**Aviso de Conteúdo Sexual e Violência:** Este capítulo contém descrições explícitas de atividade sexual não consensual, violência física e temas sensíveis. Recomenda-se cautela ao ler.
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Lucas acordou com o som abafado das buzinas cortando o ar quente de seu pequeno apartamento na periferia de São Paulo. O sol já escaldava as cortinas rasgadas, invadindo o cômodo apertado onde ele dormia em um colchão velho jogado no canto. Esfregou os olhos, sentindo o cansaço de mais uma noite longa pesar nos ombros, e se levantou devagar, o corpo pesado como chumbo. O cheiro de mofo e o barulho distante de uma TV ligada no prédio ao lado preenchiam o silêncio, enquanto ele cambaleava até a pia rachada para lavar o rosto com água gelada. Olhou-se no espelho quebrado, os olhos castanhos escuros refletindo uma mistura de exaustão e resignação, e murmurou para si mesmo: "Mais um dia, né?"
Lucas foi até o chuveiro e tomou um banho rápido e refrescante, a água fria aliviando um pouco o peso do corpo. Ao sair, ele se arrumou com uma camisa gasta, uma calça comprada no bazar e um tênis. Não havia café da manhã — a cozinha estava vazia, sem nada para comer, então ele saiu de casa com o estômago roncando, ignorando a fome que crescia. Andou pelas ruas, observando o movimento dos carros e das pessoas apressadas, o barulho e o caos da periferia servindo como uma distração momentânea.
Ao passar por uma casa simples, uma senhora idosa o avistou da calçada e o cumprimentou com um sorriso gentil.
— Olá, Lucas, como você está, meu jovem? — perguntou Dona Maria, com os olhos atentos e calorosos.
— Estou bem, Dona Maria. Estou indo trabalhar agora — respondeu Lucas com um sorriso forçado, tentando disfarçar a fome.
Mas Dona Maria o conhecia desde que ele chegara ao bairro e não se deixou enganar.
— Lucas, querido, não minta para mim. Estou vendo que está com fome. Pode pedir comida para mim, querido, eu sempre tenho para te dar — disse ela, pegando dois pães com geleia de morango e um copo de suco que estavam na mesa ao lado.
— Toma, querido, coma tudo — ofereceu ela, sorrindo com ternura.
Lucas aceitou com um sorriso gentil no rosto, o coração aquecido pela bondade dela.
— Muito obrigado, Dona Maria. Não sei o que eu faria sem a senhora — disse ele, dando um abraço apertado na idosa.
— Vá trabalhar, meu filho. Quando precisar, venha até mim — despediu-se ela, acenando enquanto Lucas seguia seu caminho.
Após se despedir de Dona Maria, Lucas comeu os pães enquanto caminhava para o bar, o suco aliviando a sede. Ele observava a agitação da periferia, perdido em pensamentos sobre a vida que levava.
Chegou ao bar e olhou para a fachada gasta, sentindo o resto de felicidade que tinha se esvair. Entrou e já se deparou com o chefe gritando ordens.
— Lucas, você está um minuto atrasado! Vá agora para seu posto! — o homem gritou para ele.
— Sim, senhor — disse Lucas, abaixando a cabeça e indo para trás do balcão do bar.
O dia pareceu se arrastar, as horas demorando a passar. Lucas passou o dia todo lidando com bêbados e pessoas desnecessárias e grosseiras. Na hora de fechar o bar, ele recolheu suas coisas e saiu.
Antes de chegar ao beco que levava ao seu bairro, um homem alto e de semblante grosseiro o parou.
— Ei, garoto, soube por um amigo que você faz programa. Te ofereço 300 reais para transar comigo — disse o cara em um tom arrogante.
Lucas congelou por um instante, o coração batendo mais forte enquanto encarava o homem. A rua estava quase vazia, o barulho distante das buzinas misturando-se ao som de sua respiração acelerada. Ele engoliu em seco, sentindo o peso dos 300 reais que poderiam aliviar temporariamente as contas acumuladas no AP.
— Beleza, vamos ali naquele beco escuro — respondeu ele, a voz firme apesar do nó na garganta.
Dentro do beco, o homem agarrou Lucas e o fez ajoelhar na frente dele. Ele abaixou as calças, revelando seu pênis já duro e com pré-gozo escorrendo. Lucas não teve tempo de pensar, pois o homem puxou sua cabeça, forçando seu pênis em seus lábios. Sem opção de recuar, Lucas começou a chupá-lo, mexendo a cabeça com maestria, fazendo o homem gemer baixo e empurrar mais, deixando-o engasgar sem ar.
Antes de alcançar o orgasmo, o homem tirou Lucas abruptamente e o levantou, colocando-o de costas para a parede. Puxou as calças de Lucas para baixo e introduziu seu pênis no ânus dele. Lucas soltou um grito agudo pela dor abrupta, enquanto o cara empurrava com força, forçando sua entrada. Lucas fingia gemer, tentando disfarçar que estava gostando, mas não conseguiu segurar as lágrimas que escorriam pelas bochechas.
De repente, o homem grunhiu, apertando os quadris de Lucas com força suficiente para deixar marcas vermelhas. Com um último empurrão, ele alcançou o clímax e se afastou, deixando Lucas encostado na parede, tremendo e ofegante. O homem saiu, o pênis ainda mole, sem se importar em guardá-lo, jogou os 300 reais no chão e desapareceu rindo na escuridão da rua. Lucas caiu de joelhos, o corpo doendo, o dinheiro sujo a poucos centímetros das mãos trêmulas. Ele o pegou devagar, sentindo o peso da humilhação misturado ao alívio momentâneo das contas. Com esforço, levantou-se, arrastando-se para fora do beco, o rosto molhado por lágrimas.
Caminhando de volta ao AP, cada passo era uma luta contra a dor física e o vazio que crescia no peito. O barulho das buzinas da periferia parecia mais distante agora, abafado pelo zumbido em seus ouvidos. Ele passou pela casa de Dona Maria, a luz da varanda ainda acesa, e por um instante desejou bater à porta, mas seguiu em frente, incapaz de encarar a bondade dela naquele estado. Ao chegar ao prédio, subiu os degraus quebrados, o corpo pesado como nunca, e entrou no AP, jogando-se no colchão.
Deitado, ele encarou o teto manchado, o dinheiro ainda apertado na mão. A lembrança do mural com Alexander surgiu em sua mente, o céu estrelado que pintaram juntos. Pensou em Alexander e se perguntou se continuaria falando com ele caso descobrisse esse trabalho sujo.
— O riquinho sentiria nojo de mim se descobrisse — murmurou, a voz rouca e quebrada, enquanto uma lágrima escorria, misturando-se ao suor no rosto. Por um momento, ele se perguntou se valia a pena continuar assim, o silêncio do AP engolindo sua resposta.
Ele enxugou o rosto com a manga da camisa gasta e pegou o celular com as mãos trêmulas. O número de Alexander estava lá, salvo desde o dia em que trocaram mensagens sobre o próximo encontro no beco — uma troca rápida, quase casual, mas que agora parecia um fio de esperança. Com o coração apertado, ele digitou uma mensagem hesitante:
"Ei, riquinho. Tá acordado? Podemos nos encontrar amanhã no beco? Preciso... não sei, só preciso ver você."
Ele releu, o dedo pairando sobre o botão de enviar, o medo de ser julgado lutando contra a vontade de escapar daquele vazio. Por fim, apertou, jogando o celular ao lado como se quisesse se livrar da vulnerabilidade. A resposta veio quase instantaneamente:
"Tô acordado. Claro, te encontro lá às 8. Tá tudo bem?"
Lucas encarou a tela, a preocupação nas palavras de Alexander o pegando de surpresa. Ele digitou de volta rápido:
"Tá, 8 tá bom. Só... não pergunta nada ainda, tá?"
Antes que Alexander respondesse, ele desligou o celular, o silêncio do AP voltando a envolvê-lo. Deitou-se novamente, o corpo doendo, mas uma chama fraca acendeu em seu peito. A ideia de ver Alexander, de pintar novamente, talvez fosse o suficiente para enfrentar mais um dia. Com um suspiro rouco, fechou os olhos, deixando o sono levá-lo, as estrelas do mural dançando em seus sonhos.

