiais, em casos básicos de produção em massa, a mineração continua sendo um melhor caso, mas para os golens específicos que irão fazer, saber os dois casos é essencial.
O professor então passou o resto da aula só nos explicando de como cuidar e manter a energia de uma joia da alma artificial, até agente chegar no ponto onde nós substituiremos as joias da alma mineradas dos golens e máquinas que montamos por nossas joias de alma artificiais.
O processo foi preciso, e em pouco tempo, montei o golem novamente, colocando a joia da alma que eu criei na ponta da coluna dele fiquei feliz em ver o golem carregando um poder tão grande que quando levei alguns segundos pra entender que algo assim realmente era meu, havia tanto poder nele que ele parecia outra máquina. Então, o golem montado que havia me dado um tempão pra descobrir como montar, se virou pra mim e falou
Golem: ola, mestre.
Uhhhhhhh, gostei disso, gostei mesmo, mas para o encontro que eu teria amanhã, não poderia usar a joia da alma, sim, ela era mais poderosa, mas muito instável, até eu aprender em como usá-la direito, iria continuar com o plano original

