Novamente, eu estava no consultório da Kauane, estava bem mais tranquilo perto dela agora, mas não me sentia confortável para falar sobre meu segredinho, não, a raiva que eu sentia do meu pai era algo que eu não queria dissipar, ainda não. Mas eu já podia falar algo que eu pensei bastante sozinho.
Antonio: sabe, a infância é supervalorizada e crescer é muito demonizado
Kauana: Por que diz isso?
António: essas são as palavras de uma criança que sempre fez birras e sempre mostrou ter algum problema, mas que nunca foi ajudada por ter sempre a desculpa que "os pais não cuidam direito" ou "só ignora que ele pára" e eu realmente parei, mas o que eu sentia não sumiu, apenas ficou mais escondido, até começar a explodir em coisas bem maiores que birras de criança, mesmo com tudo que fizemos, demorou até eu ficar adulto para as pessoas me levarem a sério e entenderem que não era má criação ou birra que eu fazia aquelas coisas, tinha algo em mim que ninguém nunca quis se importar, por que eu era uma criança
Kauane: mais alguma coisa?
Antonio: bom, também tem as vantagens óbvias das pessoas finalmente te explicarem por que você precisa fazer tais coisas, você ter mais controle pra onde você quer ir ao invés de depender de seus guardiões, ter seu próprio dinheiro e se sentir importante em algo que não é a sua família, tipo, olha tudo isso? como alguém quer ser criança com tanta coisa legal em ser adulto
Kauane: mas você não sente falta da liberdade de quando você era criança?
Antônio: que liberdade? eu sempre vivi pelos meus pais, com o medo de eu ser um "fracassado" como sempre me diziam, então eu passei por varias coisas que eu nunca faria sem a motivação deles, e tem dias que eu me pergunto se no fim de tudo, aquilo valeu a pena ou não
Kauane: e por que não valeria a pena?
Antonio: por uma única pergunta que eu ouvi numa palestra de gigantes, uma pergunta que eu tive uma resposta rápida demais, e por causa disso, soube que eu ia preferir mil vezes ser um adulto a um adolescente ou uma criança
Kauane: e qual era?
Antonio: "se você voltasse no tempo para o momento de seu nascimento e tivesse que viver toda a sua vida de novo isso seria o paraíso ou o inferno? E se fosse o inferno o que você faria para mudar isso?"
Kauane: esta dizendo que sua vida antes de saber que era um Singular era um inferno?
Antonio: sim, se eu voltasse no tempo com todas as minhas memórias da minha vida, eu não conseguiria aguentar meus pais me mandando pra todos os lados, por eles nunca acreditarem em mim e é por causa dessa pergunta que eu soube que a resposta seria inferno, mas era algo bem mais além disso, eu, como uma criança, mesmo se eu falasse pra minha mãe, a pessoa que eu mais amo e confio no mundo "mãe, eu acho que eu tenho alguma doença mental, podemos dar uma olhada?" ela não iria me ajudar, por que ela nao ia acreditar em mim, ela iria fazer carinho na minha cabeça, pensando que eu acabei de ler sobre doença mental em um livro e tava tentando parecer inteligente pra ela...DEUS, MESMO SE EU FALASSE "MÃE CUIDADO, ACHO QUE TEM UM BANDIDO EM CASA" ELA IA FICAR EM DÚVIDA SE EU REALMENTE VI ALGO OU SE EU SÓ ME ASSUSTEI COM ALGUMA COISA, CRIANÇAS NÃO SÃO LEVADAS A SÉRIO, CRIANÇAS NUNCA PRECISAM SABER NADA IMPORTANTE, CRIANÇAS SEMPRE PRECISAM FICAR BEM LONGE DO MUNDO DOS ADULTOS, ADULTOS QUE FAZEM O QUE QUISEREM ENQUANTO TENTAM NOS PROTEGER, AO MESMO TEMPO QUE NEM LIGAM QUANDO FALAMOS QUE ESTAMOS MAL...
Parei de falar um pouco, precisei recuperar o fôlego, mas fiz um sinal com a mão, mostrando que eu não terminei de falar, eu estava muito longe de terminar.
Antonio: hipocrisia, contradição, mimetismo da própria dor quando criança, existem várias desculpas e motivos, mas todos eles significam a mesma coisa no final, ser criança só vale a pena uma vez, quando seus pais entendem você por completo e você não precisa pensar em nada...mas quando seus pais não te entendem, ser criança é a pior coisa possível, pois voce não sabe falar direito com as pessoas que querem realmente te ajudar, como eu falei, seus pais não te levam a sério, e mesmo que você descubra por conta própria o que voce tem, o que é algo bem dificil de fazer, se seus pais ainda não te ajudarem ou se não acreditarem em voce, tudo vai ser em vão
Kauane: e o que faz você pensar que apenas adultos podem ter tudo isso?
Antonio: por que foi o que aconteceu comigo, e eu sempre quis crescer logo, porque eu amo muito minha casa e minha cidade, mas como eu te falei antes, meu maior sonho é conseguir sair para outro lugar...mas...eu meio aprendi que o mundo é um lugar muito ruim para uma criança, então eu sabia que se quisesse realizar meu sonho, eu teria que ser um adulto por vários motivos
Kauane: interessante, e o que fez você perceber isso?
Antonio: a vida de meus antigos vizinhos e colegas de escola que eu não podia chamar de amigos, a maioria eu não sei sequer onde estão, mas muitos já estão com filhos ou mortos. E aqueles que não acabaram nesses extremos estão vivendo em um lugar que odeiam, mas não tem força ou sequer motivação para tentarem algo melhor. Isso por que eles foram pro mundo ainda como crianças, e aprenderam do pior jeito que o mundo não é pra crianças
Kauane: você já passou por isso?
Antônio: não, como um homem muito sábio uma vez disse, "um homem sábio aprende com os próprios erros, um homem mais sábio ainda aprende com os erros dos outros", assim como nossos ancestrais mais antigos faziam, um sapien ancestral não precisava comer uma fruta pra saber se ela era venenosa, ele só precisou ver outro ancestral comendo e ver o que acontecia com ele, assim como eu fiz com meus antigos colegas
Kauane: você ainda tem contato com algum de seus amigos?
Antônio: não
Kauane: esse é o único motivo pra você achar a infância supervalorizada?
Antonio: bom, além disso, também tem um livro bem recente que eu li, de primeira vista ele parecia um livro de aventura e heróis lendários tipico, mas quanto mais eu lia o livro, mais eu entendi o que significa ir numa aventura épica de verdade, os vilões eram muito maiores e mais preparados do que qualquer coisa que o protagonista experimentou, o protagonista sentiu medo, desespero, e um ódio que o ajudou muito mais que o "poder do amor" que normalmente se tem nessas histórias, a quantidade de vezes que ele quase morreu na história foi absurda, e eu conseguia sentir a tensão em cada palavra daquelas. E no fim o herói venceu, derrotou o grande vilão da história e mergulhou o mundo numa nova era de paz
Kauane: que bom
Antônio: não, foi ruim, pois a história não acabou. Não fazia ideia do que a história podia falar depois de tudo que ela própria mostrou, mas ela me fez ver algo que até aquela época da minha vida eu apenas tinha suposições, nenhuma criança, e às vezes nem um adulto está pronto pras consequências da aventura, apenas as vitórias. O resto do livro apenas conta que depois de derrotar o grande vilão da história, o herói está destruído psicologicamente, ele está no modo sobrevivência o tempo todo, mesmo depois de todo o mundo passifico que ele criou, ele se tornou um amaldiçoado cada vez mais perigoso por que antes dele derrotar o vilão, ele tentou se abrir pra muitas pessoas, mas ninguém o entendia ou dava ele a chance de se explicar, por que ninguém conseguia o entender. Mesmo assim, o herói se colocou na linha de frente, lutando e se machucando para as outras pessoas ficarem bem, até ele finalmente passar por coisa o suficiente para derrotar e destruir o que os "adultos" daquele livro não conseguiram dar um jeito sozinhos e tiveram que recorrer a uma criança inocente pra consertar a bagunça deles.
Dei muita ênfase no deboche em minha voz enquanto dizia "adultos", naquela época, eu já notava que havia algo estranho nos adultos dos livros de histórias onde o herói precisava salvar o mundo ou ser um grande herói perfeito e que nunca erra, mas aquelas coisas nunca eram levadas a sério na história, então eu sempre ignorei, mas aquele livro, ele nunca mais me fez ver aqueles livros da mesma forma, ainda os amava, mas agora a realidade do que significava ser um herói pesava em minha consciência, mesmo eu nunca tendo passado por aquilo.
Kauane: uma história bem comum
Antônio: mas nunca levada a sério, pois nessas histórias você nunca deve pensar "como isso afetaria uma criança?" Ou "como que passar por tanta dor tão novo pode destruir uma pessoa, adulto ou criança, por dentro?" Tudo que você precisa pensar é "nossa, isso é tão legal, eu quero passar por isso, eu quero lutar contra monstros e ser um grande guerreiro" e não, você não quer, pelo menos não como as histórias mostram, tendo um passado horrível, perdoando as pessoas que te destruíram para ser um exemplo para os outros, sendo que você é o ÚNICO que deve perdoar alguém, se doar pros outros mais do que eles merecem ou que você mesmo aguenta e nunca, jamais, em hipótese alguma, se importar consigo mesmo, pois que tipo de vilão e monstro asqueroso colocaria a própria necessidade acima de milhares de estranhos que sequer irão saber que ele sequer existiu? Não, crianças precisam ser crianças, crescer, aprenderem e terem uma mente feita antes de enfrentarem o mundo que irá jogar tudo e mais um pouco nelas. Uma pessoa incompleta, quebrada, que será preenchida com toda a crueldade do mundo que irá apenas a transformar num ser destruído que não é mais uma pessoa, ela é apenas uma arma, ou uma chave para a paz, ou talvez um pedaço de lixo sem função, sempre um objeto, nunca uma pessoa inteira...
Parei de falar por alguns segundos, apenas para ver o rosto de Kauane, sim, ela estava cheia de surpresas pelo que eu li, mas não havia dúvidas em seu olhar, apesar do ódio e indignação que eu sentia naquele momento, minha raiva se acalmou um pouco vendo como a Kauane concordava comigo.
Kauane: como a história terminou?
Antônio: o que?
Kauane: a história do heroi? Como ele terminou?
Antônio: ele virou um amaldiçoado, do pior tipo possível. Alaric fez um grande favor para nós dizendo e criando um nome para pessoas amaldiçoadas como ele e como não serem vistas como monstros, mas a maldição que o herói da história desenvolveu era digna de ser chamada de "a maldição". Ele destruiu todos os reinos que salvou, matou cada uma das pessoas que diziam ser seus aliados e sua família, e reduziu todo o planeta que ele salvou em uma pilha de cinzas incandescentes, o último vilão queria dominar a terra, mas o herói a destruiu por completo no lugar disso.
Tentei falar de forma demorada e arrastada cada palavra, dando um leve gosto a Kauane um pouco do que eu senti quando li as páginas finais daquele livro, quando o medo e terror estavam na quantidade certa, continuei.
Antônio: e quando não sobrou nada pro herói odiar ou culpar, ele morreu pela única coisa capaz de impedi-lo, ele mesmo. Ele destruiu o próprio corpo, em um único rugido que como eu falei, ele não era nada além de uma arma, quando os tempos de guerra passaram ele perdeu seu propósito, e todas as tentativas dos amigos deles de ajudarem foram recusadas, por que ele não acreditava mais neles, ele não...conseguia mais confiar em ninguém, ele foi usado, nunca se importaram com ele, e quando finalmente se importaram, ele não conseguia mais confiar em ninguém, no fim, o príncipe que lutou tanto desde seus 12 anos, derrotou o grande vilão aos 18 anos, virou um monstro aos 20, destruiu o mundo inteiro aos 21 e destruiu a si próprio aos 22, e nem em um único momento de toda sua jornada, ele se importou com o que sentia, desde o monstro até sua própria destruição, ele nunca se importou com o que sentia, usado, descontrolado e destruído como uma bomba que deu errado
Kauane: que história mais triste
Antônio: sim, mas ela me ensinou bastante coisa...eu a li apenas uma vez, mas a guardo com carinho em um lugar que nem eu sei direito o que é, só sei que ela me mostrou o que acontece se uma criança tenta viver com adultos incompetentes e tenta resolver os problemas que eles deviam ter resolvido, por isso que apesar de tudo que minha mãe fala, eu ainda não me sinto um adulto, eu sou biologicamente um adulto, mas não espiritualmente
Kauane: e o que é um adulto pra você?
Antônio: um adulto é alguém responsável, mas não apenas por coisas físicas, mas responsável por si próprio em vários níveis. Um adulto aceita a responsabilidade pelos seus próprios sentimentos, defeitos e traumas, e nunca joga ele em cima de outras pessoas. Além de que, um adulto aceita sim a ajuda dos outros, mas apenas de outros adultos, uma coisa é explicar à criança o que ela não entende, outra coisa é deixar ela entrar em um lugar que ela não deveria por que isso pode a destruir por completo. Além de que, um adulto de verdade é alguém como Alaric, ele não era perfeito, mas ele além de ajudar os outros a sua volta, também ajudou milhares de pessoas bem antes de ter morrido, mas também por que ele entendeu cada responsabilidade que estava carregando, sem nunca a levar como coisa pequena e entender o peso do que ele estava fazendo, e transformar aquela responsabilidade imensa em poder, poder pra conseguir ajudar os outros a sua volta, e isso é o que ser um adulto significa pra mim, não homem ou mulher, mas adulto, entender as responsabilidades, não apenas de suas ações e suas palavras, e sempre aguentar tudo, aguentar a responsabilidade de suas palavras, aguentar a responsabilidade de suas ações, e aguentar a responsabilidade do caminho que você próprio escolheu. Por isso acho que a infância é supervalorizada, ela tem seu valor para nós sermos bons adultos, mas no fim, a infância e a adolescência é apenas uma transição até conseguirmos carregar a responsabilidade em nossos peitos, e conseguirmos o grande poder que ela carrega
Kauane: e por que você acha que não é um adulto ainda?
Antônio: eu não tenho "responsabilidade" o bastante, ou seja, eu não tenho "poder" o bastante, mas não só isso, eu ainda não tenho "responsabilidade" das minhas próprias ações, muitas vezes eu falo coisas e me arrependo depois, ou ajo de certa forma e depois eu me pergunto "por que eu fiz isso?" Sinto que não serei um adulto de verdade até resolver isso
Kauane: quer falar sobre alguns exemplos?
Antônio: não obrigado
Kauane: mas muitos adultos não têm essa responsabilidade, então por que você precisa ter?
Antônio: tá falando dos "adultos" que abusam de suas famílias fisicamente ou emocionalmente? Ou talvez dos "adultos" que têm filhos sem planejar e não fazem ideia de como criá-los e acabam criando uma criança digna de ser o vilão da história de alguém? Ou, talvez você esteja falando dos "adultos" tristes e infelizes, que odeiam o mundo que eles acharam ser mil maravilhas e quebraram a cara quando viram que não eram do jeito que eles esperavam, e tem uma grande alegria maltratando e machucando pessoas mais fracas que eles? Ou talvez você esteja falando dos "adultos" que não passam de engrenagens em uma fábrica ou trabalho que eles sequer tem força e energia de sentir raiva, e apenas conseguem trabalhar por que é apenas isso que eles sabem... me fala Kauane, de qualquer desses tais "adultos" que não tentam procurar o que eu estou procurando está se referindo?
Eu realmente esperava que a Kauane respondesse, eu queria que ela falasse que eu estava errado, que tinha outro caminho para "ser adulto" do que eu acabei de falar, e (ironicamente reforçando minha teoria) ela me olhou nos olhos sorrindo, como se pensasse que eu deixei de falar algo bem importante.
Kauane: e a sua mãe? Ela é uma adulta?
Antônio: minha mãe sim, mas meu pai, sim e não
Kauane: como assim sim e não?
Antônio: meus pais, eles são quase o oposto de tudo que eu falei que um adulto não é, eles se esforçaram, tiveram paciência, e nunca culparam os outros por seus problemas. Mas meu pai é um adulto, e não é ao mesmo tempo, por que ele culpa e machuca as pessoas que ele convive, como minha mãe...e eu
Kauane: quer falar sobre isso?
Antônio: não, não quero. (Tosse) Continuando, meu pai sabe que tem um problema, que ele é uma pessoa ruim e sabe que no fundo, ele vai acabar afastando todo mundo a volta dele, mas ele diz "não conseguir" se ajudar, o que pra mim é uma desculpa ruim de alguém que insiste que não precisa de ajuda ou não precisa mudar, o meu pai não é um adulto, pois apesar de trabalhar bem e ser um ótimo pai, quando o assunto é relacionamentos, ele é uma criança, ele dis que me ama, mas ele não consegue conversar de forma normal comigo, ele diz que ama minha mãe, mas a trai todo o tempo, ele diz que se importa comigo, mas não queria saber se eu era amaldiçoado ou não, agora me responda Kauane, em seu próprio estudo, um adulto agiria dessa forma?
Kauane: e por que sua mãe é adulta e seu pai não?
Antônio: por que ela tem todas as partes boas do meu pai, e ainda trata suas partes ruins...ela tem as próprias poções pra tomar, meu pai não tem nenhuma por que ele nunca se pôs pra ver se precisava delas, a minha mãe tem o desejo de melhorar todo o dia, fazer com que a "ela" do futuro seja melhor que "ela" no passado, e no fim, ela me inspira mais que qualquer pessoa que eu conheço, antes era meu pai, por que eu não via alguém mais bem sucedido que ele...mas as coisas mudam e agora eu vejo minha mãe como o maior exemplo que "ser adulto" significa. O Alaric também é meu grande exemplo, mas ele é um herói histórico super maneiro e unico então ele não conta
Kauane: por que não?
Antônio: por que ele é quase um herói fictício, mesmo sendo real as coisas que ele fez foram tão absurdas que nem dá pra considerar ele como alguém comum como eu, ele é um exemplo, algo que eu devo seguir, já minha mãe, sangue do meu sangue carne da minha carne, ela...é igual a mim, ela é só uma pessoa normal tentando se entender...e no fim acho que é por isso que eu amo tanto ela, ela me inspira, me inspira a querer ser um "adulto", a melhor versão de mim
Kauane: e você tem uma ideia do que essa melhor versão sua é?
Antônio: uma versão que pode cuidar da minha mãe quando ela ficar velha, ter dinheiro o bastante pra eu comprar meus próprios livros, conseguir vários amigos, ter sabedoria pra não desperdiçar minha própria força atoa, conseguir dar uma vida de rei pro Zorro, e principalmente conseguir o equipamento pra eu viajar pra qualquer lugar que eu queira, pra mim, isso que significa ser um adulto. Algo em mim, me diz que só quando eu tiver a força, inteligência e maturidade em várias áreas pra aguentar o peso imenso de responsabilidade que eu quero, poderei desfrutar esses prazeres sem ouvir a nada e a ninguém.
Eu...pensei que a Kauane iria falar alguma coisa pra mim, mas não, ela só ficou me encarando, ainda sorrindo, achei que ela iria deduzir ou falar algo, mas ela só...me encarou, não fiquei com medo, nem nervoso, só relaxei, minha garganta doía e meus ouvidos estavam doloridos de ouvir minha própria voz...nossa, eu tinha falado tanto assim? Maneiro.
Levei bem mais tempo pra me recuperar do que eu pensei, parecia até que eu tinha corrido uma maratona sem beber água.
Kauane entendeu o que eu tinha e me deu um copo de água rapidamente, e quando acabei de beber, ela falou.
Kauane: acho que nossa sessão acabou
Antônio: mas já? Foi muito rápido.
Na minha cabeça, eu tinha acabado de chegar, mas em um piscar, uma hora inteira havia passado, eu queria discutir, mas sabia que era melhor sair agora.
Quando saí da sala da Kauane, pra variar, encontrei o garoto que explode no corredor mas ele não estava mais tremendo, ou gago, agora ele parecia tão calmo e tranquilo, que precisava de um colar pra saberem que ele era um Singular, e eu amava aquilo. Passei por ele como sempre fazia, levantando a mão e o cumprimentando.
Antônio e Garoto: melhoras pro senhor.
Nunca troquei uma palavra com aquele cara, mas ele parecia um garoto legal.

