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O Amado da Luzz
Capítulo 5
665 palavras • 3773 caracteres • ⏱ 2 min 40 s

Capítulo 5

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A caminhada ao lado de Thalia era pontuada por silêncios desconfortáveis e olhares rápidos, cada um avaliando o outro na penumbra da floresta. O ar carregava o cheiro de folhas úmidas e da promessa de tempestade. Pouco a pouco, a floresta se tornava mais densa e as trilhas conhecidas sumiam sob raízes retorcidas, obrigando Arion e Thalia a buscarem novos caminhos a cada bifurcação.

No meio da tarde, ao atravessarem uma ravina coberta de musgo, um ruído agudo e um palavrão ressoaram adiante, destoando do canto dos pássaros. Arion fez sinal para Thalia parar. Escondidos entre as árvores, viram uma pequena figura atarracada presa de cabeça para baixo numa armadilha improvisada.

— Só faltava essa — resmungou Thalia, mas havia um brilho curioso nos olhos dela.

O prisioneiro era um gnomo, vestindo roupas de couro e um chapéu absurdamente largo para o tamanho do rosto. Ele se debatia, xingando em uma língua que Arion não conhecia. Quando percebeu os dois, tentou parecer maior do que era:

— Vocês vão ficar olhando? Ou pretendem me ajudar? Isso aqui não é vida digna pra um gnomo respeitável!

Thalia trocou um olhar rápido com Arion. Ele se aproximou, avaliando a armadilha e o pequeno ser.

— Não deviam andar por essas trilhas sem conhecer o terreno — disse o gnomo, assim que foi libertado. — Tem coisa pior do que bicho à solta por aqui. E vocês... Vocês não fazem ideia de onde estão pisando, não é?

— Estamos indo até o Templo de Eldrasil. Sabe um caminho melhor, baixinho? — Thalia cruzou os braços, a voz gélida.

O gnomo estufou o peito, limpando a poeira das calças.

— Eu conheço essas florestas como ninguém. Tenho mapas aqui dentro — ele deu tapinhas na própria cabeça — e atalhos que nem os corvos ousam usar. Se querem chegar a Eldrasil vivos, vão precisar da minha ajuda.

Arion se inclinou, olhando fundo nos olhos do gnomo.

— Pode nos guiar, então?

O gnomo hesitou, calculando suas opções, mas olhou para os dois — um elfo ferido e uma náiade nada paciente — e decidiu não arriscar.

— Com uma condição: nada de perguntas sobre minhas rotas. Só sigo até a borda do vale. Depois, cada um por si. E claro, temos de discutir o pagamento.

— Vai até onde a gente quiser, gnomo. E o pagamento? Já foi feito quando lhe tiramos da armadilha — disse Thalia, firme, dando a entender que ele não tinha escolha.

O gnomo engoliu seco, mas forçou um sorriso.

— O nome é Tark. E, por sorte de vocês, eu sempre pago minhas dívidas.

O caminho com Tark se mostrou mais seguro — mas também mais estranho. O gnomo abria passagem entre pedras e raízes com facilidade absurda, apontando esconderijos camuflados e túneis naturais. A cada trecho, fazia comentários sobre armadilhas, antigas batalhas ou criaturas que nem Arion nem Thalia tinham coragem de perguntar se eram lenda ou verdade.

O trio avançou sob as copas fechadas, a luz quase não tocando o chão. Arion percebeu, no jeito de Tark, um medo — o gnomo olhava para trás a cada poucos minutos, como se algo muito maior os seguisse de longe.

Quando pararam para descansar, Thalia tirou água das pedras para beber, e Tark observou com fascínio disfarçado.

— Não é todo dia que se vê uma náiade ajudando um elfo — murmurou, curioso, mas sem coragem de arriscar piada.

— Não se acostume — rebateu Thalia. — Estamos juntos só até o templo.

Tark assentiu, mas seus olhos já mapeavam a floresta outra vez.

— De qualquer forma, — ele disse baixinho, — é bom andar rápido. O bosque anda inquieto. E, sinceramente, tem monstros que eu prefiro nem nomear.

Com Tark na dianteira, a floresta parecia um pouco menos hostil — mas nunca realmente segura. Arion entendia, com cada passo, que a estrada até Eldrasil era cheia de armadilhas, criaturas famintas e, agora, segredos bem mais profundos do que qualquer mapa poderia revelar.


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