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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
48 |⭐️| A Aliança dos Refugiados
875 palavras • 5209 caracteres • ⏱ 3 min 30 s

48 |⭐️| A Aliança dos Refugiados

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Samuel movia-se com passos firmes pela floresta, seus olhos atentos a cada movimento entre as sombras das árvores. As folhas secas sob seus pés emitiam um farfalhar suave, mas não o suficiente para abafar o silêncio inquietante que envolvia o ambiente. Era como se a floresta estivesse prendendo a respiração, esperando algo acontecer.


De repente, um movimento rápido rompeu o silêncio. Lobos emergiram das sombras, seus olhos brilhando com desconfiança e determinação. Samuel se viu cercado em instantes.


— Caçadores! Eles nos seguiram! — rosnou um lobo, os pelos eriçados como um aviso de perigo iminente.


— Protejam os filhotes! — gritou outro, enquanto lobos menores recuavam para proteger os mais jovens.


Samuel permaneceu imóvel, observando o grupo com atenção. Ele podia sentir a tensão no ar. Os lobos se posicionaram estrategicamente, prontos para atacar, mas hesitavam.


— Ele está sozinho! — disse um dos lobos, com um tom de incerteza.


Antes que qualquer ação fosse tomada, uma voz ecoou entre eles, firme e autoritária:


— Parem!


O lobo que Samuel havia libertado saiu das sombras e se colocou entre ele e os demais.


— Ele não é um deles. Foi ele quem me libertou e me enviou para salvar vocês!


Os outros lobos trocaram olhares, ainda cautelosos, até que um maior, com cicatrizes marcando seu rosto, deu um passo à frente.


— Então, é esse humano que os caçadores tanto falavam? O que possui poderes?


O lobo libertado assentiu com firmeza.


— Isso mesmo. Ele está do nosso lado.


A tensão no ar começou a diminuir, e os lobos abaixaram a guarda, embora seus olhos ainda analisassem Samuel cuidadosamente. Ele deu um passo à frente, sua postura firme e autoritária, mas sem qualquer sinal de ameaça.


— Para onde vocês estavam indo? — perguntou, sua voz calma, mas carregada de seriedade. — Por que não buscaram refúgio na alcateia?


O lobo libertado desviou o olhar, como se pesasse suas palavras antes de responder.


— Achamos que não seríamos bem recebidos. Ficamos muito tempo presos... temíamos que os lobos da alcateia nos rejeitassem.


Samuel franziu o cenho, sua expressão ficando mais dura.


— Como não seriam recebidos? Vocês estão do nosso lado. É claro que a alcateia vai acolhê-los.


O lobo maior suspirou, sua postura relaxando ligeiramente.


— Parece que você conseguiu tirar todos de lá.


No entanto, o lobo libertado abaixou a cabeça, sua expressão tomada por melancolia.


— Nem todos... Alguns preferiram ficar. Não acreditaram no que eu disse. Mas... acho que já estão mortos agora.


Samuel estreitou os olhos, a luz das estrelas refletindo neles como brasas.


— Então você sabe o que aconteceu na Fortaleza?


O lobo libertado assentiu lentamente.


— Sei, mas... explico quando estivermos seguros.


Samuel concordou, ajustando o capuz e olhando para a direção da alcateia.


— Vamos. A floresta não é segura por muito tempo. Quando chegarmos, quero que me contem tudo.


A caminhada foi longa e silenciosa. O grupo avançava sob a luz das estrelas, a vegetação densa criando sombras inquietantes ao seu redor. Samuel mantinha-se na retaguarda, protegendo os mais jovens que caminhavam no centro. Finalmente, após horas de marcha, a floresta deu lugar a uma clareira.


A entrada da alcateia estava mais única do que nunca: um enorme portal de pedra coberto por musgo, com runas antigas gravadas que brilhavam suavemente, como uma promessa de proteção. Havia guardas à frente, seus olhos atentos ao grupo que se aproximava.


Um dos lobos, de pelagem escura e pálida, avançou. Era o Alfa Kai.


— Quem são todos esses que você traz, Samuel? — perguntou, sua voz grave e cheia de autoridade.


— Esses são os lobos que foram capturados pelos caçadores — respondeu Samuel, direto.


Kai estreitou os olhos.


— Como? E quem os libertou?


Samuel indicou o lobo que havia libertado.


— Não fui eu. Foi ele.


Os olhos do Alfa Kai cravaram-se no lobo à sua frente, analisando-o com atenção. Uma mistura de surpresa e admiração cintilava em seu olhar, algo raro para alguém de sua posição.


— Um lobo conseguiu fazer tudo isso sozinho? — perguntou Kai, sua voz grave e ponderada. — Impressionante. Qual o seu nome?


O lobo ergueu a cabeça, demonstrando uma postura confiante, mas humilde ao mesmo tempo.


— É Rhydan. — respondeu ele, sua voz carregada de determinação.


Kai inclinou levemente a cabeça, como se considerasse o nome e o lobo à sua frente com seriedade. Após um breve momento de silêncio, ele ergueu a voz, firme e imponente, dirigindo-se aos guardas ao redor.


— O que estão esperando? — disse ele, sua presença irradiando autoridade. — Recebam-nos. Todos são bem-vindos aqui.


Os guardas se aproximaram, guiando os lobos recém-chegados para dentro. Samuel observou o lobo libertado se juntar ao grupo, trocando um último olhar com ele antes de se despedirem por um momento.


Kai então se aproximou, parando ao lado de Samuel.


— Isso é inacreditável. Com todos esses lobos, estamos em vantagem contra os caçadores. Parece que, finalmente, essa guerra vai acabar.


Samuel olhou para o céu estrelado, as luzes acima refletindo em seus olhos.


— Pois é... — disse ele, sua voz carregada de significado.


Mas em seu coração, ele sabia que o fim dessa guerra poderia custar bastante.


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