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O Amado da Luzz
Capítulo 37
1365 palavras • 8174 caracteres • ⏱ 5 min 28 s

Capítulo 37

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Antes do confronto direto, Bakrium usou suas chamas negras para abrir caminho. Com um gesto poderoso, lançou uma muralha de fogo infernal que separou os três reis demônios, impedindo que um interferisse no combate contra o outro. As chamas se ergueram como muralhas vivas, ardendo com o poder da morte, forjadas com o ódio ancestral que corria nas veias do filho do dragão. Era uma barreira viva, consciente, que se alimentava da própria energia sombria que Bakrium herdara de Mor'drak.

— Isso não vai segurá-los por muito tempo, temos que ser rápidos.

Arion e Bakrium se lançaram contra Belial como uma tempestade de luz e sombra. Os ataques não eram apenas sincronizados — pareciam coreografados por uma vontade antiga, como se o tempo os tivesse preparado para aquele momento.

Belial avançou com sua fúria titânica, as mãos cerradas como martelos do próprio inferno. Bakrium foi o primeiro a encontrá-lo, avançando em alta velocidade. Seu corpo humano exalava poder bruto, coberto por uma aura densa de magia escura. Com um domínio absoluto das chamas da morte e da manipulação sanguínea herdada de sua mãe, ele parecia uma entidade em forma humana. Com sua espada envolta em chamas negras, ele cortou o ar e colidiu contra os punhos de Belial com um impacto que abriu crateras ao redor. Arion seguiu logo atrás, desferindo golpes cortantes com a Espada de Elloryn, sua luz dourada rasgando o manto escuro do campo de batalha.

Os três colidiram em um vendaval de golpes e magia. Cada vez que Belial atacava, o chão tremia e as muralhas de Thuncorn estremeciam. Mas Bakrium revidava com o fogo dos dragões antigos, derretendo rochas e evaporando o sangue que manchava o solo. Além disso, manipulava o sangue ao redor com maestria, transformando-o em estacas, correntes e escudos para bloquear os golpes do demônio. Arion saltava entre os ataques, como uma centelha viva da Luzz, sua espada traçando linhas de pura luz que fatiavam o ar e os membros da criatura demoníaca.

O duelo foi titânico, como se os céus e o inferno tivessem colidido no campo de Thuncorn. As espadas riscaram o ar em relâmpagos contínuos. Em um golpe combinado, Arion golpeou o peito de Belial enquanto Bakrium liberava uma rajada flamejante direto em seu rosto. O rugido que se seguiu foi ensurdecedor. Belial tentou resistir, mas sua couraça começou a rachar, e sua carne pútrida não suportou o calor das chamas negras. A muralha que Bakrium havia levantado estava se desfazendo diante dos ataques constantes de Drenhayr e Glasya-Labolas, mas já era tarde, o corpo do Rei Demônio da Iniquidade explodiu em uma tempestade de cinzas e ossos, deixando apenas o eco de sua queda.

O campo estremeceu. Os gritos cessaram por um instante. Mas o triunfo durou pouco.

Drenhayr rugiu como uma besta traída. Seus olhos se fixaram em Bakrium com uma fúria que misturava dor e ódio. Ela investiu contra ele, as mãos moldando espadas de sangue puro. A batalha entre mãe e filho iniciara.

Bakrium hesitou no primeiro golpe. Suas mãos tremeram. Mesmo quando rebatia os ataques com a espada, seus olhos vacilavam. Era sua mãe. Independente de todo o mal que lhe fizera. Era ela a pessoa quem lhe deu a vida. Cada golpe trocado carregava cicatrizes de um passado que ainda ardia dentro dele. E Drenhayr percebia isso. Usava-o contra ele, provocando, zombando, lembrando.

— Você era meu! Meu sangue, meu legado! — ela gritou, cravando uma lâmina vermelha na perna dele. — Depois de tudo que fiz por você. Não me diga que isso ainda é por causa daquela vampira imunda, mesmo depois de tanto tempo?

Bakrium grunhiu, revidando com uma explosão de chamas negras e sombras, uma habilidade que criara misturando o poder herdado de Mor'drak com as chamas negras, que se enroscou ao redor de sua lâmina. As sombras pulsavam, tentando engolir a forma de Drenhayr, mas no instante em que hesitou novamente, ela escapou de seu alcance.

Antes que qualquer um pudesse reagir, Drenhayr lançou um encantamento proibido. O sangue dos milhares de mortos no campo se ergueu. Cadáveres foram puxados como bonecos quebrados, suas carnes dissolvidas, seus ossos esmagados em um redemoinho horrendo. Todo esse horror foi absorvido por Glasya-Labolas que lutava contra Arion furiosa.

A Rainha da Carnificina foi pega de surpresa, mas, antes mesmo que pudesse reagir, começou a se transformar. Seu corpo expandiu-se, crescendo até alcançar a altura das torres de Thuncorn. Correntes sangrentas se fundiram ao seu corpo, girando como hélices infernais. De suas costas emergiram braços extras, formados de carne fundida e osso retorcido. Sua boca se dividiu em três fileiras de dentes, e seus olhos brilhavam como fornalhas vivas. Era um avatar de pura destruição, construída com a dor de milhares. Drenhayr, aproveitando-se dessa distração, desapareceu em uma nuvem de névoa sangrenta.

O campo estremeceu.

— Isso... não é possível — murmurou Arion, sentindo o peso daquela presença.

Ela rugiu, e o som que escapou de sua garganta não era natural. Era um coro de vozes, um lamento coletivo de todos os mortos fundidos à sua forma. Uma tempestade de sangue explodiu do corpo colossal, varrendo grupos inteiros. Cavaleiros foram arrastados pelos ventos sangrentos, muralhas racharam, e o céu escureceu.

Bakrium tentou atacá-la pelas costas, mas foi arremessado com uma chicotada de corrente que o lançou contra uma parede de pedra. Arion bloqueou um golpe com a espada, mas o impacto o lançou metros para trás, abrindo um sulco profundo no solo. Seus ossos tremeram com o impacto.

Mesmo juntos, estavam sendo sobrepujados.

— Isso vai nos consumir! — gritou Bakrium, limpando o sangue da boca.

Arion cambaleou até ele, o corpo coberto de hematomas e cortes.

— Transforme-se de novo. Em sua forma de dragão — pediu Arion, com urgência na voz.

Bakrium balançou a cabeça, ofegante.

— Eu... não posso. Usei demais da minha energia antes. Não consigo assumir aquela forma agora.

O silêncio entre eles durou apenas um segundo, mas foi o suficiente para que a dúvida se instalasse. O que poderiam fazer contra aquela monstruosidade?

Eles tentaram. Vários ataques. Golpes conjuntos. Magia e aço. Chamas e luz. Mas nada parecia surtir efeito. Glasya-Labolas havia perdido qualquer vestígio de razão ou consciência. Era uma besta colossal, guiada apenas pela fome e pela carnificina. Rugia como mil almas em tormento. Seus ataques eram aleatórios, mas avassaladores, e pareciam ignorar qualquer tipo de dor ou resistência. Indistinguindo aliados e inimigos.

— Precisamos de algo maior... algo que vá além de nós mesmos — disse Arion, tentando manter-se de pé.

Foi então que Bakrium teve um lampejo.

— Arion, quero testar uma coisa. É algo que só ouvi de meu pai uma vez.

Arion o olhou confuso, mas Bakrium continuou.

— Muito tempo atrás, meu pai me disse que as chamas da morte são o único poder existente em Eldrat Hill que podem se fundir com poderes sagrados, pois o poder da morte não vem das trevas, mas sim do equilíbrio. Levante sua espada e concentre-se.

Arion assentiu, ergueu a Espada de Elloryn, que pulsava com uma luz intensa, como se sentisse o clímax se aproximando. Bakrium fez o mesmo com sua lâmina negra. As chamas começaram a girar em torno deles.

Uma espiral de fogo branco e negro surgiu. Elas se elevaram, serpenteando uma em torno da outra como dançarinas em transe. E então, algo mudou.

O fogo ganhou forma.

Um rugido ancestral ecoou, e do encontro das duas forças formou-se um dragão.

Gigantesco, imponente, sua metade esquerda era feita de fogo branco com olhos dourados; a metade direita, de fogo negro com olhos vermelhos. A criatura elevou-se aos céus, suas asas flamejantes cobrindo o campo de batalha, sua presença era esmagadora. O solo estalava sob seu peso mágico, as nuvens se abriam sobre sua cabeça.

Glasya-Labolas olhou para cima, e pela primeira vez naquele campo de batalha, aquela criatura irracional cujo único instinto era devorar tudo a sua frente, sentiu o temor da morte.

Arion e Bakrium, lado a lado, empunhavam suas espadas com os olhos fixos na criatura à frente. Eles não precisaram dizer nada. Um só pensamento unia seus corações.

— Agora.

E o dragão de fogo mergulhou em direção à Besta da Carnificina.


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