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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
52 |⭐️| Sombras do Destino
847 palavras • 5121 caracteres • ⏱ 3 min 23 s

52 |⭐️| Sombras do Destino

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A celebração seguia animada, uivos e risadas enchendo o ar, mas Samuel mantinha-se atento, os olhos fixos no horizonte, uma sensação de desconforto persistindo como uma sombra silenciosa sobre o momento de alegria.


De repente, um lobo emergiu das sombras e aproximou-se de Samuel. Sua postura era cautelosa, quase furtiva. Era Rhydan, mas algo em seu olhar parecia terrivelmente errado. Os olhos que antes eram vibrantes agora estavam negros, profundos e vazios, como um abismo.


— Vocês deveriam mesmo estar comemorando... ou não. — Sua voz era fria, carregada de uma estranha convicção.


Samuel virou-se para encará-lo, os olhos estreitados, analisando cada detalhe.


— O que quer dizer com isso? — perguntou Samuel, sua voz baixa, mas firme.


Rhydan deu um passo à frente, a expressão sombria.


— Você acha mesmo que uma simples "mensagem" de paz vai acabar com essa guerra? Não, não vai. Todos vocês vão morrer.


Samuel sentiu o desconforto piorar, mas manteve a compostura. Antes que pudesse responder, algo estranho aconteceu: os lobos na multidão começaram a se virar em sua direção, um a um. Os olhares fixos e vazios também se cravaram nele, e, como em um coro sinistro, começaram a repetir as palavras do lobo.


— Todos vocês vão morrer.


A voz ecoava, cada vez mais alta, misturando-se ao som dos uivos que agora pareciam distantes, quase irreais, como se o som estivesse sendo engolido pela escuridão crescente. No fundo da multidão, Samuel avistou uma figura estática, envolta em chamas, apontando diretamente para ele. Uma dor intensa atravessou seu corpo, como se aquelas chamas queimassem sua própria alma. Ele tentou se mover, mas seus pés pareciam presos ao chão. Então, num piscar de olhos, tudo desapareceu.


Samuel piscou, atordoado, e percebeu que estava exatamente no mesmo lugar, mas a celebração havia voltado ao normal. Lobos conversavam e riam como se nada tivesse acontecido. Ele olhou ao redor, procurando algum sinal da visão, mas tudo parecia... real.


"Isso foi uma visão? Não me parecia..." pensou, o instinto de alerta crescendo.


De repente, passos leves atrás dele fizeram seus sentidos dispararem. Sem hesitar, ele girou, puxando uma pistola de sua mão, agora envolta por um brilho espectral. A arma apontava diretamente para a figura que se aproximava.


— Ei, calma! — disse o lobo, erguendo as patas em um gesto de rendição. Era Rhydan, mas sua expressão era de surpresa genuína. No entanto, Samuel não pôde evitar notar algo estranho: seus olhos, agora normais, contrastavam fortemente com a visão que acabara de ter.


Samuel baixou a arma, que sumiu de sua mão com um movimento rápido, como se nunca tivesse estado ali.


— É... você tem uma arma...? — perguntou Rhydan, desconcertado.


— O que você quer? — perguntou Samuel, sem rodeios, colocando Alex cuidadosamente no chão ao seu lado.


Rhydan olhou ao redor, como se certificando-se de que ninguém estava ouvindo.


— Venha comigo. Precisamos te contar algo importante. — Sua voz era séria, quase urgente.


— Precisamos? — Samuel arqueou uma sobrancelha, desconfiado.


Rhydan balançou a cabeça afirmativamente.


— Me encontre naquela estátua perto do lago. Não demore. — Antes que Samuel pudesse questioná-lo mais, Rhydan se afastou rapidamente, desaparecendo na multidão.


Samuel ficou parado por um momento, analisando as palavras do lobo. Ele olhou para Alex, que o encarava com um brilho curioso e determinado nos olhos.


— Pai, pode ir. Deve ser algo importante. — disse Alex, tentando soar confiante, apesar de sua voz jovem.


Samuel inclinou-se, os olhos fixos no pequeno filhote à sua frente.


— Você ouviu o que ele disse? — perguntou, com um tom calmo, mas atento.


— Só um pouco... mas eu sei que é algo sério. Não se preocupe, eu fico aqui com a tia Lumaris. — Alex sorriu, uma tentativa doce de tranquilizá-lo.


Samuel hesitou, sentindo o peso de sua decisão. Ele sabia que aquilo poderia ser perigoso, mas a ideia de deixar Alex para trás parecia sufocante. Após um longo suspiro, ele pousou a mão sobre a cabeça do filhote.


— Promessa é promessa. Não vou te deixar aqui sozinho.


Alex arregalou os olhos, surpreso com a resposta, mas logo abriu um sorriso largo, seu rabo balançando de leve.


Sem mais palavras, Samuel pegou Alex cuidadosamente nos braços. Com o filhote seguro contra si, ele partiu em direção à estátua, cada passo carregando um misto de apreensão e determinação.


O caminho era silencioso, o som dos passos abafados pelas folhas secas no chão da floresta. Alex, em um raro momento de silêncio, observava o rosto sério de Samuel, sentindo-se protegido, mas também curioso sobre o que poderiam encontrar.


Enquanto caminhavam, Samuel olhou brevemente para Alex, apertando-o levemente contra o peito.


— Não importa o que aconteça, fique perto de mim. Entendeu?


Alex balança sua cabeça concordando.


Cada passo os levava para mais perto do desconhecido, e, com isso, a sensação de algo grandioso - ou terrível - aproximando-se crescia no coração de Samuel. Algo naquela manhã estava diferente, como se o destino estivesse se movendo em direção a um último capítulo de suas vidas juntos.


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