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Enquanto caminhava, Samuel sentia uma fraqueza tomar conta de seu corpo. Ele sabia o motivo: salvar aquele filhote havia exigido mais de seus poderes do que imaginava.
— Me sinto fraco... — murmurou para si mesmo. — Igual à primeira vez. Achei que isso não fosse acontecer novamente. Parece que salvar vidas dessa forma drena mais do que estou preparado para dar.
Apesar da exaustão, ele decidiu procurar o Alfa, mas sua busca foi em vão. Após algum tempo sem sucesso, optou por retornar à toca, imaginando que o Alfa talvez já tivesse voltado.
No entanto, ao se aproximar, um arrepio percorreu sua espinha. A entrada da toca parecia mais escura do que o habitual, e havia sons... vozes abafadas, como um eco sombrio que reverberava em sua mente. Algo não estava certo.
— Que sensação estranha... — murmurou, hesitante.
De repente, uma voz familiar cortou a tensão.
— Saia daí, Samuel! — gritou o Alfa, sua voz carregada de urgência.
Antes que pudesse reagir, um lobo avançou das sombras, indo direto em direção ao pescoço de Samuel. Num reflexo rápido, ele ergueu o braço, permitindo que o animal o mordesse ali em vez de acertar um golpe fatal. A dor era evidente, mas Samuel manteve-se firme.
O Alfa, percebendo a situação, usou seus poderes, lançando uma energia contra o agressor, que caiu desacordado no chão. Ele se aproximou rapidamente de Samuel, visivelmente preocupado.
— Você está bem? Se feriu?
Samuel segurou o braço ensanguentado.
— Estou bem. Mas de onde ele saiu?
— Parece que ele veio do grupo de lobos que chegou hoje de manhã — disse o Alfa, cerrando os dentes. — Malditos traidores!
Samuel franziu o cenho, analisando o lobo caído.
— Não acho que seja tão simples. Ele não parece ser um deles. Talvez seja um espião.
O Alfa balançou a cabeça, discordando.
— Isso é impossível. Ele não teria entrado sorrateiramente sem que alguém o notasse. Preciso avisar os outros alfas imediatamente.
Nesse momento, lobos guerreiros chegaram, atraídos pelo alvoroço.
— O que aconteceu, senhor Alfa? — perguntou um deles, a tensão clara em sua voz.
— Este lobo é um infiltrado! Prendam-no e avisem aos outros alfas para ficarem em alerta. Possíveis espiões podem estar dentro da nossa alcateia.
— Entendido, senhor.
Os guerreiros arrastaram o corpo desacordado do lobo para interrogatório, deixando Samuel e o Alfa sozinhos novamente.
— Samuel, seu braço está sangrando muito. Isso é grave. Você precisa de um curandeiro agora.
— Estou bem — disse Samuel, tentando minimizar a situação. — Eles não são espiões.
— Por que está defendendo eles? — questionou o Alfa, com os olhos semicerrados.
— Porque eu sei que não são. Eles chegaram aqui completamente necessitados. Não faz sentido conspirarem contra nós. Confie em mim.
O Alfa suspirou, relutante.
— Está bem. Mas eles serão separados do resto por segurança. É o máximo que posso fazer.
Samuel concordou com um aceno, mas antes de partir, questionou:
— E sobre sua pressa hoje de manhã? O que aconteceu?
O Alfa desviou o olhar.
— Quando eu voltar, explico. Agora, vá cuidar desse braço.
Samuel observou o Alfa sair apressado, o sangue ainda pingando de seu braço ferido. Ele sabia que precisava de ajuda urgente.
— Isso parece grave, melhor procurar o Kuwabara.
Ao chegar na toca do Kuwabara, ele foi recebido pelo mesmo, que o olhou preocupado ao notar o ferimento.
— Samuel! O que aconteceu com você?
— Pode me ajudar? — perguntou, com a voz baixa.
— Claro, mas isso parece grave. Como conseguiu essa mordida?
— Foi um lobo, achamos que ele pode ser um espião.
— Um espião? — exclamou Kuwabara, incrédulo.
— Fale baixo. Não quero que o Alex nem os outros saibam disso.
Kuwabara assentiu e começou a tratar do ferimento, embora sua curiosidade fosse evidente.
— Você acha que pode haver mais deles? — perguntou enquanto trabalhava.
— Não sei, mas é uma possibilidade.
Após finalizar o tratamento, Kuwabara se inclinou para olhar Samuel nos olhos.
— E como vai explicar essa faixa no braço para o Alex?
— Não se preocupe. Só preciso que cuide dele e de sua família enquanto vou atrás do Alfa.
Kuwabara hesitou, mas concordou.
Samuel agradeceu e saiu, determinado a encontrar respostas. Enquanto caminhava, sentia a tensão crescer. Havia algo mais acontecendo, algo que o Alfa não estava dizendo, e ele precisava descobrir o que era.
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