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Além das Estrelas
Capítulo 9: O Primeiro Passo
2287 palavras • 13434 caracteres • ⏱ 9 min 09 s

Capítulo 9: O Primeiro Passo

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Alexander:


Acordei com o sol invadindo a janela, o nervosismo já apertando meu peito. Hoje era o dia do teste de Lucas na empresa, e eu mal conseguia ficar parado. Desci para tomar café, o aroma fresco enchendo a cozinha, mas meu pai já estava lá, o terno impecável, os olhos castanhos fixos em um jornal. Troquei um aceno seco com ele, sentindo o peso daquele olhar familiar — desconfiado, como se ele soubesse mais do que revelava. Enquanto comia, tracei mentalmente o plano para apresentar Lucas, imaginando Clara chegando cedo para amaciar o terreno. Peguei o celular e mandei uma mensagem: "Tá pronto? Te encontro lá às 9h. Respira fundo." Fechei os olhos por um instante, torcendo para que tudo corresse bem, mas o silêncio dele me deixava inquieto. Em breve, sairia para encontrar Lucas e enfrentar o que viesse.


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 Lucas:


Abri os olhos com o barulho da rua invadindo o AP, o corpo ainda pesado pela noite mal dormida. Levantei devagar, o braço doendo menos hoje, e olhei para o colchão onde as roupas caras do riquinho estavam dobradas. O tecido da Tom Ford parecia me chamar, mas hesitei, sentindo uma mistura de empolgação e medo. Fui até a pia, lavei o rosto com água gelada para me acordar. O relógio marcava 7h30, e eu tinha tempo, mas a ansiedade já corroía meu estômago. Peguei a camisa com cuidado, sentindo o peso das marcas — Tom Ford, Armani, Prada — como se carregassem uma promessa incerta. Sentei na beira da cama, olhando pela janela o movimento lá fora, e me perguntei se valia a pena arriscar tudo por um sonho que talvez não fosse meu. O celular vibrou com a mensagem de Alexander, e suspirei, sabendo que, em poucas horas, estaria frente a frente com o pai dele.


As horas passaram mais rápido do que imaginei; às 8h, já estava arrumado e pronto para sair. Ia a pé, sem dinheiro para Uber ou ônibus. A empresa de Vitor ficava a cerca de dois quilômetros e meio do meu bairro, uma caminhada que se arrastou com o peso das roupas e a ansiedade me sufocando. Ao chegar, parei diante do prédio imponente, as mãos suando tanto que o tecido da Tom Ford grudava na pele. Meu coração batia tão rápido que temi desmaiar ali mesmo, o tamanho do lugar me reduzindo a um grão de areia.


Na recepção, uma mulher de meia-idade, de aparência gentil, me recebeu com um sorriso caloroso.  

— Bom dia, senhor. Como posso ajudar? — perguntou ela.  


— Bom dia. Me chamo Lucas e tenho um horário marcado com o senhor Vitor Albuquerque às 9h — respondi, tentando soar confiante, embora a voz tremesse um pouco.  


Ela assentiu e verificou algo no computador.  

— Pode subir. O senhor Vitor está esperando no último andar.  


— Obrigado, senhorita. Tenha um ótimo dia — disse, acenando antes de entrar no elevador.  


Dentro dele, a ansiedade só aumentou. Cada andar subido fazia meu coração parecer prestes a explodir, o silêncio amplificando minha respiração. No 25º andar, deparei-me com uma porta de madeira robusta e imensa. Dei um passo à frente, o coração disparado, bati e ouvi um "entre" grave do outro lado. Hesitei, sentindo o peso do que estava em jogo, mas respirei fundo, girei a maçaneta e entrei, pronto para o que viesse.


O ar ficou mais denso ao abrir a porta. O escritório era vasto, com paredes de vidro revelando a cidade lá embaixo, e no centro, Vitor Albuquerque, sentado atrás de uma mesa de madeira escura. Ele era como Alexander descrevera: 1,90m, musculoso, pele impecável, os cabelos sedosos caindo perfeitamente. Mas os olhos castanhos, idênticos aos do filho, me fitaram com uma intensidade que me congelou. Ao lado, Arthur, uma montanha de 1,95m, estava de pé, os olhos cor de mel me observando como se eu fosse uma ameaça. Tentei engolir o nervosismo, mas a garganta estava seca. Vitor se levantou devagar, o terno caro esticando nos ombros largos, e acenou brevemente.


— Então você é o Lucas — disse ele, a voz grave ecoando. — Meu filho falou de você. Sente-se.


Caminhei até a cadeira à frente da mesa, cada passo reverberando no peito. Sentei-me, sentindo o couro sob mim, e tentei manter a postura, mas os dedos tremiam nos braços da cadeira. Olhei para ele, tentando decifrar seu olhar — aprovação ou julgamento? —, e me preparei para responder. Meu coração batia tão forte que jurei que ele podia ouvi-lo.


Antes que Vitor continuasse, a porta se abriu, e Alexander entrou, o terno impecável contrastando com o nervosismo em seus olhos. Ele me deu um sorriso rápido, como um apoio silencioso, e ficou ao lado do pai, as mãos nos bolsos. Vitor virou o rosto para ele, a expressão endurecendo por um instante, antes de voltar a mim.


— Alexander insistiu bastante para trazê-lo aqui — disse Vitor, a voz carregada de um tom indefinível. — Diz que você tem talento. Vamos ver se ele está certo.


Um calor subiu pelo meu pescoço, o peso de suas palavras me pressionando. Olhei para o riquinho, que assentiu levemente, oferecendo coragem, mas o olhar de Vitor me fazia sentir testado desde o início. Arthur permaneceu mudo, os braços cruzados, sua presença como uma sombra no canto do escritório. Tentei me concentrar, mas minha mente girava — o luxo, o cheiro de couro e madeira polida, a tensão entre eles me reduzindo a nada.


Vitor recostou-se, os dedos tamborilando na mesa, e me observou por um longo momento. — Conte-me sobre você, Lucas. O que faz além de pintar? — perguntou, os olhos estreitados, como se esperasse algo que eu talvez não tivesse.


Abri a boca para responder, mas as palavras falharam. Olhei para Alexander, buscando apoio, e ele deu um passo à frente, limpando a garganta.  

— Pai, ele já fez murais incríveis no beco perto da casa da Clara. É um talento bruto, só precisa de uma chance — interveio, a voz firme, mas com um tremor nas mãos.


Vitor ergueu uma sobrancelha, voltando-se para ele com um olhar cortante. — Eu perguntei a ele, Alexander. Deixe-o falar. — O tom foi seco, e o riquinho recuou, mordendo o lábio. Voltei minha atenção a Vitor, o suor escorrendo pelas costas apesar do ar-condicionado. Respirei fundo, buscando minha voz.


— Eu... eu pinto mesmo, senhor Vitor. Murais, grafites, coisas que vejo na rua. Não tive muita chance de estudar ou trabalhar fixo, mas sempre me viro com o que posso — comecei, a voz baixa e engasgada. — Alexander viu meu trabalho e achou que eu podia ajudar aqui. É tudo que sei fazer de verdade. — Sorri um pouco, tentando aliviar a tensão, pensando: *Realmente, o diabo veste Prada.*


Vitor ficou em silêncio, os olhos me dissecando como se vissem cada falha. Arthur se mexeu, o som dos sapatos no chão me fazendo pular por dentro. O pai de Alexander inclinou a cabeça, e por um segundo, temi ser dispensado. Mas ele falou, a voz mais calma, ainda firme:  

— Interessante. Vamos ver se esse talento bruto se traduz em algo útil para minha empresa. Alexander, arranje um espaço para ele no setor de decoração. Quero um relatório sobre o que ele faz até o fim da semana.


Senti alívio imediato, mas também um novo peso. Olhei para o riquinho, que sorriu de leve, os olhos brilhando com orgulho. Vitor se levantou, ajeitando o terno, e gesticulou para que eu me levantasse.  

— Não me decepcione, Lucas. E você, Alexander, cuide para que ele não seja um peso — disse, antes de se virar para a janela, encerrando a conversa.


Antes que eu saísse, ele me chamou novamente:  

— Lucas, uma última coisa. Vi que você mora numa periferia complicada. Não quero funcionários chegando atrasados por causa disso. Ofereço uma moradia em um dos prédios reservados para meus empregados. Alexander entregará as chaves e o auxiliará. Pode sair.


Fiquei sem palavras, sem saber como reagir a tal oferta. Só consegui dizer:  

— Muito obrigado, senhor Albuquerque. Prometo não desapontá-lo.


Ele respondeu com um leve aceno. Saí do escritório com as pernas trêmulas, Alexander ao meu lado, o coração ainda acelerado, mas sentindo, talvez, o primeiro passo para algo novo.


---


Vitor:


Observei a porta se abrir, Lucas entrando com passos incertos, as roupas caras destoando da simplicidade que ele tentava ocultar. Meu filho, Alexander, insistira tanto nesse "talento bruto", e a curiosidade me fisgou. Mas meus olhos desviaram por um instante para Arthur, ao meu lado como uma rocha, os músculos tensos sob o terno escuro, os olhos cor de mel seguindo cada movimento do garoto. Um calor familiar subiu pelo meu peito, aquele desejo que eu sufocava há anos, mas que nunca se apagava perto dele.


— Então você é o Lucas — declarei, a voz firme, mantendo o controle que dominei ao longo do tempo. Levantei-me, sentindo o olhar de Arthur me acompanhar, como sempre fazia, e acenei para o rapaz se sentar. Alexander entrou em seguida, e meu estômago se apertou — ele herdara a teimosia da mãe, mas algo nele ecoava meus dias de liberdade. Ainda assim, meu foco voltou a Lucas e, inevitavelmente, a Arthur, cuja proximidade me oferecia um conforto que eu jamais admitiria.


Enquanto Lucas falava, hesitante, sobre seus grafites, meus olhos cruzaram com os de Arthur por um breve segundo. Vi um brilho ali, uma cumplicidade silenciosa forjada em segredo por anos. Meu dedo tamborilou na mesa, um hábito que me ancorava, e imaginei suas mãos fortes me arrancando daquele escritório, levando-me a um lugar onde as máscaras caíssem. Sacudi a cabeça mentalmente — era perigoso, e eu era mestre em esconder.


Quando Alexander interveio, senti irritação, mas também alívio por desviar o olhar de Arthur. — Eu perguntei a ele, Alexander. Deixe-o falar — cortei, a voz mais dura do que pretendia, talvez para encobrir o caos interno. Lucas respondeu, e ouvi com atenção, mas parte de mim se perdia no calor que Arthur emanava, a poucos passos dali.


Decidi dar uma chance ao garoto — não por gentileza, mas para testar o instinto de meu filho. — Interessante. Vamos ver se esse talento bruto se torna útil para minha empresa. Alexander, arranje um espaço para ele no setor de decoração. Quero um relatório até o fim da semana — ordenei, levantando-me e ajeitando o terno, sentindo o olhar de Arthur me seguir enquanto me virava para a janela.


Antes que Lucas saísse, adicionei:  

— Lucas, uma última coisa. Notei que você mora numa periferia difícil. Não tolero atrasos por causa disso. Ofereço uma moradia em um dos prédios reservados para meus funcionários. Alexander cuidará das chaves e o auxiliará. Pode sair. — Não foi por simpatia, mas por minha aversão a pontualidade falha.


Quando Lucas e Alexander saíram, virei-me para Arthur. Seu olhar estava calmo, mas com um brilho que só eu decifrava. Ele se aproximou, os passos ecoando no silêncio, até seu rosto ficar a centímetros do meu.


— Precisa de algo? — perguntou, a voz baixa e desconfiada, os olhos cor de mel cravados nos meus.


Um sorriso sutil curvou meus lábios... Ele talvez não soubesse, mas alimentava meus sonhos mais profundos e pecaminosos.  

— Você sabe, sempre sabe o que quero, mesmo sem eu dizer — respondi, a voz rouca, o calor subindo enquanto me aproximava, o espaço entre nós quase sumindo.


Arthur suspirou, me encarando sem desviar, o pomo de Adão subindo e descendo enquanto engolia em seco.  

— Senhor Albuquerque... — começou, hesitante.


— Já disse que, sem ninguém, não precisa de formalidades — interrompi, a irritação misturada com desejo marcando meu tom. Estendi a mão, os dedos roçando seu braço, sentindo a firmeza dos músculos sob o tecido. Ele tensionou-se, mas não recuou.


Sem aviso, puxei-o para mim, a mão deslizando para seu pescoço, e o beijei com uma fome reprimida o dia todo. Seus lábios, quentes e firmes, cederam, e um gemido baixo escapou dele, pegando-nos de surpresa. Suas mãos grandes agarraram minha cintura, me pressionando contra a mesa, o couro frio contrastando com o calor entre nós. Meu corpo reagiu, o desejo explodindo enquanto mordiscava seu lábio, sentindo-o tremer.


— Vitor... — murmurou ele, rouco, e isso me desarmou. Desabotoei o primeiro botão de seu terno, as mãos trêmulas explorando o peito largo, o cheiro de sua pele misturado ao perfume caro me embriagando. Ele me ergueu com facilidade, sentando-me na borda da mesa, suas pernas se encaixando nas minhas. Seus dedos deslizaram sob minha camisa, arranhando levemente, e arfei, puxando-o mais.


A porta trancada ecoou, e esqueci o mundo — Lucas, Alexander, a empresa. Só importava Arthur, seu peso contra mim, o segredo de anos exposto. Ele me beijou com urgência, as mãos descendo para minhas coxas, apertando com força. Grunhiu contra meus lábios, abrindo minha camisa num gesto brusco, botões voando. Suas mãos grandes traçaram meu torso, dedos calejados incendiando minha pele, e arqueei as costas, ofegante, sentindo-o duro contra mim.


Desci as mãos ao cinto dele, abrindo-o com pressa, liberando-o enquanto ele mordia meu pescoço, deixando uma marca a esconder. O calor me consumiu, e gemi alto, sem me importar com o além das paredes. Ele me empurrou mais na mesa, papéis caindo em caos, a adrenalina subindo. Com um movimento firme, baixou minha calça, mãos ásperas agarrando minhas nádegas enquanto me levantava. Puxei-o de volta, nossos corpos colidindo num ritmo urgente, e quando ele entrou, um grito rouco escapou, misturado ao gemido grave dele. O mundo se dissolveu em instinto, o atrito e o calor nos levando a um ápice selvagem, cada estocada mais profunda, até o prazer nos despedaçar, deixando-nos ofegantes e entrelaçados sobre a mesa.

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