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*Hannah
Depois de tudo que passei, eu pensava que finalmente ia ter um pouco de paz, que ao chegar em casa ia ter alguma normalidade, quer dizer eu sei que não é assim tão fácil.
Mas estava enganada.
Os pesadelos constantes, não me faziam esquecer de tudo que aconteceu.
E depois de três semanas passadas no hospital, tratamentos, e cheia de remédios isso não me ajudava em nada, acho que só piorou.
Comecei a pensar que estava completamente louca, talvez era minha imaginação, eu via pessoas que não estavam lá, eu via o que ninguém mais via. Nunca contei, a ninguém, aliás eu mal falava, com ninguém da minha família.
Os sonhos estavam cada mais, horríveis mais reais, me deixavam preocupada, me deixavam aterrorizada.
Era tudo completamente estranho, havia falhas, eu mal me lembrava, eu mal entendia o que estava acontecer, os dias eram como uma página em branco.
Mas assim, que cheguei em casa, as coisas pioram mais.
Eu vi, ele ou seja lá quem era, estava lá fora... estava olhando pra mim. Eu não conseguia, ver seu rosto, mas sua figura era alta, e parecia ter uma máscara branca, que só se via seus olhos.
Que me deixavam aterrorizada, seus olhos faziam me tremer, seja lá quem era... sempre desaparecia, mas deixava me uma grande marca na minha pele.
Eu passava meus dias, dormindo e quando não estava, os meus amigos e o Thomas viam me visitar.
Não falamos muito, eu também não conseguia, as dores em minha cabeça e todo meu corpo era insuportável, que mal conseguia respirar.
Eu muitas das vezes, apagava totalmente, até o meu dia desaparecer.
Com toda a certeza, o tratamento não estava a fazer grande diferença, muito menos os comprimidos que eu tomava, me deixavam cada vez mais fraca, as visões, e os pesadelos cada vez mais estranhos e reais.
Eu não sabia mais o que era real ou ilusão, eu não sabia mais nada da minha vida, não poderia mais confiar em ninguém, as únicas pessoas que poderia, era complicado as contactar.
E também não tinha como, eu estava rodeada sempre dos meus pais e da Lily.
E se não fosse isso, estava apagada e dormindo o tempo todo.
Apartir do momento em que eu deixei meio que tomar os comprimidos que os médicos me receitaram, as coisas começaram a ficar mais claras na minha cabeça.
As visões começaram a ficar mais reais, mais assustadoras, será que eu fiz bem, em fazer isso?
Será que devo voltar atrás?
Não vou desistir agora... vou até ao fim.
Não estou gostando nada disso, mas eu tenho que fingir, que está tudo bem, pra todo mundo a minha volta.
Estou farta disso, fingir que estou melhor quando na verdade, eu estou cada vez pior.
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Mas não há como voltar atrás, eu tenho que tentar contactar o Jake, isso não pode ser resolvido assim eu não consigo fazer isso sozinha.
Todo mundo,aqui em casa está distraído vendo um filme na sala.
É a minha oportunidade de começar a agir.
Vou no quarto da Lily, onde está seu computador, é bem complicado no início, eu não mexo num desses já algum tempo.
Não me julgem, eu poderia me abrir e contar tudo pra ela, mas não dá, não é como eu não confiasse nela.
Mas eu não quero mais os preocupar, eu bem sei como a Lily é sensível, e o quanto sofreu com meu desaparecimento.
Ela ia me impedir, de contactar o Jake.
Ia dizer que ele está morto, mas eu não acredito nisso.
Eu sei que é quase impossível de acreditar, que isso seja verdade. Mas eu sinto no meu coração, talvez seja só meu desejo de ele estar vivo, afinal por causa dele que eu ainda estou viva.
Então eu vou fazer de tudo pra o encontrar, se tem quem me pode ajudar é ele, e também a encontrar ela.
Já que estou meio que "presa", nesta cidade de merda, e ninguém me conta exatamente o que aconteceu, depois que me levaram.
Também estou completamente as cegas, do que exatamente aconteceu com o Richy.
Parece que não sou a única que ainda esconde segredos aqui na minha casa, na minha família.
Estou aqui sentada há algum tempo, em frente ao computador, mas aplico tudo que sei, e aprendi.
Enfim, por momento, quase que desisti de procurar, mas ... houve um sinal, eu consegui.
Eu encontrei o Jake. Parece que as habilidades de hacker são de família, sim eu sei que o Jake é meu meio irmão, eu ouvi uma conversa entre a Lily e a Cleo, quando ainda estava no hospital.
Elas pensavam que eu estava completamente adormecida, mas eu estava ouvir tudo.
Até hoje elas não sabem disso, e por enquanto não vão saber o que eu sei.
Eu já tenho a exata localização dele, quer dizer eu acho que sim.
Bem, isso tem tudo pra dar errado, mas o que eu tenho a perder?
Só apenas a minha irmã, subindo ouço seus passos, eu saio do quarto dela em direção ao meu, e por sorte eu consigo chegar e deitar na minha cama como se nada tivesse acontecido.
Ela bate, na minha porta, abre ela, e apenas olha por uns minutos e vai se embora lentamente.
Eu suspiro profundo, e me levanto sem fazer grande barulho.
Pego minha bolsa, juntamente com o papel que acabei por apontar a localização de Jake.
Coloco umas almofadas, na minha cama, para ninguém perceber que eu sai.
E então sem olhar, pra trás eu saio com cuidado pela janela, que por sorte não era muito alta.
E logo, consigo sair de lá sem problema, e rapidamente.
Meu coração quase sai pela boca.
Eu estava completamente perto, mas também me sentia completamente perdida.
Entrei pela floresta, será que eu estava indo do lugar certo?
Um arrepio percorreu completamente o meu corpo.
E agora o que eu faço?
Algo não está certo, eu estou perdida.
Um momento depois, eu vejo uma cabana, meio que esta abandonada será que o Jake está lá?
Eu acelero o meu passo, e preferia não ter feito isso.
Eu abro a porta delicadamente, mas arrependo perfeitamente disso, mas já era tardes demais.
Entro à esquerda e vejo o que duas pessoas altas com máscaras brancas, batendo em alguém, não dá pra ver completamente.
A pessoa está completamente magoada, ensanguentada.
Ele me empurrou com força contra a parede.
Me deu um soco no rosto.
Meu nariz começou a sangrar.
Depois, suas mãos envolveram meu pescoço.
Eu não conseguia respirar.
Pensei que fosse morrer ali.
Será o meu fim?
Mas alguma força, não sei de onde, veio. Acertei um chute bem no meio de suas pernas. Ele caiu, gemendo.
Corri até a pessoa caída. Tentei acordá-la, tirá-la dali.
Mas era tarde demais.
Ela estava morta.
A moça era muito parecida comigo, e parecia bem jovem.
Eu não poderia infelizmente estar ali, eu tinha que fugir.
Então eu corri, o mais rápido possível de lá.
Com meu coração apertado por ela.
Corri , mas corri muito....
Não sei por quanto tempo, corri, mas consegui chegar bem longe daquela cabana.
Eu suspirei de alívio, mas não poderia parar eles estavam atrás de mim.
Eu vi em minha direção uma casa bem abandonada, então eu decidi ir até lá, seria um tiro no escuro, mas não outra solução.
Chegando a porta, eu tento abrir, mas ela não abre. Era arriscado demais, tentar arrombar, pois havia luzes, com toda a certeza estava lá alguém.
E eu não sabia quem era, se poderia confiar.
Então a porta se abre e pela minha supresa, era ele.
Era o Jake ... eu entrei... ele ficou me encarando.
Eu me aproximei mais dele, meus olhos se encheram de lágrimas senti finalmente um alívio, uma esperança.
E ele me abraçou fortemente...
Finalmente eu tinha conseguido.
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Continua...

