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Além das Estrelas
Capítulo 5 – Chamado no Escuro
570 palavras • 3102 caracteres • ⏱ 2 min 17 s

Capítulo 5 – Chamado no Escuro

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Alexander chegou em casa após o beco, o coração ainda acelerado pela proximidade com Lucas e o peso da ligação do pai. A mansão estava silenciosa, mas ele sabia que o confronto era inevitável. Sentou-se na cama, o celular na mão trêmula, e discou para Clara, a única pessoa que poderia encobri-lo agora. O toque ecoava como um alarme em sua mente, misturando medo e desespero.


— Alô? Alexander? — A voz de Clara soou sonolenta do outro lado da linha.


— Clara, preciso da sua ajuda. Meu pai ligou, perguntou onde eu estava. Eu disse que era com você, urgente. Por favor, se ele te ligar, confirma isso — pediu Alexander, a voz baixa para não acordar a casa.


Clara pausou, o silêncio pesado entre eles.


— O que você tá fazendo de verdade, Alexander? Eu sei que não era comigo — respondeu ela, o tom carregado de curiosidade e cansaço.


Alexander hesitou, o segredo do beco queimando na garganta.


— Eu... tô tentando ser eu mesmo pela primeira vez. Não posso explicar agora, mas preciso que você cubra pra mim. Por favor.


Ela suspirou, mas concordou relutante:


— Tá bom, eu cubro.


— Clara... — Alexander chamou, a voz tensa de emoção.


— Posso ser sincero com você? — perguntou ele, hesitante.


— Pode sim, Alexander — respondeu ela, o tom agora mais acolhedor.


Alexander relutou um pouco mais antes de falar.


— Eu... eu sou gay, Clara. Gosto de meninos e estou conhecendo alguém que me faz sentir vivo de verdade. Eu não quero te machucar — confessou ele, a voz baixa, quase um sussurro.


Clara não respondeu de imediato.


— Eu sabia, Alexander. Desde quando te conheci, vi que você não gostava de mim... ou de qualquer mulher. E eu meio que não gosto de homens também — admitiu ela, a voz baixa e relutante.


— Alexander, nós podemos nos ajudar a escapar disso. Do controle dos nossos pais e de tudo, pra sermos verdadeiramente livres — sugeriu ela, um brilho de esperança na voz.


Alexander sorriu aliviado, o peso nos ombros diminuindo.


— Obrigado, Clara. Sou muito grato por você estar me ajudando — disse ele, a voz agora leve, quase animada.


Clara sorriu do outro lado da linha e perguntou:


— Já que vamos fingir, você podia me contar mais sobre o menino que você tá interessado? E eu conto da menina que eu gosto — sugeriu ela, a voz mais leve e suave.


Alexander sorriu e começou a falar.


— Ele é super interessante. É livre e não se importa com o que as pessoas pensam. Foi a primeira pessoa a me dar um abraço e dizer que tá tudo bem, me incentivando a ser livre e seguir meu sonho.


— Nossa! Ele parece ser super legal. A menina que eu gosto é uma amiga de infância que meu pai deixa eu visitar. Com o tempo, fui criando sentimentos por ela — contou Clara, a voz cheia de carinho.


Os dois ficaram em silêncio por um momento, absorvendo as confissões, até Alexander quebrar o silêncio:


— Sério, Clara, muito obrigado pelo que você tá fazendo por mim.


— Por nada, Alexander. Eu sei que você faria isso por mim também. Obrigada por ouvir sobre meus sentimentos. Vamos cobrir um ao outro — respondeu ela, a voz firme.


— Isso mesmo, Clara. Vamos cobrir um ao outro. Boa noite, Clara.


— Boa noite, Alexander.

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