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Além das Estrelas
Capítulo 10: O Alívio e o Peso
971 palavras • 5875 caracteres • ⏱ 3 min 53 s

Capítulo 10: O Alívio e o Peso

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 Lucas:


Saí do escritório com as pernas ainda trêmulas, o som da porta se fechando atrás de mim ecoando como um peso que eu mal conseguia carregar. Alexander caminhava ao meu lado, o terno impecável agora levemente amarrotado, como se ele também sentisse o cansaço da tensão. O corredor do 25º andar era silencioso, o tapete abafando nossos passos, e o brilho das luzes refletia nas paredes de vidro, mostrando a cidade lá embaixo — distante, quase irreal. Meu coração ainda batia forte, mas havia um alívio misturado ao nó no estômago, como se eu tivesse passado por uma prova sem saber as respostas.


Olhei para o riquinho, que me deu um sorriso torto, os olhos castanhos brilhando com algo que parecia orgulho.  

— Conseguiu, Lucas. Meu pai comprou a ideia — disse ele, a voz baixa, quase um sussurro, como se temesse que Vitor pudesse ouvir mesmo dali.  


Balancei a cabeça, ainda processando a oferta da moradia, as chaves que ele prometera entregar. Era tudo tão surreal — um emprego, um lugar pra morar, coisas que eu nunca imaginei alcançar com um spray nas mãos.  


— Não sei se acredito ainda, riquinho — murmurei, passando a mão pelo rosto suado. O tecido da Tom Ford ainda me parecia estranho contra a pele, como se eu estivesse brincando de ser alguém que não era. Caminhamos em direção ao elevador, e eu senti o peso dos olhares imaginários de Vitor e Arthur nas minhas costas, como se eles ainda me avaliassem mesmo estando fora da sala.


No elevador, o silêncio entre nós era confortável, mas carregado. Apoiei-me na parede, tentando desacelerar a respiração, enquanto Alexander mexia no celular, provavelmente coordenando algo com Clara. Olhei pela janela do elevador, vendo a cidade se aproximar à medida que descíamos, e me perguntei o que viria a seguir — o setor de decoração, o relatório, a nova vida. Por ora, só queria respirar, mas sabia que o verdadeiro teste estava apenas começando.


---


 Alexander:


Saí do escritório com o coração ainda acelerado, aliviado por ver Lucas ao meu lado, as pernas trêmulas, mas de pé. Meu pai cedera — um milagre que eu mal acreditava —, e a oferta da moradia selara o acordo. Caminhei pelo corredor, o tapete abafando meus passos, e lancei um olhar rápido para ele, tentando transmitir confiança com um sorriso. *Consegui*, pensei, mas a tensão com Vitor ainda pairava, aquele olhar cortante me lembrando que nada era garantido. No elevador, mexi no celular para disfarçar, mas minha mente girava: proteger Lucas agora significava mais do que um emprego — era sobre mantê-lo perto, longe do caos que eu conhecia tão bem.


Saímos do elevador no térreo, e guiei Lucas até a saída do prédio, onde meu carro estava estacionado bem na frente. Poderia ter ido a pé, mas o calor estava insuportável.  


— Pronto pra conhecer sua nova casa? — perguntei, com um leve sorriso.  


— Tô super ansioso, tudo parece um sonho ainda — respondeu ele, com aqueles olhos castanhos que me desarmavam.  


Abri a porta do passageiro, colocando a mão no topo para ele não bater a cabeça. Depois entrei, afivelei o cinto e olhei para ele.  


— Coloque o cinto, Lucas. São só sete minutos, mas não quero que aconteça nada com você — disse, a voz suave.  


— Não tô conseguindo, riquinho. Esse carro tá com defeito — reclamou, meio brincando.  


Ri, tirei meu cinto e me inclinei para ajudar. Meu corpo ficou tão perto do dele que senti sua respiração, o calor subindo pelo meu peito. Ajustei o cinto com calma, os dedos roçando sua lateral.  


— Pronto. Da próxima vez, aprende. Esse nem é meu carro mais caro — brinquei, voltando ao lugar.  


O caminho foi tranquilo. Lucas olhava pela janela, maravilhado com a paisagem, como uma criança descobrindo o mundo. Chegamos ao prédio reservado para funcionários da Albuquerque. Estacionei na garagem subterrânea, e saímos.  


— Bem-vindo à sua nova vida, Lucas — falei, os olhos brilhando com algo além do orgulho.  


Subimos pelo elevador privativo. No 18º andar, abri a porta e entrei com ele. O AP era simples: sala com cozinha americana, quarto amplo, vista para a cidade. Nada demais, mas infinitamente melhor que o antigo dele.  


— Caralho, riquinho... isso é real? — murmurou, a voz falhando.  


Encostei no batente, observando seu entusiasmo. Meu celular vibrou — era meu pai, dizendo que eu precisava ir ao shopping comprar roupas para Lucas. Fiquei atônito; ele nunca fazia isso por funcionários. Aceitei e desliguei.  


— Lucas, vou ter que sair rapidinho. Volto mais tarde — avisei, me virando para a porta.  


— Alexander — chamou ele.  


Virei-me, e antes que eu percebesse, Lucas me beijou. Um beijo rápido, mas cheio de sentimento. Meu coração disparou tanto que achei que ia infartar.  


Ele se afastou, o rosto vermelho, e bateu a porta na minha cara. Fiquei paralisado, sem reação. Toquei os lábios, a outra mão no peito, e pensei: *Puta merda, eu estou apaixonado.*  


Desci o elevador em silêncio, o eco do beijo queimando nos lábios. O rosto vermelho de Lucas, o olhar assustado e corajoso — tudo rodava na minha cabeça. Encostei a testa na parede fria, tentando acalmar o coração.  


A frase martelava: *Eu estou apaixonado.*  


Não era só desejo, não era só proteção. Era algo maior, mais perigoso. Lucas era o primeiro a me fazer querer ser melhor — não o filho perfeito de Vitor Albuquerque, mas alguém que valesse a pena ao lado dele.  


Cheguei na garagem, entrei no carro e liguei o motor. O shopping podia esperar. Meu pai podia esperar. O mundo inteiro podia esperar. Por um segundo, só quis ficar ali, com o cheiro dele no ar, o gosto dele na boca, a certeza de que, pela primeira vez, eu estava completamente fodido.  


E feliz por isso.

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