A travessia pelo domínio de Elara foi silenciosa. O grupo avançava sob a proteção da guardiã, cruzando muralhas de lírios e bosques onde a luz se curvava ao redor do sagrado. Quando finalmente alcançaram o Templo de Eldrasil, o impacto foi imediato: no coração da floresta, erguia-se uma árvore colossal, raízes e galhos entrelaçados formando arcos naturais, pilares de pedra e pontes de folhas que ligavam a natureza à arquitetura ancestral.
Na entrada, quatro elfos os aguardavam. Vestiam mantos brancos bordados com símbolos antigos, rostos marcados pelo tempo e pela sabedoria. Os olhos, atentos e brilhantes, continham a calma de quem já viu séculos passarem. Cada um tinha uma presença única:
— O primeiro era Altharion, de voz suave e olhar paternal, cabelos prateados presos em uma trança longa. — A segunda era Seris, austera, traços delicados mas olhos tão firmes quanto granito. — O terceiro era Faelar, de sorriso gentil e feições marcadas pela empatia. — A quarta era Ilmara, a mais velha, com rugas que pareciam desenhar mapas antigos ao redor dos olhos, sempre com um brilho melancólico.
Elara apresentou-os aos Anciãos de Eldrasil. Sem palavras, os anciãos fizeram sinal para que Arion se aproximasse, e ele sentiu o peso do olhar de cada um, como se seu passado e futuro estivessem sendo examinados naquele instante.
— Seja bem-vindo, Arion — disse Altharion, com sua voz suave. — Somos os guardiões da memória e de todo o conhecimento élfico abençoados pela Grande Eldrasil.
Seris completou: — Trazes contigo um fardo que há muito estava destinado a retornar.
Os anciãos pediram para ver o medalhão. Arion tirou-o do pescoço com as mãos trêmulas, sentindo o frio do metal contrastar com o calor de tantos olhares. Faelar ergueu o artefato à luz do templo, murmurando palavras numa língua perdida. Símbolos adormecidos começaram a brilhar sobre a superfície do medalhão.
Ilmara sorriu, quase melancólica: — O que carregas não é apenas um talismã. É a chave de uma importante profecia.
Altharion passou a mão sobre as inscrições agora incandescentes e disse: — Há muito tempo, quando a Sombra Primordial Mor'drak ameaçou consumir este mundo, um arquimago alto-elfo chamado Elloryn selou a ameaça ao custo da própria vida. O medalhão pertenceu a ele. Tua linhagem não é comum, Arion. E tua chegada aqui não é acaso.
Seris completou: — Este artefato é mais que herança: ele é uma promessa. Esconde as palavras da profecia. Se quiseres ouvir o destino que te espera, permite-nos desvendar os segredos guardados pelo medalhão.
Com gestos coordenados, os anciãos se posicionaram em círculo, entoando cânticos antigos. O templo tremeu levemente, folhas e luz dançaram no ar, e uma energia envolveu o medalhão. Símbolos se ergueram, e as palavras ecoaram, primeiro em murmúrios, depois em voz clara, sobre todos:
"Pela sombra de Mor'drak, o Mal se anuncia. O Amado da Luzz será o seu guia."
O silêncio caiu sobre o templo, pesado e absoluto.
Faelar olhou para Arion: — Tua mãe, a Rainha Lyria, sempre temeu que a profecia falasse de ti. Por isso, pediu que Lirael protegesse o medalhão e a ti. O destino de Eldanesh se selou quando as forças de Mor'drak souberam do pressentimento de Lyria. Foi o medo do que você poderia ser que trouxe ruína ao teu lar.
Arion sentiu o peso das palavras, como se toda a dor do passado tivesse, afinal, encontrado motivo.
Altharion, então, falou: — Mas a profecia é só o começo. O medalhão era apenas uma das relíquias de Elloryn. Se deseja compreender teu destino — e provar se é de fato o Amado da Luzz — deve passar pelo Teste de Elloryn.
Seris ergueu uma mão: — O Teste é simples em palavras, mas mortal em execução. Recupera a Espada de Elloryn, perdida em um local de trevas antigas. Traz a lâmina de volta ao templo. Só assim o verdadeiro Amado será revelado.
Os anciãos esperaram Arion digerir as revelações. Ao seu lado, Thalia, Tark e Draven estavam em silêncio, sentindo o peso do momento. O destino deles, de alguma forma, também parecia atado àquela busca.
Ilmara concluiu: — Partirás ao amanhecer. O caminho será perigoso. Mas cada passo te aproximará da verdade — e do poder necessário para salvar ou condenar este mundo.
E, sob o olhar dos anciãos e da árvore milenar, Arionsoube: a próxima jornada decidiria não apenas seu futuro, mas o destino de todaEllyndor.

