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Além das Estrelas
Capítulo 1 – O Beco Das Estrelas Perdidas
546 palavras • 3093 caracteres • ⏱ 2 min 11 s

Capítulo 1 – O Beco Das Estrelas Perdidas

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A chuva caía fina e insistente sobre as ruas de São Paulo, transformando o asfalto em um espelho borrado de luzes neon. Lucas Mendes, com as mãos sujas de tinta spray, terminava de pintar um mural em um beco esquecido no centro da cidade. Estrelas estilizadas explodiam em cores vibrantes contra o cinza do concreto, como se desafiassem o céu nublado a revelar sua verdadeira face. "Reescreva o destino", murmurou ele para si mesmo, as palavras ecoando a melodia que tocava em seu fone de ouvido.


De repente, uma figura surgiu na entrada do beco, encharcada, com o colarinho da camisa social erguido contra o vento. Alexander Albuquerque parou, os olhos castanhos fixos no mural, como se as estrelas pintadas o tivessem chamado. Era evidente que ele não pertencia àquele lugar — a postura rígida e as roupas caras gritavam privilégio. Lucas ergueu o olhar, irritado com a interrupção.


— Ei, cara, isso aqui não é galeria de arte pra turista. Sai fora antes que eu te pinte também — disse ele, com um sorriso sarcástico.


Alexander não se moveu. Em vez disso, aproximou-se, tocando levemente uma das estrelas com a ponta dos dedos.


— E se eu quiser ser reescrito? — respondeu ele, a voz baixa, carregada de uma curiosidade genuína que pegou Lucas desprevenido.


— O que você está fazendo, seu riquinho mimado? Não toque na minha arte! — retrucou Lucas, a voz ríspida.


Alexander se afastou, mas seus olhos permaneceram fixos em Lucas, como se quisesse gravar cada traço dele na memória.


— Eu me chamo Alexander Albuquerque — disse ele, fazendo uma breve reverência.


— Eu não te perguntei nada, engomadinho — retrucou Lucas. — Mas, como não sou mal-educado, vou me apresentar. Meu nome é Lucas Mendes.


— Por que você está nessas áreas, Alexander? Fica claro que não é daqui e pode ser roubado a qualquer momento — questionou Lucas, o olhar desconfiado misturado com uma pontada de curiosidade.


— Queria tomar um pouco de ar e caminhar pelas redondezas — respondeu Alexander. — Sua arte me chamou a atenção, então tive que parar para ver. Já pensou em colocá-la em uma exposição?


Lucas não respondeu de imediato, apenas observou o rosto de Alexander com desconfiança.


— Não, riquinho. Nunca pensei em expor minhas artes, porque não confio em gente rica e metida como você.


Alexander riu de forma inesperada, como se as palavras de Lucas o intrigassem.


— Vou te propor um desafio, Lucas — disse ele, um sorriso largo se formando em seu rosto.


— Qual? — perguntou Lucas, ainda desconfiado.


— A proposta é a seguinte: se você me deixar ajudar a pintar o mural amanhã à noite, eu vou tentar provar que nem todos os ricos são 'metidos'.


— E o que eu ganho com isso? — retrucou Lucas, a voz seca.


— Se você aceitar, eu ajudo você a expor suas artes em uma das galerias mais famosas de São Paulo.


Lucas o encarou, relutante.


— Tá bom, riquinho, eu aceito sua proposta. Agora sai da minha frente — disse ele, virando-se para recolher seus materiais e ir embora.


Alexander observou a reação dele por um momento antes de se retirar.


— Até amanhã, Lucas.


— Até, riquinho — respondeu Lucas, sem olhar para trás.

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