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O Amado da Luzz
Capítulo 7
719 palavras • 4301 caracteres • ⏱ 2 min 53 s

Capítulo 7

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A trilha começou a descer em direção a um vale onde a floresta parecia menos densa, mas muito mais viva — como se cada árvore ali estivesse de prontidão, sentindo a aproximação do grupo. O cheiro de terra molhada se misturava ao perfume de flores prateadas, e uma névoa suave pairava sobre o solo. Tark andava à frente, apontando marcos naturais com uma confiança forçada. Thalia caminhava em silêncio, absorvendo mana de cada gota d'água que conseguia tocar, enquanto Draven remexia as penas, ainda desconfiado após o último confronto. Arion sentia o medalhão pesar mais a cada passo, como se vibrasse em sintonia com algo adormecido naquele lugar.

Foi quando chegaram a uma clareira circular, delimitada por fileiras de lírios de pétalas prateadas e caule azulado. O ar parecia pulsar em energia, denso e limpo, mas carregado de uma ameaça velada. Tark parou, farejando o vento, e sussurrou:

— Estamos perto. O templo fica além daquela muralha de lírios. Se passarmos por ali, chegamos ao portão do Templo de Eldrasil.

Antes que pudessem dar o próximo passo, o silêncio da clareira foi cortado por um som grave, um rosnado que não vinha de nenhum animal comum. Das sombras surgiram figuras distorcidas, humanoides, mas completamente corrompidas: pele cinzenta, olhos sem pupilas, armaduras feitas de ossos e metal negro. Eram demônios, soldados das trevas, e avançaram em formação, como uma unidade treinada.

O grupo tentou se organizar, mas a confusão tomou conta rapidamente. Thalia conjurou jatos d'água para afastar dois inimigos, mas acabou atingindo Tark, que cambaleou e quase caiu em cima de Draven. O tengu saltou para o alto, tentando atacar de cima, mas Thalia o molhou de novo sem querer. Arion tentava coordenar os ataques, mas cada ordem era abafada pelo barulho das lâminas e pelos gritos do grupo.

Os demônios avançavam em sincronia assustadora, bloqueando rotas de fuga e separando os heróis. Um deles quase atingiu Thalia pelas costas, mas Tark pulou em cima do braço da criatura, atrapalhando mais do que ajudando. Draven tentou usar suas garras, mas escorregou ao pousar na lama criada por Thalia. Arion ficou cercado por três soldados, sentiu o desespero subir, e, no momento em que uma lança negra quase atravessou seu peito, o medalhão brilhou com força própria.

Por um instante, o tempo pareceu parar. Energia dourada explodiu do medalhão, formando um escudo efêmero em torno de Arion. Os demônios foram lançados para trás, cegos por uma luz que queimava como sol de verão. Thalia, Tark e Draven recuaram, atônitos com a explosão mágica. Arion mal entendia o que estava acontecendo, sentiu-se puxado para o fundo de si mesmo — como se ouvisse vozes antigas chamando por ele.

O breve momento de vantagem foi o suficiente para o grupo se reagrupar. Mas antes que os demônios pudessem retomar o ataque, uma flecha de luz cortou o ar, atingindo o inimigo mais próximo de Arion. Da borda da clareira, surgiu uma elfa alta, cabelos longos como prata líquida, vestes bordadas com símbolos de lírios. Seus olhos eram de um verde profundo, e sua presença fez os demônios hesitarem.

— Esta terra é sagrada — disse ela, a voz firme como o vento nas montanhas. — Nenhuma corrupção passará pelos Lírios Prateados de Eldrasil.

A elfa avançou, cada passo espalhando ondas de energia pura que enfraqueciam os soldados demoníacos. Os demônios recuaram, gritando em dor, até desaparecerem na névoa além da clareira. O grupo, ainda atordoado, olhou para a elfa sem saber se era aliada ou outro teste cruel do destino.

Ela se apresentou com um leve aceno de cabeça:

— Sou Elara, Guardiã dos Lírios Prateados e do portão de Eldrasil. Vocês chegaram longe demais para morrerem aqui. Se buscam as respostas que só os Anciãos possuem, terão minha proteção enquanto cruzarem meu domínio.

Arion tentou agradecer, mas sua voz tremeu. O medalhão ainda brilhava fracamente sob a túnica, pulsando como um coração em pânico. Thalia trocou um olhar desconfiado com Tark, Draven alisou as penas, e, por um momento, todos perceberam o quanto ainda tinham a aprender — sobre si mesmos, sobre o inimigo, e sobre o que realmente significa lutar juntos.

A clareira dos Lírios Prateados se fechou atrás deles, e, pela primeira vez desde o início da jornada, Arion sentiu a esperança nascer entre o medo e a dúvida.


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