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Samuel seguia pela floresta, tentando localizar o Alfa. O vento carregava um cheiro estranho de tensão no ar, e ele logo percebeu uma movimentação adiante. De forma discreta, aproximou-se da origem do barulho e se escondeu entre as sombras, observando e ouvindo atentamente.
— FOI AQUELE HUMANO, ALFA! TUDO CULPA DELE, EU AVISEI! — Gritava um lobo grande e imponente, que Samuel logo reconheceu como o Alfa Healer.
— Healer, controle-se! — Respondeu o Alfa com firmeza.
— Aqueles traidores sempre serão traidores! Agora querem nos derrubar, é inaceitável! — Healer continuava exaltado. — Devemos expulsá-los antes que seja tarde demais!
— Já chega! — Disse o Alfa, mantendo sua postura calma. — Não temos provas concretas de que foram eles. Ainda precisamos informar a rainha antes de tomar qualquer decisão precipitada.
— Você vai levar aquele humano com você, então! Quero que diga à rainha que isso é culpa dele! — Healer rosnou. — Ele me desrespeitou na frente dos outros alfas, e isso não vai ficar assim!
— Se você não consegue controlar suas emoções, sugiro que se retire agora mesmo. Não tenho tempo para lidar com explosões desnecessárias.
Healer lançou um olhar de fúria para o Alfa, mas se retirou resmungando baixinho, batendo as patas no chão em sinal de irritação. Assim que ele partiu, uma loba de pelagem prateada se aproximou do Alfa.
— Desculpe por Healer, ele só deve estar estressado com tudo isso... — Disse a loba suavemente.
— Selara, nós dois sabemos que o comportamento dele não é apenas estresse. Ele sempre foi impulsivo e teimoso. — Respondeu o Alfa. — Mas precisamos lidar com isso depois.
— E o humano, Samuel? — Perguntou Selara, hesitante. — Você realmente confia nele?
— Sim, e sugiro que você faça o mesmo. Samuel arriscou a própria vida por nós, mais de uma vez. Ele não merece ser julgado apenas por ser humano.
— Eu entendo... Obrigada por sempre estar disposto a ouvir, mesmo quando discordamos. — Disse Selara, tocando levemente a bochecha do Alfa com um gesto de carinho.
O Alfa suspirou e olhou para os arredores, em seguida falou com mais intensidade: — Samuel, pode sair agora. Sei que está aí.
Samuel, que observava silenciosamente, deu alguns passos à frente. Seu olhar era sério, mas ele não deixou de esboçar um pequeno sorriso ao ver a proximidade entre o Alfa e Selara.
— Essa é Selara, o motivo da minha pressa hoje de manhã. — Disse o Alfa com um tom brincalhão.
— Prazer. — Samuel cumprimentou com um leve aceno de cabeça.
A conversa rapidamente voltou ao tom sério, enquanto o Alfa explicava: — Quando a rainha souber do lobo infiltrado e do grupo que chegou, é provável que ela venha pessoalmente. A situação exige uma decisão dela.
— E o que aconteceu com o grupo e com o espião? — Perguntou Samuel.
— O grupo está separado dos demais, por segurança. É uma medida temporária, até que a rainha decida o que fazer. Quanto ao espião, ele está preso e sendo interrogado pelo Alfa Kai. — Respondeu o Alfa, com firmeza.
— Entendi. E agora, o que fazemos?
— Por ora, você deve descansar. Está ferido e precisa se cuidar. Não podemos arriscar outro confronto enquanto não soubermos se há mais infiltrados.
Samuel hesitou, mas concordou com um aceno.
— E Alex? Onde ele está? — Quiestiona o Alfa.
— Ele está na toca da Lumaris. Ele está seguro lá. — Garantiu Samuel. — Não se preocupe. — E quanto aos outros lobos da alcateia? Eles sabem do espião?
— Não, e quero manter assim. Divulgar isso só causaria pânico desnecessário. Além disso, muitos estão mais preocupados com você do que com qualquer outra coisa.
— Entendido. E você, o que fará agora?
— Vou falar com o líder do grupo recém-chegado. Depois disso, volto para dar notícias. — Respondeu o Alfa.
Selara se aproximou e se despediu dos dois. — Cuidem-se, ambos. Espero que tudo isso se resolva logo. — Disse antes de se retirar para sua própria alcateia.
— Vá para a toca e me espere lá, Samuel. Voltarei assim que possível.
Samuel assentiu e se virou para voltar. Em seu peito, um misto de preocupação e determinação crescia. Ele sabia que o tempo era crucial, mas por ora, tudo o que podia fazer era confiar nos outros.
Ao chegar à toca, ele se sentou, o cansaço finalmente o alcançando, e esperou pacientemente por alguma notícia.
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