A próxima aula seria algo interessante, hoje a gente passaria por uma aula de treino em equipes para nossa área, uma dupla iria proteger um prédio construído por outra área da escola, enquanto outra dupla iria tentar destruí-la.
E pelo que parece, um grupo de alunos não iria participar por quebrarem as regras da escola.
Enquanto tentava não ligar pra isso, Saytus me acotovelou pelo lado e sussurrou pra mim.
Saytus: eu ouvi dizer que esse aluno quase foi expulso por tentar entrar no porao da faculdade
Antonio: ah, então tem algo realmente dentro da escola?
Saytus: bom, tem, mas eu não sei o que é, eu procurei em todo lugar possível e não encontrei nada
Antonio: você já tentou na biblioteca?
Saytus: foi o primeiro lugar que eu procurei
Antonio: humpf, como eu nunca te vi lá?
Saytus: Antonio, convenhamos, você não é o cara mais atento ao próprio redor quando tá lendo
Antônio: ah…touche fadinha, touche
Saytus: vitória no argumento agora vai ter vitoria na batalha
Antonio: ah, você vai ter que tirar essa vitoria de mim na marra ein.
Rindo com a Saytus, vi as batalhas começando, como eu não ligava muito pras outras lutas, só me sentei num canto e li na maioria do tempo, nem ligando pra quem seria minha dupla, só prestando atenção quando meu nome foi chamado, vi que iria lutar contra Saytus e meu parceiro se chamava Paulo, bom, não perdi tempo e fui logo para a arena.
Tínhamos algum tempo para nos ajustarmos com nossos parceiros, então virado de costas para o prédio que precisávamos proteger, começei a conversa.
Antonio: e ai, o que você faz de melhor?
Paulo: sou especialista em canhões, e você?
Antonio: sou um especialista em armaduras.
Depois de conversar um pouco, criamos um plano e o Paulo foi para trás da torre colocar seus canhões, enquanto eu apenas criei uma armadura neutra, não forte nem rápida demais, quando a Saytus viesse até mim aí eu decidiria, aquela fada não era alguém que eu podia mostrar minhas cartas tão rápido.
Alguns segundos depois da prova iniciar, ninguém apareceu ou tentou entrar, mas eu sabia o porque e mantive minha guarda alta, então eu vi algumas pegadas no chão, elas eram desleixadas demais para serem um acidente, e a Saytus ainda não apareceu, continuei olhando para as pegadas enquanto também sentia um grande poder mágico concentrado em outro canto, e qual deles era o verdadeiro? Simples, era uma pegadinha, os dois eram armadilhas falsas, e como prova, disparei duas pedrinhas nas ilusões, e como eu pensava, as armadilhas explodiram na hora e criaram uma grande reação em cadeia de explosões, criando uma cortina de fumaça.
No meio da confusão, o parceiro de Saytus liberou vários clones da fada e criou uma horda de Saytus mecânicas e falsas pra mim, mas na hora, o Paulo ativou seus 100 canhões e destruiu a maioria, algumas sobreviveram bem mais tempo, mas nenhuma sobreviveu mais do que 20 segundos, algumas realmente fortes conseguiriam até me tocar, isso se eu não provocantemente andasse um pouco outra trás pra frustrar os robôs e as vezes pra frente pra dar tantas esperanças aos golens que eles se jogariam na direção dos disparos dos canhões.
HAHA, nossa, o Pedro era bom mesmo, nunca tirando meu foco do prédio, vi que ele continuava inteirinho e sem problema graças ao poder da fada macho, ele não deixou nada atingir aquele prédio, mais e mais androides foram e eu olhei o prédio um bom tempo.
Ouvi algo se movendo atrás de mim e engoli um riso, era a Saytus verdadeira, escondida no meio dos corpos das falsas, me preparando de forma escondida, senti ela correndo até mim e jogando todo seu poder numa espada curta com cabos mecânicos e uma lâmina feita de raios, uuuuuuuuh então era velocidade e raios dessa vez.
Parei de fingir não a ver, usando meu cajado, modifiquei minha armadura para ser aerodinâmica e parei o corte dela, ou melhor, eu bloqueei a lâmina dela de uma forma estranha onde ela perdeu força e teve o golpe redirecionado, mas nem isso a parou, ela continuou batendo em mim, usando meu próprio pareamento para aumentar a própria força, coitadinha, pois ela estava ficando mais rápida que eu, mas bem mais previsível, em 30 golpes, achei uma abertura e lancei um chute na barriga dela que não só a parou, como a fez vomitar sangue.
Saytus se machucou, mas não largou a varinha, e com a outra mão, tentou me acertar com uma faca de luz, não tinha como parear aquilo, então eu só soquei o punho segurando a adaga pra longe, mas como eu errei o tempo, minha armadura foi cortada num ponto onde Saytus tentou aproveitar.
Várias facas de raios e espadas de luz tentaram me acertar, mas apertando meu punho, ativei um feitiço que criou uma vibração magica tão forte que qualquer coisa não segurada pela própria Saytus caia no chão, mas então ela largou as facas e começou a me dar socos na cara enquanto colocava tanto poder apenas naquelas duas facas que minhas vibraçoes não conseguiam a desestabilizar.
Mas toda minha armadura era um aparador, a cada troca de soco, pareei os punhos e as facas.
Depois de um tempo, vi que meus braceletes estavam desgastados, e antes do plano da Saytus se completar, recuei pra trás com minhas botas foguetes, mas ela não me perseguiu ela pegou as facas de novo, as uniu em uma faca e concentrou o poder, e no meio e tudo aquilo, eu apenas toquei os calcanhares das minhas botas e jatos de fogo super poderosos varreram o chão a ponto da terra se tornar lava.
Saytus tentou escapar, mas era tarde, ela foi pega pela lava de raspão, e a dor de te seu pé queimado apenas não superou o soco foguete jogado na cara dela, que quase a jogou no chão, mas a fada sorriu e terminou o movimento de sua lâmina, cortando horizontalmente com a lâmina, e destruindo toda a minha armadura, com exceção das botas, deixando ainda um corte vertical bem fundo em meu corpo, mas não parei o movimento, eu disparei outro punho foguete nela, e mesmo com minha armadura destruída, Saytus foi jogada na lava primeiro, e bem quando ela iria ser tostada viva, um apito de finalização foi ecoado, hehe, eu consegui.
Professor: podem parar agora, os 5 minutos passaram.
Tudo aquilo durou só por 5 minutos? Cara, guerras de magos deveriam ser sinistras.
Olhei ao redor pra ver onde meu colega estava, e depois vi ele não muito longe dali, com o parceiro de Saytus em duas mãos machucado e coberto de sangue, e com os outros dois braços cobertos de sangue, sabia que ele tinha dado um bom jeito no seu inimigo.
Dei um toquinho de bom trabalho pra ele e deixei ele se recuperar um pouco.
Primeiro fui para a enfermaria e o resto dos alunos continuou o teste, depois de todos os testes serem completados, recebi minha avaliação junto com os outros, com algumas ataduras, e pelo que parece, fiquei muito vulnerável propositalmente no meio e que eu deveria deixar uma armadura pronta para momentos parecidos com o que aconteceu no fim do combate, no fim, recebi um 7 e meio, e com isso não pude aguentar sem dizer.
Antonio: bom, mas não o suficiente
Saytus: sério, existe algo bom o bastante pra você Antônio?
Antonio: claro que não, se existisse alguma nota acima de 10, eu correria pra sempre alcançar ela
Saytus: guarda isso pra aula de golens
Antônio: é…claro.
A aula de golens, ouvir aquilo me deixou tão animado que quase perdi a compostura, mas eu me controlei e andei até a sala.
A turma estava tão confusa quando achei que estaria, mas agora a aula estava bem calma, o professor levou um grande tempo só pra ensinar um feitiço básico sobre como montar os golens e como fazer uma montaria manual, dois feitiços que eu já havia encontrado a fórmula complexa.
Muitos alunos tentaram a copiar a formula, já eu, só bati meu cajado na mesa, e sem ressoar nenhum feitiço, fiz cada pedaço dos golens voarem, se alinharem e criarem um golem montado de forma perfeita em um intervalo de 10 segundos.
Eu tinha passado por tanto stress por causa daquilo que quando eu consegui fiquei sem acreditar por alguns segundos, mas o golem quase se movendo sozinho já era forma de dizer que eu tinha sim conseguido, sim, eu consegui.
Antônio: eu consegui?...eu consegui, eu consegui! EU CONSEGUIIIIIIII!
Rindo, fiquei feliz, sim, sim, não existia nada que eu não conseguia entender, eu podia entender tudo, ia ficar tudo bem, mas minha empolgação foi tanta que eu joguei um grande feitiço no golem e fiz ele se montar de forma tão perfeita que ele saiu andando sozinho.
Eu tava eufórico, eu tava tão feliz que minha magia começou a energizar muito o golem, energizar a ponto do golem começar a se mover sem um núcleo, nossa, aquilo era o máximo, fiz o carinha correr, pular, e até disparar mísseis (nem questionei por que um golem básico ensinado pra alunos tinha mísseis) e todos ficaram impressionados, bateram palmas e até riram no meio da confusão, e o professor parecia sequer chocado com o que eu fiz, mas aquela alegria não durou muito.
Vi o professor andando antes do meu poder junto com meu corpo enfraquecer cada vez mais, e em menos de 20 segundos, minha magia se esgotou e eu fiquei tão fraco que eu sentei na cadeira esbarrei minha cara na mesa e fiquei com muita fome, mas não era uma fome normal, meu corpo estava pedindo por nutrientes, e como se tivesse previsto isso, o professor de golens já estava do lado da minha cadeira, segurando uma banana, usei tudo que restou da minha força pra segurar a banana e a comer devagar, meu corpo gritou de alegria e euforia enquanto eu mastigava a banana bem devagar, havia uma estase imensa em meu corpo que nem eu conseguia acreditar, apesar da dor de fraqueza, eu tava muito orgulhoso do que eu fiz, e mesmo atrás do olhar estranho que eu não sabia decifrar, sabia que o professor também.
Professor: bom, como o senhor Antônio acabou de mostrar, alimentar um Golem com magia direta, em 99,99999999% dos casos leva a exaustão completa dos magos, por isso os equipamos com uma “bateria” para nos auxiliarem, mais conhecidas como as jóias de alma, jóias cobertas de sentimentos que além de potencializar o golem, lhes dá uma personalidade que golens instantâneos do primeiro ano não podem suportar, no final desse semestre, cada um de vocês irá aprender a ao menos criar uma jóia de alma básica, e encontrar nas cavernas uma jóia de alma básica, além de suas propriedades, e o que faz essas jóias, no meio de tantos minerais, serem tão úteis comparados a jóias mais comuns
Antônio: poderia nos dar uma prévia professor?
Professor: simples, a jóia da alma normalmente possui as emoções abandonadas de seres inteligentes, emoções que continuaram no mundo depois de seu mestre partir, mais precisamente, memórias reprimidas que nunca viram a luz do dia, mas essas são as mais comuns, as jóias de alma mais forte são normalmente sentimentos cultivados por uma sociedade com tanto carinho que elas se densificaram no ar até se tornarem uma rocha no meio das nuvens, essas jóias estão num ponto mais profundo das nuvens por tão leves que são, ao mesmo tempo elas possuem uma grande força e personalidade
Antônio: hehe, não foi isso que eu pedi, eu perguntei se você poderia nos mostrar como é um golem montado real.
O professor então me olhou de volta, com um tom desafiador, mas eu vi que ele ficou empolgado com esse “desafio” e sorrindo de forma debochada, ele arremessou algo pra cima, sim, era uma coluna de golens, com a simples diferença que aquela coluna tinha uma jóia na ponta, e com um feitiço complexo como o meu, ele fez os pedaços do golem voarem e se conectarem em segundos com a coluna criando uma máquina de combate perfeita, que conseguia voar com botas foguetes, disparar bolas de pó, soltar jatos de água e fazer pequenos ciclones, todos os alunos estavam impressionado e satisfeito com a reação deles, o professor começou a explicar.
Professor: então, como podem ver, esse Golem de alto nível possui várias funções, mas para um mestre da construção como eu ele é apenas um especialista em limpeza.
Enquanto o golem continuava demonstrando seu poder, eu via a água, e outros produtos de limpeza, também revelando um poder que poderia dar uma surra em mim em segundos, e ele usava algo assim pra limpeza, eu fiquei tão incrédulo que usei minha energia recém recuperada para gritar.
Antonio: VOCÊ USA ALGO COMO ISSO PRA LIMPEZA!? Inacreditável!
Professor: é claro que uso, bom, quando terminar seu curso, provavelmente você vai criar coisas mais incríveis que isso, isso eu tenho certeza.
Acreditei no que o professor falou, e se por acaso isso não acontecesse, eu iria lutar e me esforçar para fazer aquilo verdade, hehe, eu faria coisas que deixariam aquele impressionante robô de limpeza em seu lugar.
Naqueles devaneios de minhas futuras grandezas, só conseguia pensar que para aquela aula…eu consegui, sim, ainda não estava pronto, mas…eu era um constructo, ainda incompleto, mas de corpo e alma, eu era um total constructo, e eu era um cara teimoso…sim, eu era teimoso pois mesmo tentando, eu não conseguia aceitar que tinha algo que eu não conseguia compreender…hehehe, amava que tinha ficado tão bom naquilo, que tipo de face nova minha descobriria sobre mim amanhã?
Será que eu seria um filho bom como eu dizia de pés juntos que eu era? Eu esperava que sim
E logo, eu iria descobrir se eu era um bom amigo ou não.

