Era um dia bem tranquilo, e graças a isso, eu consegui entrar na biblioteca da escola sem muitos problemas, respirei bem fundo ali, o cheiro de madeira, papel velho e tinta fresca fazia uma mistura estranha, mas que conseguia me acalmar mais que qualquer outra coisa.
Diferente de outras histórias, que eu poderia ler pra relaxar, fui atrás de uma para me deixar focado e distraído por um bom tempo, mais especificamente a história do primeiro contato com os Gigantes, o livro era mais novo e mais bem cuidado do que o da história do Alaric, mas ele ainda tinha poeira o bastante para eu soprar coisas dele também. Depois de abrir, comecei a ler.
A morte de Alaric deixou muitos sapiens bem tristes e até um pouco ansiosos, não pensando que conseguiram ir tão longe sem ele, mas os filhos e discípulos dele lutaram bastante para deixar o legado de seu pai e mestre vivo, e por 30 anos após a morte de Alaric, eles conseguiram, e quase como um presente dos céus, nuvens que sempre ficaram imóveis e nunca fizeram qualquer movimento em toda a sua vida, se abriram e deram chão para a raça de gigantes descer e fazer o primeiro contato com os Sapiens,
Quando chegaram à terra flutuando como eles fizeram, os gigantes antes de falarem qualquer coisa, revelaram um grande caminho que carregava todos os amaldiçoados que foram caçados a muito tempo atrás, muitos deles eram vovôs que já tinham netos, mas existiam muitas mães e pais que sobreviveram todo aquele tempo, apenas acreditando que seus filhos estavam vivos, quase todos os velhinhos morreram ao se reencontrarem por estarem apenas felizes depois de verem que toda a resistência que tiveram até aquele ponto, valeu a pena no final.
Os gigantes explicaram que eles existiam bem antes dos Sapiens, mas depois de verem os Sapiens se desenvolvendo, eles decidiram fugir para os céus, dispostos a deixar os Sapiens se destruírem antes de se meterem nas confusões deles, mas quando a magia chegou até eles, os Gigantes ficaram bem mais atentos com o que os Sapiens faziam, pois segundo eles “a magia aparece apenas no ápice da transformação de uma raça, ela pode unir, ou separar povos, criar seres inteligentes ou máquinas de guerra”.
Aquelas palavras deixaram muitos Sapiens muito assustados, pensando no quão perto eles estavam em ser máquinas de guerra sem emoções, mas o gigante que parecia o líder deixou as coisas mais tranquilas, falando “não se preocupem com isso, vocês acharam o caminho certo e estamos aqui para ajudá-los a evoluir, se quiserem”
No fim, o Rei Sapien da época (que era um filho-arcano graças à “educação” de Alaric) decidiu fazer uma aliança com o reino dos gigantes, e o Abade (o título do Rei dos gigantes), decidiu fazer a aliança, e como prova da gratidão, os dois reis decidiram fazer uma grande escada através da magia dos dois, que criou a grande escada transparente que até hoje era usada, e brilhava como se fosse nova em folha.
As duas raças estavam bem céticas sobre como elas iriam lidar uma com as outra, os gigantes fizeram sua parte e exploraram outros reinos além do reino sapien que eles se aliaram, ficando bem contentes que, a influência do meu reino chegou aos vizinhos, pelo menos a maioria deles.
Muitos gigantes ficaram bem interessados nas bestas daquele mundo, junto da terra, as plantas, o nosso mundo era incrível para eles de forma que os Sapiens não entendiam, tudo que eles entendiam era o fascínio que os gigantes “mais novos” tinham de entender tudo, enquanto os mais velhos só deixavam eles brincarem e aprenderem como se eles fossem crianças.
Da mesma forma, o mundo dos Gigantes era lindo para os Sapiens, com eles conseguindo ir ao reino deles e descobrindo que todos aqueles gigantes faziam apenas parte de uma grande ilha feita de algo que parecia uma terra feita de nuvens, mas nada impressionou os sapiens mais que o grande mar branco, um mar mágico feito de nuvens modificadas que tinham a consistência de água.
Muitos filo-arcanos quebraram muito a cabeça tentando descobrir tudo sobre o reino dos gigantes, as feras, a gravidade diminuída, a falta de oxigênio, a concentração absurdamente maior de radiação mágica naquele território, eles estavam embebidos nas próprias dúvidas.
As duas raças deram um bom tempo para descobrirem os “segredos” uma das outras, e enquanto os adultos conversavam, as crianças brincavam de forma inocente e os adolescentes apenas discutiam sobre os problemas da cabeça que eles tinham.
É claro, muitas pragas que sobreviveram à “educaçao” de Alaric, tentaram quebrar a aliança, por simples preconceito e por quererem dominar a terra do outro, mas os dois lados eram inteligentes a ponto que nenhum deles conseguiu fazer muita coisa sem ser pego no meio do caminho.
E depois de explorarem tudo que tinham nos reinos dos dois, os Sapiens começaram a se aventurar pelo mar branco e os gigantes se aventuraram na terra e no mar azul da superfície, mas foi nesse momento que as coisas se complicaram, os Sapiens descobriram da pior forma que o mar branco estava cheio de piratas, e muitos piratas tinham ataques tão fortes que alguns navios sapiens caiam dos céus.
E os Gigantes não estavam muito melhores, pois além dos bandidos, exisitam doenças que eles não tinham resistência, uma diferença de peso que os enfraqueceu mais do que eles queriam admitir, e um ambiente com uma magia tão fraca e com uma atmosfera com uma composição tão nova que mesmo com todos os estudos deles, muitos gigantes acabaram morrendo por não aguentarem o novo ambiente.
Levou um bom tempo para as coisas melhorarem, principalmente com a ajuda de Mahara, uma exploradora Sapien que se destacou entre os outros, e virou a referência para “como se defender de ataques de piratas”, contribuindo até para muitas outras terras habitadas serem achadas e outros caminhos de escadas de luz serem feitos. Algumas ilhas eram tão perigosas quanto os piratas, foi difícil, mas os antigos Sapiens conseguiram acompanhar muitos gigantes que estavam tão curiosos para descobrir sobre o mundo novo quanto os de outras ilhas.
Enquanto para o lado dos gigantes, Arjun, um gigante fascinado pelos corpos humanos, criou uma grande rede de poções e de químicos que ajudaram a criar várias formas de cura, na verdade, pela grande quantidade de gigantes que Arjun conhecia por serem Singulares também, ele foi um dos primeiros a fazer poções duradouras para pessoas como eu.
Interessante que uma exploradora e um aspirante a poções podia fazer tantas coisas, muitas pessoas só tinham agradecimentos a Arjun, mas a maioria de plantas que Arjun usou pra fazer as poções finais foram plantas encontradas nas ilhas descobertas por Mahara, então eles eram basicamente simbióticos, ou seria melhor dizer “ligados?” não, ligados parece melhor.
Sorri vendo aquelas duas pessoas tão diferentes, vendo como nos registros era dito que Mahara e Arjun se casaram, sendo um dos primeiros casais inter raciais de pessoas “grandes” na sociedade, nossa, deve ter sido algo incrível na época, hehe, depois de ler um pouco mais, dei o livro a bibliotecária e sai de lá.
Eu ia usar o caminho que eu sempre fazia, mas bem na hora, um bloqueio de rua, junto de um Golem de combate estavam guardando a entrada.
Golem: lamento aluno, mas essa passagem está bloqueada, quer que eu te instrua outro caminho?
Antônio: ah, não, não precisa.
Eu conhecia todas as áreas permitidas daquela escola de cabo a rabo, então aquilo não era problema pra mim, mas eu estava tentado a ir por um ponto um pouco mais distante daquela entrada.
Ver um golem de batalha na escola já era raro, mas um golem que falava tão bem, isso era tão incomum que só poderia significar uma coisa, algo grande estava acontecendo naquele corredor, e eu sabia que era melhor não ficar muito perto em ocasiões assim.

