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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
54 |⭐️| A Última Escolha
1081 palavras • 6342 caracteres • ⏱ 4 min 19 s

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Quando saíram para o lado de fora, a tensão no ar parecia quase palpável. O sol começava a se pôr, tingindo o céu de tons dourados e alaranjados, iluminando as silhuetas dos lobos que aguardavam silenciosos, prontos para seguir qualquer ordem de Samuel. Rhydan, porém, parecia inquieto. Ele se aproximou, os olhos fixos no humano.


— O que vamos fazer, Samuel?


Samuel permaneceu em silêncio por um instante, observando os lobos ao redor antes de responder com firmeza:


— "Nós" não. Você.


Rhydan franziu a testa, confuso.


— Eu?!


Samuel ignorou sua reação e se dirigiu aos outros lobos.


— Voltem para a alcateia. Preparem-se.


Nenhum deles questionou a ordem. Apenas assentiram e desapareceram na floresta, movendo-se com a rapidez e precisão de guerreiros treinados. Em poucos instantes, restaram apenas Samuel, Alex e Rhydan. O silêncio entre eles era pesado, apenas o vento quebrava a quietude da tarde.


— Como assim "eu"? - questionou Rhydan, sua voz carregada de incredulidade. — Eu não posso derrotar aquele caçador... eu... eu não posso... você sabe disso...


Samuel se virou para ele, seus olhos intensos refletindo a luz dourada do sol poente.


— Você mesmo disse que ainda consegue senti-la dentro dele. — Sua voz era calma, mas carregada de certeza. — Ela ainda não se foi... não completamente. É por isso que só você pode salvá-la.


Rhydan estremeceu, desviando o olhar. Sua respiração estava irregular, como se lutar contra aquilo dentro de si fosse mais difícil do que qualquer batalha física.


— Como você espera que eu faça isso...? — perguntou, sua voz quase um sussurro. — Lutando contra aquela coisa?


Samuel balançou a cabeça.


— Não. Sem lutar. Traga a Luz para ela.


— Luz...?


Rhydan piscou, incerto, mas Samuel apenas assentiu. Seu olhar não era de dúvida, mas de confiança absoluta.


O lobo respirou fundo, ainda tentando entender, mas algo dentro dele lhe dizia para acreditar. Para confiar. Ele olhou para Samuel mais uma vez, um traço de esperança surgindo em meio ao medo.


— Às vezes, eu não entendo o que você diz. Mas, de alguma forma... suas palavras sempre fazem parecer que há um caminho.


Samuel apenas abaixou a cabeça.


Sem mais palavras, ambos partiram rumo à entrada principal da alcateia.


Quando chegaram à entrada da alcateia, foram recebidos por uma visão imponente. Um exército de lobos guardava o local, seus olhos brilhando sob os últimos raios do sol. Entre eles, os Alfas Kai e Healer se mantinham à frente, observando a aproximação de Samuel e Rhydan. O ar estava carregado de expectativa.


— Estamos mais preparados do que nunca! — exclamou Kai, sua voz firme ressoando entre os guerreiros. — Eu sabia que eles não desistiriam tão facilmente.


Ele percebeu a presença de Samuel e um sorriso determinado surgiu em seu rosto.


— Agora sim, a vitória está garantida! — declarou. — Venha, Samuel. Lute ao nosso lado.


Mas Samuel permaneceu imóvel. Seu olhar frio e calculista fez o Alfa hesitar por um breve momento antes de ouvir sua resposta:


— Não. Sem lutas.


O silêncio tomou conta do lugar. Os lobos se entreolharam, confusos. Healer foi o primeiro a romper a quietude, soltando uma risada descrente.


— Como assim "sem lutas", Samuel?! — sua voz carregava incredulidade e sarcasmo. — Eu já sabia que você era louco, mas isso já é demais!


Kai ergueu a pata para interromper o outro Alfa.


— Espere, Healer. — Seus olhos estavam fixos em Samuel. — Explique melhor.


Samuel manteve a postura firme, sua voz carregada de convicção.


— Sem mais mortes. Sem mais sofrimento. Essa guerra termina aqui.


— Mas... — Healer tentou argumentar, mas Kai ergueu a pata em um gesto de rendição.


— Você quem manda, Samuel.


Foi nesse instante que um brilho prateado rasgou o ar, e um portal se abriu diante deles. A luz intensa se dissipou lentamente, revelando a imponente figura do Lobo Angelical. Ele emergiu com majestade, os olhos brilhando como estrelas frias.


— Todos em suas posições! — ordenou ele, sua voz ecoando como um trovão.


Os lobos hesitaram. Havia algo diferente no ar, algo que os fazia questionar a batalha iminente. O Lobo Angelical percebeu suas expressões estranhas e franziu o cenho.


— O que está acontecendo aqui? — rosnou. — Por que estão parados?!


— Não vamos lutar. — disse Kai com firmeza.


O Lobo Angelical arregalou os olhos, sua voz saindo carregada de descrença e fúria.


— Não lutar?! Ficou louco?!


Samuel finalmente tomou a palavra, sua voz cortando o silêncio com autoridade.


— Loucura é continuar lutando e matando uns aos outros.


O Lobo Angelical voltou-se para ele, seus olhos faiscando de raiva e frustração.


— O que você quer dizer com isso?! Que devemos simplesmente deixar que nos ataquem sem reagir?! Isso é inaceitável!


Samuel sustentou seu olhar sem medo.


— Ninguém quer mais essa guerra. Nem nós. Nem eles.


O Lobo Angelical cerrou os dentes, respirando pesadamente.


— E o que você sugere que façamos, então?!


— Confie em mim. Você me deve essa.


O silêncio pairou entre eles, apenas o vento assobiava entre as árvores. Por fim, o Lobo Angelical soltou um suspiro longo, seu olhar ainda carregado de relutância.


— Faça o que quiser, humano.


Kai se aproximou, ainda tentando compreender a situação.


— O que faremos agora, Samuel?


O olhar de Samuel percorreu o campo à sua frente, analisando cada detalhe, cada possibilidade.


— Eles vão atacar em um único ponto. Se se dividirem, sabem que perderão. — Ele fez uma pausa. — Mas eles têm uma arma. Ou melhor... um caçador com poderes.


Os Alfas trocaram olhares preocupados.


— Então eles pretendem usá-lo contra nós. - murmurou Kai.


— Sim. Essa é a única chance deles.


Healer, ainda cético, disse:


— E como você pretende derrotá-los sem atacar?


Samuel virou-se para ele, seus olhos carregados de algo que poucos conseguiriam entender: uma certeza inabalável.


— Com esperança.


Healer arregalou os olhos.


— O quê?!


Antes que pudesse questioná-lo mais, um estrondo ecoou à distância. O vento trouxe consigo um cheiro metálico, pesado, carregado de fumaça. O céu começou a se tingir de cinza e negro.


Kai observou a névoa se espalhar no horizonte e rosnou baixinho.


— Eles estão chegando.


Os lobos se enrijeceram, os olhos atentos à escuridão que se aproximava. A guerra que todos esperavam não seria decidida pela força, mas por algo maior.


E, no fundo, cada um ali se perguntava... seria isso suficiente?


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