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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
42 |⭐️| Segredos e Conspirações
1799 palavras • 10611 caracteres • ⏱ 7 min 12 s

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No caminho, Samuel e o Alfa caminhavam lado a lado, o som de folhas sob seus passos preenchia o ar. Ambos mantinham a atenção ao redor, mas suas palavras fluíam em uma conversa que parecia pesar mais que o ambiente ao redor.


— Você disse que a rainha ficou alterada quando descobriu o espião — começou Samuel, quebrando o silêncio. — Não acredito que ela tenha ficado assim só por causa disso. Ela jamais demonstrou tanto desconforto nem mesmo quando a alcateia foi atacada.


O Alfa suspirou, lançando um olhar para Samuel.


— Eu suponho que a reação dela tenha sido diferente por outro motivo. Tenho certeza de que ela ficou assim porque atacaram você. Não há outra explicação.


Samuel soltou uma risada cínica.


— Se importar comigo? — Ele balançou a cabeça. — Ela só se importa porque eu sou importante para ela no sentido prático. Se eu não fosse, ela nem se daria ao trabalho de notar se eu estivesse morto agora.


O Alfa parou por um momento, olhando diretamente nos olhos de Samuel antes de responder.


— Não fale assim, Samuel. Você é importante, não apenas para ela, mas para todos nós. Já te expliquei o tanto que ela fez e ainda faz pela alcateia. A rainha reconhece o que você representa.


Samuel desviou o olhar para a trilha à frente, apertando os punhos.


— Reconhece o que eu represento... — murmurou, com um tom de descrença. — Sei. Até parece que ela ligaria para um humano como eu se não tivesse algo a ganhar com isso.


O Alfa franziu a testa e sua voz saiu mais firme desta vez.


— Não importa se você é humano, Samuel. Você é parte da nossa alcateia. Mesmo que não tenha nascido como um de nós, você é da nossa família. E isso é mais do que suficiente.


Samuel permaneceu em silêncio por alguns instantes, digerindo as palavras do Alfa. O peso em seu peito parecia aliviar um pouco, embora ele ainda mantivesse a expressão séria.


— Família... — repetiu baixinho, quase como se testasse a palavra em seus próprios lábios.


O Alfa esboçou um pequeno sorriso, percebendo o impacto de suas palavras.


Enquanto caminhavam, Samuel e o Alfa começaram a sentir a energia do local mudar. A brisa parecia mais carregada de intenções, e a luz que passava pelas copas das árvores os envolvia com um brilho quase divino.


— Estamos perto — comentou o Alfa, mantendo o tom baixo, como se a própria natureza exigisse respeito.


— Este lugar... — Samuel murmurou, observando as flores luminescentes que pareciam respirar em sincronia com o ambiente. — É completamente diferente da nossa alcateia. Tem um ar mais... mágico.


O Alfa lançou um breve sorriso


— É aqui que os assuntos mais importantes são discutidos. Este lugar reflete a conexão dos lobos com a Deusa da Lua.


Logo, a trilha terminou, revelando uma clareira encantadora. Árvores altas e imponentes formavam um círculo perfeito, suas raízes entrelaçadas ao redor de uma lagoa cristalina. Pedras cobertas de musgo brilhavam suavemente, e flores etéreas preenchiam o ar com uma fragrância calma e envolvente. Era como estar em um templo natural, um espaço sagrado que parecia existir fora do tempo.


Samuel e o Alfa entraram na clareira, onde outros alfas e vices já estavam posicionados, em completo silêncio, como se cada palavra fosse um distúrbio indesejado. O ambiente, embora sereno, carregava uma tensão palpável.


De repente, o silêncio foi quebrado por uma figura que emergiu da névoa ao redor. Um lobo negro angélico surgiu, sua presença irradiando luz e imponência. Suas asas delicadas, mas imensas, brilhavam como o céu estrelado, e sua voz ressoava como um eco divino.


— Atenção, alfas e vices! — anunciou o lobo angélico, sua voz profunda preenchendo cada canto da clareira. — Eu vos anuncio a chegada de vossa rainha.


Todos os presentes, incluindo Samuel, se alinharam, esperando pela aparição da soberana.


— Curvem-se diante de Sua Majestade, filha da Deusa da Lua, portadora de nossa luz e guardiã da esperança!


Ao comando, um portal se abriu no centro da clareira. Um brilho prateado tomou conta do ambiente, e a rainha surgiu majestosamente. Sua figura exalava poder e graça; um manto prateado caía de seus ombros, brilhando como a luz do luar. Seus olhos pareciam enxergar além da realidade, e sua aura pesava sobre todos como uma onda invisível.


Todos os presentes, até mesmo o lobo angélico, inclinaram-se profundamente em sinal de respeito. Samuel seguiu o gesto, mas em sua mente deixou claro que fazia isso apenas por consideração ao Alfa ao seu lado.


A rainha avançou lentamente até o centro da clareira, sua presença impondo silêncio absoluto. Seus lobos angélicos a acompanharam, formando uma guarda ao seu redor. Com passos graciosos, ela alcançou seu trono, esculpido em pedra e adornado por flores que se iluminavam com sua proximidade.


Ela se sentou com a postura de alguém que carrega o peso de um reino sobre os ombros. Seus olhos percorreram cada rosto presente, avaliando, ponderando, antes de finalmente falar.


— Levantem-se — ordenou ela, sua voz serena, mas cheia de autoridade.


Os lobos se ergueram, seus olhares voltados para a rainha, aguardando o início da reunião. A clareira, que antes parecia mágica e calma, agora era palco de uma tensão quase palpável, cada respiração pesada de expectativa.


— Agradeço por atenderem ao meu chamado — começou a rainha, sua voz ecoando pela clareira como um murmúrio de vento. — Muito foi discutido nos últimos dias sobre os perigos que enfrentamos. Hoje, devemos trazer à luz verdades ocultas e decidir os passos que darão forma ao nosso futuro.


Ela fez uma pausa, seus olhos brilhantes pousando em cada um dos presentes. Quando seu olhar encontrou o de Samuel, ele manteve sua postura firme, mesmo sentindo o peso da presença dela.


— Um espião foi descoberto em nosso território — continuou a rainha. — Um traidor que caminhava entre nós, mas que não pertence ao nosso povo. Ele trazia consigo segredos que, caso chegassem aos ouvidos errados, poderiam condenar não apenas esta alcateia, mas também outras que confiam na nossa proteção.


A clareira mergulhou em silêncio absoluto, exceto pelo leve farfalhar das folhas. O lobo angélico ao lado da rainha cerrou os dentes, sua fúria evidente no brilho de seus olhos.


— Quando soube que ele havia sido eliminado — prosseguiu a rainha, seu tom firme, mas com um leve traço de tristeza —, investiguei mais a fundo. Descobrimos que este homem, um humano, era um informante. Ele trabalhava para aqueles que desejam destruir o que construímos, apagar nossa luz e espalhar o esquecimento, os caçadores.


Samuel franziu levemente a testa, sem desviar o olhar dela. Ele sabia de quem a rainha falava: o homem que ele mesmo observou na floresta. Mas como ela sabia disso?


Um murmúrio baixo começou a se espalhar entre os alfas e vices presentes, enquanto o lobo angélico, claramente irritado, deu um passo à frente, sua voz carregada de indignação.


— Com todo respeito, Majestade, esse humano não deveria estar aqui. Como podemos confiar que ele não fará a mesma coisa que aquele humano?


O tom do lobo angélico cortava o ar como uma lâmina, mas Samuel permaneceu impassível. Ele ergueu o olhar para o lobo, encarando-o com uma tranquilidade desafiadora.


A rainha inclinou levemente a cabeça, seus olhos brilhando com determinação.


— Eu confio no que vejo — respondeu ela com firmeza. — E o que vejo é alguém que arriscou sua própria vida para proteger o que acreditamos. Samuel pode ser humano, mas provou ser mais lobo do que muitos de nós.


O lobo angélico apertou os dentes, mas não retrucou. O silêncio voltou a dominar o espaço, enquanto todos esperavam que a rainha continuasse.


— Além do espião, soubemos de algo ainda mais grave — ela prosseguiu. — Um lobo se infiltrou em nossa alcateia. Não sabemos sua identidade ainda, mas ele está aqui para nos dividir e distrair enquanto algo maior é planejado.


Um dos alfas, hesitante, ergueu a pata e perguntou:


— Como assim "algo maior"?


A rainha respirou fundo antes de responder:


— Esse é o principal motivo da minha vinda até aqui. Por informações obtidas e boatos que chegaram até nós, descobrimos que os caçadores estão elaborando um plano definitivo contra nós, lobos. Eles sabem que todas as alcateias estão reunidas e consideram isso uma desvantagem para nós.


— Não sabemos se isso é apenas uma estratégia para nos amedrontar ou se realmente estão organizando algo dessa magnitude. Mas devemos nos manter em alerta. Não podemos subestimar nossos inimigos.


O murmúrio entre os lobos cresceu, carregado de preocupação. Apesar de confiarem na proteção da rainha, sabiam que os caçadores eram um inimigo formidável.


— E se eles nos atacarem todos juntos? — indagou Lumaris, com a voz marcada por incerteza. — Eles são muitos em comparação a nós. Não poderíamos resistir a um ataque dessa escala.


A rainha ergueu o queixo, sua postura altiva e imponente.


— Eles acreditam que estamos vulneráveis por estarmos reunidos, mas é exatamente o oposto — ela afirmou, sua voz carregada de convicção. — Somos mais fortes juntos. Se eles vierem, estarão enfrentando um exército unido pela mesma causa, e isso será o erro deles.


A clareira voltou ao silêncio, a tensão aliviada apenas pela força nas palavras da rainha.


Ela então se virou para o lobo angélico, sua expressão séria e determinada.


— Prepare a alcateia para qualquer ataque — ordenou, sua voz firme cortando o ar. — Mandarei alguém interrogar o lobo infiltrado. Quero respostas o quanto antes.


O lobo angélico acenou com a cabeça em obediência, mas seu olhar continuou fixo em Samuel, carregado de desconfiança.


Antes de encerrar a reunião, a rainha caminhou em direção a Samuel, estendendo a pata com um pequeno cristal azul que flutuava levemente, envolto por uma aura brilhante.


— Tome isso, Samuel — disse ela, sua voz mais calma, mas carregada de autoridade. — Como você conquistou a confiança de grande parte da alcateia, quero que seja o responsável por interrogar o lobo infiltrado. Se precisar falar comigo, pressione este cristal. Ele foi encantado para alcançar minha presença.


Samuel aceitou o cristal sem hesitar, mas seu olhar permaneceu atento. Ele o observou brevemente antes de guardá-lo no bolso.


— Agradeço, Majestade — respondeu ele, a formalidade evidente em sua voz, embora sem entusiasmo. Em sua mente, a desconfiança sobre a rainha ainda o rondava.


Enquanto os lobos começavam a se dispersar, o lobo angélico permaneceu imóvel, lançando um olhar de ódio em direção a Samuel. Seus pensamentos ferviam com raiva e intenção.


— Ele não merece estar aqui — murmurou para si mesmo, cerrando os dentes enquanto caminhava lentamente em direção à rainha. — Isso não vai ficar assim.


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