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O Amado da Luzz
Prólogo
614 palavras • 3661 caracteres • ⏱ 2 min 27 s

Prólogo

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Ninguém em Eldanesh jamais pensou no fim.
A cidade dos elfos era feita de promessas eternas — jardins que nunca murchavam, muralhas brilhando sob luas prateadas e as risadas de crianças ecoando nos corredores dourados do palácio.


Naquela noite, porém, o vento era estranho. Sussurrava entre as folhas, carregando consigo o cheiro metálico da guerra que ninguém havia pedido.

O ataque começou com uma explosão seca. O palácio estremeceu e as luzes, antes tão firmes, passaram a dançar como se tremessem de medo.

Arion acordou com o rugido das portas arrombadas e o som cortante dos gritos. Pelas janelas, o luar se escondeu atrás da fumaça negra.


Eldoriel e Nymir já estavam de pé, os rostos duros de susto, enquanto Syrrien guiava Liraelis e Mirelya pelos corredores, chamando os nomes dos irmãos no meio do caos.
A Rainha Lyria, com olhos brilhando como tempestade, puxava todos eles para junto de si, braços abertos, um feitiço de proteção nas pontas dos dedos.


O Rei Thalion, no topo da escadaria, lutava para proteger a todos do ataque inimigo. — Fiquem juntos! — a voz de Thalion explodia no ar, cada palavra empurrando o medo para longe.


A cada gesto do rei, inimigos voavam, esmagados contra o mármore ou desintegrados no próprio veneno que carregavam.
Lyria, mãos cercadas por runas azuis, erguia escudos de pura magia, protegendo cada um dos filhos, tentando abrir caminho.


Mas os inimigos não vinham sozinhos. Armados com um aço corrompido, olhos mortos, moviam-se como marionetes de algo impossível. Espadas atravessavam elfos e sugavam não só o sangue, mas a essência, deixando corpos pálidos e vazios no chão.

Thalion lutava ao lado dos filhos, cada golpe abrindo clareiras na multidão inimiga. Lyria conjurava paredes de luz, tentando fechar cada brecha, gritando feitiços, nomes e promessas.

Arion viu seu irmão Eldoriel ser atingido por uma lança negra — o corpo dele caiu pesando cem vidas, e Lyria gritou como nunca. O escudo vacilou.

Nymir tentou puxar Syrrien para longe do perigo, mas ela, teimosa, lançou um feitiço de fogo nos invasores para proteger Mirelya e Liraelis, que tremiam atrás dela. Liraelis tentou correr em direção ao rei, mas foi atingida por uma flecha no pescoço. Mirelya, a menor, agarrou a mão de Arion, olhos arregalados, chorando sem som.

Thalion, ferido, abriu um último corredor dourado, investindo magia como nunca antes. Mas não havia salvação para todos.

Os humanos pareciam infinitos; seus poderes eram como rachaduras na própria realidade. A cada filho que caía, Lyria rugia mais forte, até sua magia se fragmentar em chamas desesperadas. Thalion tentou proteger a todos, mas a corrupção corroía seus escudos, transformava sua luz em sombra diante dos próprios olhos.

No caos, Lirael surgiu, puxando Arion e Mirelya. Um último clarão, um último esforço da rainha — Corram! — foi tudo o que Arion ouviu, a voz cortando o horror.

O fluxo da fuga era violento. Mirelya, agarrada à mão de Arion, olhos marejados. Num empurrão, um dos guerreiros humanos se interpôs e a arrancou dos dedos do irmão. O grito dela sumiu sob o barulho dos combates.

Quando Arion olhou para trás, viu Thalion desaparecendo sob uma onda de inimigos, Lyria em meio a uma tempestade azul, lutando por todos eles até o último instante.

No portão final, já fora do palácio, Arion ouviu os gritos dos irmãos, das irmãs, do povo que tombava como folhas queimadas. O cheiro de carne queimada e sangue nunca mais saiu da sua memória.

Eldanesh morreu naquela noite, não por covardia, não por fraqueza — mas porque o mundo, às vezes, é feito pra quebrar até os maisfortes. Arion foi o único que escapou. E nunca mais houve silêncio em seus sonhos.


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