Alexander chegou em casa após o beco, o coração ainda acelerado pela proximidade com Lucas e o peso da ligação do pai. A mansão estava silenciosa, mas ele sabia que o confronto era inevitável. Sentou-se na cama, o celular na mão trêmula, e discou para Clara, a única pessoa que poderia encobri-lo agora. O toque ecoava como um alarme em sua mente, misturando medo e desespero.
— Alô? Alexander? — A voz de Clara soou sonolenta do outro lado da linha.
— Clara, preciso da sua ajuda. Meu pai ligou, perguntou onde eu estava. Eu disse que era com você, urgente. Por favor, se ele te ligar, confirma isso — pediu Alexander, a voz baixa para não acordar a casa.
Clara pausou, o silêncio pesado entre eles.
— O que você tá fazendo de verdade, Alexander? Eu sei que não era comigo — respondeu ela, o tom carregado de curiosidade e cansaço.
Alexander hesitou, o segredo do beco queimando na garganta.
— Eu... tô tentando ser eu mesmo pela primeira vez. Não posso explicar agora, mas preciso que você cubra pra mim. Por favor.
Ela suspirou, mas concordou relutante:
— Tá bom, eu cubro.
— Clara... — Alexander chamou, a voz tensa de emoção.
— Posso ser sincero com você? — perguntou ele, hesitante.
— Pode sim, Alexander — respondeu ela, o tom agora mais acolhedor.
Alexander relutou um pouco mais antes de falar.
— Eu... eu sou gay, Clara. Gosto de meninos e estou conhecendo alguém que me faz sentir vivo de verdade. Eu não quero te machucar — confessou ele, a voz baixa, quase um sussurro.
Clara não respondeu de imediato.
— Eu sabia, Alexander. Desde quando te conheci, vi que você não gostava de mim... ou de qualquer mulher. E eu meio que não gosto de homens também — admitiu ela, a voz baixa e relutante.
— Alexander, nós podemos nos ajudar a escapar disso. Do controle dos nossos pais e de tudo, pra sermos verdadeiramente livres — sugeriu ela, um brilho de esperança na voz.
Alexander sorriu aliviado, o peso nos ombros diminuindo.
— Obrigado, Clara. Sou muito grato por você estar me ajudando — disse ele, a voz agora leve, quase animada.
Clara sorriu do outro lado da linha e perguntou:
— Já que vamos fingir, você podia me contar mais sobre o menino que você tá interessado? E eu conto da menina que eu gosto — sugeriu ela, a voz mais leve e suave.
Alexander sorriu e começou a falar.
— Ele é super interessante. É livre e não se importa com o que as pessoas pensam. Foi a primeira pessoa a me dar um abraço e dizer que tá tudo bem, me incentivando a ser livre e seguir meu sonho.
— Nossa! Ele parece ser super legal. A menina que eu gosto é uma amiga de infância que meu pai deixa eu visitar. Com o tempo, fui criando sentimentos por ela — contou Clara, a voz cheia de carinho.
Os dois ficaram em silêncio por um momento, absorvendo as confissões, até Alexander quebrar o silêncio:
— Sério, Clara, muito obrigado pelo que você tá fazendo por mim.
— Por nada, Alexander. Eu sei que você faria isso por mim também. Obrigada por ouvir sobre meus sentimentos. Vamos cobrir um ao outro — respondeu ela, a voz firme.
— Isso mesmo, Clara. Vamos cobrir um ao outro. Boa noite, Clara.
— Boa noite, Alexander.

