logo do projeto lunar

Capa
Não é uma Maldição 1🌻
Só um pouco mais
2952 palavras • 17061 caracteres • ⏱ 11 min 48 s

Só um pouco mais

0
0
0

Hoje ia ser minha primeira aula do segundo ano, e as coisas estavam bem interessantes, pelo que parecia, aquele corredor interditado foi onde um bandido foi encurralado pelos professores, nossa, fiquei um pouco triste que não pude ver aquilo, ao mesmo tempo aliviado que eu não vi um monstro capaz de passar pelas defesas absurdas da escola. 


Ainda estava na dúvida se todas aquelas defesas eram para os alunos ou para o que quer que estivesse dentro da escola, mas aquilo não importava, sabendo que os professores deram tempo de criar uma barreira e por dois golens apenas para manter alunos como eu longe da confusão me fazia entender que aquilo era “coisa de adulto” e não era nada meu ainda.


Estando na beirada do barco, olhei o horizonte no meio do grande mar branco, o sol quase sem nuvens para o cobrir banhando o mar, fazendo ele brilhar como se aquela fosse a propria visao do paraiso, completo com o som de pássaros pequeninos, junto de muitas cobras que conseguiam flutuar no ar e muitos, mas muitos peixes que pareciam balões de tão redondos e molinhos que eles pareciam quicando e saindo da água. 


Tudo completo com o peculiar som daquele mar, como se algo bem menos denso que água batesse e criasse mais ondas, mesmo assim, eu respirava fundo e ainda sentia o cheiro do mar em minhas narinas, cara, eu podia ficar daquela forma pra sempre.


Hehe, ainda bem que a Dandara não viu aquela parte do território, senão ela poderia ter um infarto pela beleza do lugar.


Enquanto apreciava a bela paisagem, ouvi num papo aleatório de outros alunos que um grupo de alunos passou pelo bloqueio e “salvou” os professores…nossa, eu realmente não queria ser aquelas crianças agora, no pior dos casos elas foram sequelados de várias formas, e no melhor dos casos, eles foram traumatizados, tendo um gosto muito cedo do que é lutar com um “adulto” sendo uma criança ainda. 


Eu queria falar aquilo, eu queria falar que aquele aluno provavelmente não “salvou” mas sim atrapalhou os professores e ele podia ter sido expulso por isso e que ele deveria ter deixado as coisas pros adultos e…apenas tentar se melhorar pra conseguir proteger a si próprio e as pessoas que ele ama no futuro, mas eu não falei nada disso, por que nenhuma daquelas pessoas estava falando comigo, todas elas estavam tendo conversas paralelas e eu apenas escutava melhor para conseguir entender o que elas falam, observar e ouvir sem nunca falar ate alguém falar comigo, assim cresci e talvez assim morreria, hummmmmm.


Depois de navegarmos por mais algum tempo, chegamos em um lugar cheio de grandes nuvens escuras que pareciam cheias de trovões, com pequenos buracos que as faziam parecer uma grande cadeia de cavernas acima de nós.


O professor se colocou na beira do barco e iniciou a flutuação, a forma que ele se inclinou e voou sem esforço nenhum aos céus deixou os alunos impressionados, enquanto eu só sorri e pensei “não esperava menos de um professor” e olhando pra turma com um rosto tranquilo e cheio de alegria, ele falou.


Professor: ok, apenas fiquem calmos e se lembrem das aulas do primeiro ano e tentem voar.


Devagar, cada aluno começou a ir à beira do navio onde o professor estava e cada um começou a tentar flutuar, e a maioria daqueles com dificuldades eram aqueles que lutavam com a magia, como pássaros comuns.


Demorei um pouco pra ir, mas quando fui, relembrei as fórmulas para conseguir voar, junto de alguns atalhos que eu encontrei em pesquisas separadas. Respirando fundo, tentei esvaziar minha mente, eu não era um pássaro, não, eu estava mais pra um pinguim, porque flutuar não era voar, flutuar era nadar no ar, e ninguém fazia isso melhor que os pinguins, um dia eu queria poder encontrar um. 


E com uma grande alegria, comecei a “nadar no ar” igual os pinguins faziam na água, eu não lutei contra a magia ao meu redor, eu a manipulei, ao mesmo tempo que a deixei me manipular, um jogo de poder, que me permitiu fazer cambalhotas no ar, fazer arrancadas como se eu estivesse caindo, mas não apenas pra baixo e várias acrobacias que muitos dos alunos com dificuldades adoraram. 


Eu ri bastante naquela hora, ri mais ainda vendo que muitos alunos me acompanharam, e na verdade, vários alunos até haviam pegado o jeito primeiro que eu. Então depois de um tempo, agente se aproximou e começou a ajudar os alunos com dificuldades, depois da flutuação de todos estar pelo menos “decente”, o professor nos guiou para as cavernas de nuvens.


Senti o peso do poder daquelas nuvens me jogando pra baixo junto da eletricidade contida em cada nelas, mas o poder do professor nos manteve seguros até chegarmos no que parecia ser a entrada de uma mina antiga. 


Eu fiquei tão empolgado para chegar nessa parte das aulas, e muitos alunos, que pareciam nem saber que essa aula existia, estavam tão animados quanto eu, mas antes de entrarmos, o professor falou conosco.


Professor: então, hoje vocês irão aprender como minerar jóias de alma de qualidade para criarem golens conscientes, eu e meus assistentes iremos observá-los, mas sugiro que não se afastem muito da turma, mesmo os monstros daqui não sendo muito perigosos, é bom sempre tomar cuidado para não se machucarem.


Depois de falar aquilo, o professor deixou a gente entrar na caverna das nuvens, quando toquei meus pés no chão, eles começaram a doer, não por que o chão machucava, mas porque o solo era macio como algodão, e resistente como a areia de uma praia, uma consistência tão estranha que minha maldição fez meu corpo sentir dor, mas não comecei a flutuar, aquilo ia passar, ia passar…IA PASSARRRRRRRRRR…eeeeeeeeee, passou.


O interior da caverna era totalmente preto e os minérios brilhavam como pequenas estrelas, mas apesar do que o professor falou, não me interessei por aqueles minérios, fui um pouco mais fundo na caverna até um ponto onde apenas flutuando poderia ir pra cima. 


Quando comecei a flutuar, senti novamente a caverna me dando choquezinhos e me empurrando pra baixo, mas consegui resistir e cheguei na parte de cima da caverna, e lá me dei de cara com uma criatura comendo as joias de alma, era um…fantasma da fome.


O fantasma era feito de um material que lembrava um óleo bem claro, coberto de bocas, a maioria carregando feitiços de outras jóias, enquanto a boca que parecia a principal se alimentava e criava outras bocas. Na hora invoquei golens de ventos, enquanto preparava um golem de água, depois de testar e ver que qualquer coisa de pedra afundava naquela caverna.


Me aproximei devagar da criatura, e quando ela me viu, ela gritou com tudo e jogou milhares de bolas de fogo em mim, mas nenhuma delas conseguiu ir muito além dos meus golens, pois o vento mágico dos golens não tinha oxigênio, o que fez as bolas de fogo se apagarem por completo, e antes do monstro conseguir fazer muita coisa, ele foi cortado em 4 cantos, tendo sua cabeça, braços e pernas separados.


A criatura estava tentando se recuperar, mas enquanto ela estava no ar, criei um canhão pequeno de ventos e disparei uma única bala bem na boca principal do monstro, destruindo a boca e matando o monstro com um único golpe, com o resto da boca principal, o corpo inteiro do monstro se desfez por completo.


Graças a deus, os registros daquele monstro estavam certos, assim como os registros que ele se desfazia quando morria, cara, matar monstros era tão, simples, será que matar pessoas era simples assim também? ou precisaria de mais algum tempo ou preparo? provavelmente sim.


Tentando me distrair do que acabei de pensar, comecei a andar onde senti aquela grande energia mágica, e lá, encontrei uma jóia bem interessante, ela era bem bonita, mas não era apenas isso, eu sentia o poder imenso dentro dela, poder de água, água quente.


Me foquei bastante no cristal e criei um feitiço de serra mágica na minha varinha, e cortei a jóia nos lados certos com bastante cuidado para não danificá-la, o trabalho teria sido simples, se os alunos dos andares mais baixos não explodissem as jóias deles por cortarem errado a cada 15 segundos, mas depois de muito esforço, consegui minha jóia. 


Segurando a joia com a mão, vi sua forma prismática junto de seu brilho incandescente de uma grande lâmpada azul com seu poder de agua quente ainda mais forte, enchendo minha cabeça de ideias sobre “o que eu faria com isso?” era além de robôs, eram sistemas de defesa, sistemas de criação, e até projetos de detecção, mesmo até um pouco de coisas simples como golens sem corpos, hehe, me senti feliz demais.


Balançando minha cabeça satisfeito, fui a caminho de encontrar o professor, só pra ver uma gangue de fantasmas dea fome me esperando, e novamente criei vários canhões, mas antes de dispará-los, bem atrás dos monstros, Saytus apareceu, com lâminas feitas de raios puros e despedaçou eles em instantes, não me aguentei e comecei a rir bastante.


Antônio: aí, eu tava com tudo sobre controle


Saytus: acredito em você


Antônio: (suspiro) já conseguiu o seu?


Saytus: oh se já, tenho certeza que vou ganhar um 10.


Saytus falou aquilo enquanto balançava o próprio cristal em um dos braços, com um poder incandescente que provocava calor até mesmo onde nós estávamos, havia um forte poder de rochas ali, junto de um poderoso poder de chamas, lava, combinava com ela.


Juntos, descemos até onde o professor estava, já havia alguns alunos que chegaram cedo, alguns assistentes do professor ajudaram alguns alunos e outros estavam demorando para fazer as coisas da forma certa, e nós apenas íamos ao professor para mostrar nossas joias. Ele olhou as joias, tendo que espremer seus olhos um pouco e depois falou.


Professor: para uma caverna fácil, as jóias estão muito boas, vocês dois passaram na aula de hoje, estão dispensados.


E assim, eu e Saytus tivemos um tempo livre antes da próxima aula começar, e depois de perder no pedra papel tesoura, paguei um grande conjunto de doces, havia tudo ali, sorvetes, chocolates e balas, no estilo, amargo, doce, azedo, salgado e umami. 


Eu tinha quase certeza que ela inventou essa última, mas não, ele existia, e cara, eu vivi minha vida inteira naquele território e nao sabia que metade daqueles doces existiam, e ironicamente, ver Saytus fazer caras cada vez mais doidas com cada doce diferente e doido que ela comia enquanto eu me agarrava nos tradicionais era engraçado pra caramba, ela fez muitas caras até ver que eu sempre comia as mesmas coisas.


Saytus: você não vai comer mais nada?


Antonio: eu como depois.


A Saytus me olhou de forma estranha, mas nem liguei de comer os mesmos doces, e depois de dar os doces mais “tradicionais” pra ela, tentei comer um doce absurdamente novo, e como eu esperava, quando provei algo novo, senti como se raios e eletricidade tivessem ativado cada resquício da minha língua, eu estava comendo algo doce, mas o sabor tão novo afetava tanto minha língua que parecia que eu estava tomando o doce mais amargo do mundo, e na hora a Saytus entendeu por que eu não gostava de provar doces novos. 


O pior era que, depois de eu comer o doce, eu comi mais um e gostei bastante.


Antonio: é bom.


Eu não tava mentindo, mas agora a Saytus estava preocupada com isso, ah não, não me olha desse jeito.


Saytus: isso acontece toda vez?


Antonio: só quando eu como algo muito novo, cortesia dos super sentidos.


A Saytus queria falar algo, mas era óbvio que ela não conseguia pensar em nada, até que ela entendeu que era melhor mudar de assunto e só falou.


Saytus: eeeeeei Antonio, você percebeu que…nossas varinhas cresceram?


Uuuuuuuuuh, boa, nossas varinhas estavam mudando, como uma prova do nosso progresso como magos, pessoas e futuros defensores desse reino, nossas varinhas que precisavam só de 3 dedos para serem seguradas no primeiro ano, se transformaram em bastões médios de forma sublime, eu mesmo só percebi o quanto ele cresceu quando vi que ele tava mais pesado que o normal.


Antônio: eu realmente queria saber por que eles fazem isso, mas nenhum livro me diz o por quê?


Saytus: a vai Antônio, não me diz que você não tá feliz com isso


Antônio: é claro que eu tô…eu tô ancioso pra chegar a hora em que o bastão vai virar um cajado, imagina eu balançando meu grande cajado com golens descendo aos céus como chuva


Saytus: agora você entende por que eu vim até aqui.


Eu ri com aquela garota, enquanto a segunda aula começava. 


A próxima aula era sobre montagens de golens de peças, achei que tudo seria tranquilo, mas quando entrei na sala, vi uma montagem de metais que eu não tava acostumado, fiz o possível para montá-las, mas mesmo com os números em cada pedaço, fiquei muito, muito tempo apenas mexendo e tentando as entender, alguns alunos entenderam a tempo, ou pelo menos isso que parecia, eu olhava pros lados e via todos bem, todos estavam tranquilos, todos estavam felizes, menos eu, que estava ficando tão desesperado que só parei de mecher nele. 


A coluna, que era a parte principal do golem, ficou vazia, enquanto os outros alunos ainda tentaram. Então, um dos alunos apareceu do meu lado e falou.


Aluno1: ei, o que você tá fazendo? Você tem que pôr um pouco de magia pra conectar os pedaços


Antônio: obrigado pela dica.


Tentei fazer o que o aluno falou, mas ainda tive muitos problemas, meu golem ficou muito ruim naquela aula, mas o professor não parecia surpreso que nenhum dos golens estivesse decente.


Professor: bom, isso é normal, nem o maior gênio consegue montar um golem de montagem no primeiro dia, mas eu lhes garanto alunos, a diferença de um golem normal e um golem montado é entre um adulto e uma criança.


Um dos alunos levantou a mão e falou.


Aluno1: então por que não é de uso padrão?


Professor: mas é, todos os golens de elite são golens montados, crianças como vocês não conseguem criar suas peças ainda, isso é algo bem mais para o terceiro ano, por enquanto, só tentem montar esses golems, ok?


Eu…não consegui ouvir o professor, eu estava muito nervoso, ironicamente, não conseguia entender nada, mas o mundo estava tão lento pra mim que parecia que eu fiquei meses naquela aula. Eu estava muito nervoso, minha pele estava quente, e eu tava suando pra caramba, mano, será que eu tava fedendo? Droga, droga, droga, droga...eu...precisava...me acalmar. Respirando fundo, eu respirei, respirei e respirei…e a Saytus falou comigo novamente.


Saytus: annnnn, Antônio, você tá bem?


Antônio: não, mas não se preocupe, logo logo eu vou melhorar.


Nossa, a Saytus falou alguma coisa, mas nem ouvi, tudo que eu entendia e ouvia era o professor, quase como se estivesse possuído por meus próprios sentimentos.


Quando a aula acabou, fui até o professor antes dele conseguir sair depois do fim das aulas, minha voz saiu mais desesperada do que eu queria, mas estava tudo bem, naquela hora eu nem ligava.


Antônio: professor, posso ficar com um de seus golens de montagem!?


Professor: bom, eu posso te vender um por desconto, por que eles são bem…


Antônio: quanto é!?


Professor: 30 moedas, mas você não…


Entreguei 30 moedas pra ele logo de cara, o professor novamente não ficou surpreso, só me entregou os golens sem falar nada.


Professor: mas já vou avisando, o golem não vai funcionar com o que você aprendeu até agora


Antônio: agradeço a preocupação professor, mas não se preocupe.


Depois de falar aquilo, fui a última aula do dia, a aula de alquimia, hoje nós tentaremos criar o início de uma jóia da alma, quase idêntica àquela que coletamos no início do dia, mas aquela aula foi bem calminha, tive muito cuidado, tanto pra não acabar colocando algo errado no caldeirão, ou pra não ter meu caldeirão sabotado, depois que eu li sobre isso num livro eu fiquei muito paranóico, e considerando que alguns alunos espertos tinham seus caldeirões explodidos de vez em quando, minha paranóia era válida.


Terminei meu caldeirão sem problemas, mas ele estava longe de ser o produto pronto logo de cara.


O professor falou algo pra mim, mas não ouvi, quando a aula acabou, fui direto para a biblioteca e comecei a estudar. Olhei em todos os livros que consegui, tirei o golem de montaria do bolso e comecei a anotar, meu stress estava muito alto, mas apesar dos gritos que eu dava e dos ataques que fazia, eu não parei até ficar bom, aí, aí, AAAAAAAI. 


eu tive que ir no banheiro muitas vezes pra jogar minha magia pra todos os lados sem machucar ninguém, depois de muito grito, e depois de bater em tudo pra caramba, voltei a biblioteca e repeti o processo, arranhei meu próprio braço, bati na minha própria cara e até lancei feitiços pequenos nas minhas costas, sim, a dor era boa, a dor me fazia me distrair mesmo que um pouco do stress absurdo que eu tava passando, eu não podia parar, eu não podia parar, eu não QUERIA PARAR…depois da tempestade de sentimentos terminar, cai da cadeira, cansado demais…mas feliz, eu consegui, só precisei chorar, suar e sangrar um pouquinho, mas olhando pra frente, vi o golem montado de forma perfeita, feliz e ansioso para mostrar isso pro professor.


Mas minha felicidade não durou muito quando olhei para a janela e vi como estava escuro lá fora, ah não, já estava de noite, e hoje era sábado, eu não ia…não, eu tinha que conseguir, pela Dandara


Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.