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A Noiva da vendetta: entre vingança e sangue
PRÓLOGO
329 palavras • 2099 caracteres • ⏱ 1 min 19 s

PRÓLOGO

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Dizem que nascer filha de um capo é nascer cercada de luxo.
\nMentira.\n

Nasci cercada de grades invisíveis.
\nA única que nos amou de verdade foi nossa mãe.\n

Ela dizia que Selina e eu éramos estrelas gêmeas, duas luzes destinadas a iluminar a escuridão. Mas para Dmitri Vodkavo, nosso pai, éramos apenas um presságio ruim. Gêmeos significavam azar. Duas filhas, azar em dobro.\n

E azar não merecia amor.\n

Quando tínhamos apenas dez anos, a morte levou nossa mãe. No mesmo dia, perdemos também a última defesa contra a sombra de Dmitri.
\n                           ...\n

A chuva caía pesada no enterro. Selina chorava alto, tentando alcançar o caixão que desaparecia na terra encharcada. Eu não chorei. Não porque não doía, mas porque alguém precisava ser forte. Sempre foi assim.\n

— Mamãe não queria que a gente ficasse triste… — murmurei, segurando a mão dela, mesmo quando ela tentava se soltar.\n

Dmitri estava atrás de nós, o guarda-chuva negro aberto. Não para nos proteger, mas para que ele não se molhasse. Nenhuma palavra de consolo, nenhum gesto de carinho. Apenas aquele olhar de gelo, como se enterrasse não sua esposa, mas um peso.\n

— Chega de lágrimas. — sua voz cortou como lâmina. — A fraqueza não honra os mortos.\n

Selina o encarou, os olhos vermelhos. — A mamãe nos amava!\n

O tapa veio rápido. Eu me coloquei na frente dela, mas ainda assim senti a fúria em cada sílaba cuspida:\n

— Amor não paga dívidas. Amor não comanda impérios. Vocês duas nasceram como maldição, duas bocas para alimentar, dois sinais de azar. A morte dela apenas confirma o que já sabíamos.\n

Selina soluçava, mas não recuava. Eu, calada, apenas segurei sua mão com mais força. Não podíamos responder. Não podíamos vencer.\n

Desde aquele dia, restamos apenas nós duas.\n

Selina, fogo que nunca se apaga.
\nEu, silêncio que tenta contê-lo.\n

E nosso pai, sombra eterna.\n

Peças em um jogo que não escolhemos.
\nE peças, no mundo de Dmitri Vodkavo, nunca terminam inteiras.






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