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Não é uma Maldição 1🌻
A Princesa Invisível
894 palavras • 4989 caracteres • ⏱ 3 min 35 s

A Princesa Invisível

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Eu segui a princesa para o terraço com sua empregada a ajudando a todo momento, até nós chegarmos no terraço e a princesa largar a mão da empregada e estender a mão pra frente. Segurei a mão dela e a acompanhei no terraço até um cantinho onde tinha o melhor clima do dia. 


Naquele momento, ela tirou os óculos, seus olhos ainda estavam fechados, mas ela apenas sentiu o vento no rosto com uma carinha bem feliz e aproveitou o momento, até ela abrir os olhos e revelar um vazio, por baixo da maquiagem não existia nada, apenas um nada que fazia as pálpebras parecem controladas por um fantasma, mas eu estava tão acostumado com isso que eu sequer pisquei e só ouvi a voz dela falar.


Princesa: então, como você está?


António: ótimo


Princesa: jura? ouvi dizer que um aluno da sua faculdade foi capturado por um criminoso e teve que sair da escola por trauma, você tá bem com isso?


Pera, que? como…eu nem conseguia computar o que ela falou, tentei pensar em algo, mas minha mente tava num branco total. Entendendo como eu tava me sentindo, mesmo sem enxergar, a princesa falou.


Princesa: eita, parece que não queriam que você soubesse disso, olha, não se preocupe, ele ta bem, ele não foi tocado, o papai deu um jeito nisso, mas ele não quer mais se envolver com magia, só to pedindo pra você tomar cuidado, tá bom.


Aquilo nem me afetava mais, mas me deixava feliz que ela ainda conseguia falar do rei, o homem mais influente e poderoso de todo o reino com a simples frase de “papai”, não “sua alteza”, hehe, não sabia o por que, mas aquilo me deixava muito feliz.


Antônio: não se preocupe princesa, eu tenho uma ideia de quem é o aluno por trás disso


Princesa: então você já sabe quem fez isso? Bom, deve ser só suposição, mas se você não está pensando no…


Antônio: por favor, não me diga nada sobre ele, sinto que…esse rapaz é alguém que eu tenho que conhecer pessoalmente, não ouvindo por terceiros


Princesa: você que sabe.


Nós ficamos olhando o horizonte um tempinho, meu coração pesou por um tempo apenas pensando no que aquele aluno estava se metendo, a vida era dele e ele não tinha nada a ver comigo, mas…tinha algo dentro de mim, lutando para que eu parasse ele, e algo me dizia que isso seria logo, então meu peito se aliviou enquanto fiquei solto o bastante pra perguntar a princeza.


Antonio: me fala sobre o príncipe Hades? ele é tudo aquilo que falaram


Princesa: muito pelo contrário, ele é o oposto do que dizem, ele não é mau ou assustador, ele é muito gentil e tranquilo, além dele ser bonito pra caramba


Antônio: que alívio, e como tá aquele seu projeto?


Princesa: voce não ve as noticias mesmo, ta sendo um sucesso, usar órfãos pra vender bolinhos e biscoitos e dar um pouco do lucro pra eles é muito mais lucrativo do que pensei, além de que to fazendo o dinheiro circular, melhorar os orfanatos, e consegui mais ouvidos para saber se tem algo “errado” em um orfanato, então são só vitórias


Antonio: hehe, você tem tanta coisa nos seus ombros, e você nem consegue ver o mundo incrível que tá melhorando


Princesa: visão é supervalorizada, não preciso de olhos pra saber que essa casa de recuperação está ótima, nem que meu marido é diferente dos boatos, nem que você é uma boa pessoa Antonio


Antonio: (sorri) e eu não preciso de super sentidos pra saber que você será uma ótima rainha


Princeza: bom, o que posso fazer? eu fui feita pra isso.


Rindo, nós apenas aproveitamos a brisa e ouvimos o som dos passarinhos, só um momento de paz, onde eu não tinha que ouvir o barulho da rua, e a princesa não precisava ouvir as vozes de vários adultos pra aprender, ou de várias pessoas que a amavam pelo que ela era e o que ela fazia. Apenas paz e tranquilidade, e no meio de tudo aquilo, a alegria escapou bem rápido, deixando que o medo e a tristeza chegassem, mas nos permitimos sentir elas o máximo possível, pois naquele momento, estávamos juntos, com alguém especial capaz de deixar ver esses sentimentos que apenas os mais íntimos podiam sentir.


Princeza: não serei um elo fraco


Antonio: você nunca foi


Princesa: nem você.


Nossa, tinha algo especial em ter alguém elogiando você, só…não parecia o mesmo de você se elogiar, receber um elogio sincero de uma pessoa, ou o perdão de um estranho quando ele fala “tranquilo irmão, eu faria o mesmo” dá uma paz que ninguém consegue dar a si próprio sozinho, nem o maior dos narcisistas.


Antonio: hehehe, obrigado.


Quando ficamos satisfeitos, voltamos à porta do terraço e entreguei a princesa novamente a sua empregada.


Princesa: obrigada por isso


Antonio: idem.


Eu não era especial, a princesa era simplesmente fácil de falar e se encontrar, você poderia apenas sair de casa pra comprar pão e esbarrar com ela, (claro, dependendo do quão suspeito você parecia) mas uma parte de mim percebia que ela gostava bastante de ficar perto de mim, enquanto outra parte tentava não levar isso pra cabeça, eu sorri, e apenas vi a princesa descendo primeiro para continuar falando com os Singulares, seus irmãos de alma, minha irmã de alma.


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