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De Volta á Duskwood
Nem Tudo Acabou
1147 palavras • 6433 caracteres • ⏱ 4 min 35 s

Nem Tudo Acabou

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**Semanas antes**


*Hannah


Tudo ainda está marcado na minha memória. Como cortes que não cicatrizam.


Eu estava sendo seguida por algo ou alguém, que eu mesma não via, não claramente, mas a sua figura era alta e arrepiante.

Eu sempre me sentia mal, mesmo dormindo por horas. 


Sempre que tentava falar alguma coisa, parecia que algo me "impedia", minha cabeça doía imenso, suava frio e as tonturas eram irritantes que fazia me desmaiar.

Horas e dias no hospital não ajudaria em nada.


Sempre vinha pior, ou até melhor por um momento.

Mas algo não estava certo, eu apagava por horas e não me lembrava de nada, do que tinha acontecido.

Eu não conseguia reagir, às vezes eu tinha uns sonhos estranhos.


E os sonhos…


Sonhos tão reais que doíam.


Eu não estava na minha casa, mas sim em um lugar escuro, sufocante. Estava amarrada, e meus olhos ardiam. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, e a dor no peito parecia arrancar o ar dos meus pulmões. Tentava gritar, pedir ajuda, mas nada saía. Era como se minha voz tivesse sido roubada de mim.


E aí, no escuro, algo vinha na minha direção.

Lento.

Silencioso.

Cada vez mais perto.


Não conseguia gritar, pedir ajuda, minha voz não saia, não entendia porquê.

E então algo vinha em minha direção, mas eu não me conseguia mexer, como tivesse paralisada.


A figura se aproximava cada vez mais, um frio eu sentia em minha pele.

O medo percorria por todo o meu corpo.

E então eu acordava, chorando e o meu corpo doía como tivesse algo estranhamente de errado, acontecido  comigo.


Uma dor que parecia tão real.


Então eu me levanto apesar de meu corpo não ajudar, eu caio na cama de novo.

Vou ao banheiro, lavo meu rosto, preparo meu banho quente pra conseguir tentar "relaxar".


Como eu realmente consegui isso?


Será que esse dia vai chegar?


Ao tirar minha camisa, reparo que o meu braço esquerdo está ferido, um corte, mas ele estava seco, como eu já tivesse ele há muito tempo, mas eu não lembro. 


Como eu fiz isso? Como isso aconteceu?


Minha cabeça latejava cruelmente, doía como fosse explodir. A dor é insuportável, não saia de mim...

Terminei meu banho, apressadamente eu não conseguia mais estar ali.


Me enrolei na toalha, e fui em direção á minha cama me deitei um pouco, com a intenção de descansar um pouco a minha mente, e meu olhos.

Mas impossível isso acontecer, queria me levantar pra me vestir, estava a sentir frio... Mas...  meus olhos, foram mais fortes, eles fecharam.


Nada.

Um vazio completo.


****


Momentos Depois 


Eu não estava mais em minha casa, no meu quarto eu estava lá, eu estava num lugar, acho que era o mesmo do meu sonho eu estava em um sonho?

Mas porquê esse mesmo sonho?


Eu estava amarrada, mas minha boca dessa vez, estava tapada e eu conseguia me mover, isso está tão estranho, eu conseguia ver o que tinha em volta, estava escuro mas não me parecia que havia casas em volta, havia folhas e árvores, parecia como uma floresta.


Espera eu conheço esse lugar? Parece me tão familiar...


Antes que eu pudesse pensar em mais alguma coisa, a figura de novo apareceu... Estava a minha frente. Seu rosto coberto com uma máscara branca e os seus olhos escuros a única coisa que se vi em seu rosto.


Ela não dizia nada, mas o olhar dela... porra o olhar me fez arrepiar.

Eu senti o frio do metal mesmo antes de entender que era uma agulha.


Então, um tiro.

Seco.

Ensurdecedor.


A figura caiu de joelhos. Sangue escorreu pelo corpo, respingando no chão ao meu lado.

Minha voz finalmente voltou, e eu gritei.

Gritei como se minha garganta fosse rasgar.


De trás das árvores, outra figura surgiu.

Caminhando devagar.

Como numa cena de terror em câmera lenta.


A minha voz finalmente saiu, eu gritei horrorizada, e aterrorizada a figura caída de olhos abertos, então outra figura saindo das árvores, andando lentamente, como tivesse num filme de terror.


Lutei contra as amarras, até que consegui soltar minhas mãos.

Eu estava no chão e a figura estava cada vez, mais perto de mim...

Eu me arrastava mais rápido que eu conseguia, mas parece que eu não ia muito longe eu estava me sentindo cada vez mais zonza, como tivesse a "cair".


Eu não estava bem, eu sabia disso. Eu consegui me levantar, comecei correr o mais rápido possível sem olhar pra trás.

Mas eu sentia, a figura ela estava atrás de mim, perto de mim eu sentia como ela tivesse mesmo ao meu lado...


Eu sinto isso, eu odeio essa sensação, perdida em meus pensamentos, eu corri até sair de lá, que nem me apercebi que estava completamente perdida. 

Eu estava ofegante, e quando dei por mim a minha cabeça começou a latejar e o meu corpo não aguentou e caiu, eu caí no chão, meus olhos se fecharam... de novo!


****


Eu abro meus olhos, completamente ardentes, o lugar onde me encontrava é completamente escuro.

Minha perna está a sangrar, eu tento me mexer mas há algo que me prende e eu não sei o que é realmente. O que está acontecer?


— Nem tente só irá ser pior pra você!


Eu ouvi a voz vinda de longe, mas de tão perto, a voz era distorcida e metálica, como se fosse manipulada.

Eu mesmo sem força e sangrando, eu tento me levantar, mas era o fim, era tarde demais...


Senti algo bater-me bem forte, na minha cabeça, nem tempo tive de ver quem me bateu, a batida foi forte demais, e eu apenas cai fortemente no chão.


****


Não sei quanto tempo passou após isso, horas talvez?

Eu estava no meu quarto, mas como isso é possível? 

Foi isso um sonho?

Não pode ser isso? 


Eu estou ferida, a minha perna, eu estou a sangrar.

Coloco a minha mão atrás da minha cabeça, então olho pra minha mão...

Não posso crer... é mesmo.. Sangue!!

Eu estou a sangrar.


— Meu deus! Isso não pode ser ! Então isso, não foi um sonho, tudo que passei, aconteceu de verdade!


Então eu ouço passos, vindo do corredor e depois batidas na minha porta.


— Querida, venha o jantar está pronto!


— Tudo bem mãe, já vou descer.


Então a minha mãe vai embora, eu ouço seus passos aperçados mas delicados. Me levanto devagar, ainda me sinto meio fraca,meio tonta.

Me levantei devagar. Cada músculo doía.


Tomei outro banho, fiz um curativo torto na perna e consegui desinfetar a cabeça com esforço.

Vesti um fato de treino azul-bebé, coloquei chinelos e um chapéu para esconder o machucado.


Respirei fundo.


Era hora de fingir que nada tinha acontecido.

Que eu não tinha sido sequestrada, amarrada, perseguida, golpeada.

Que a realidade não estava se desfazendo nas minhas mãos.


Mas no fundo…

eu sabia.


Aquilo estava longe de acabar.


****



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