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Samuel retorna à toca e encontra Alex já acordado, seus olhos brilhando ao ver o pai.
— Para onde você foi, pai? Por que não me acordou?
— Fui resolver algumas coisas agora de manhã. Desculpe não ter te chamado, lobinho.
— Ah, não tem problema. Foi tão urgente assim?
— Nem tanto. O importante é que deu tudo certo. Espero não ter te deixado esperando por muito tempo.
— Eu acordei agora. O senhor Alfa tava aqui antes de você chegar. Ele saiu tão apressado que parecia algo importante.
— Ele estava aqui? Estranho... Não demorei tanto para não vê-lo chegar nem sair.
Samuel franze o cenho, intrigado, mas logo afasta os pensamentos.
— Pai...
Samuel se vira olhando em direção do filhote.
— Posso ir até a toca da tia Lumaris e do tio Kuwabara?
— Claro que pode. Mas por quê?
— A tia Lumaris disse que quer me contar mais sobre a mamãe. Ela falou que tem algo dela pra me mostrar.
O rosto de Samuel suaviza com um sorriso.
— Tudo bem. Quer que eu te leve até lá?
Alex balança a cabeça afirmativamente, e os dois partem juntos.
Ao chegarem à toca de Lumaris, são recebidos calorosamente.
— Alex! — exclama Anne, correndo para abraçar o filhote.
— Que bom que vieram — diz Lumaris, olhando para Samuel. — Obrigada por deixar ele vir.
— Por que eu negaria? Você é a tia dele.
Lumaris sorri, mas logo muda de tom.
— Agradeço também pelo que você fez hoje cedo com aqueles lobos. Sinceramente, aquele Alfa já estava insuportável.
— Eu é que peço desculpas por minha falta de respeito. Fui imprudente.
— Nada disso, Samuel. Você só disse a verdade. A alcateia dele sofre com as regras rígidas que ele impõe.
Lumaris faz uma pausa antes de acrescentar:
— Aliás, o líder dos lobos que você ajudou, o Varnor, pediu para falar com você. Ele comentou que é algo importante. Eles se estabeleceram perto da toca da Anne.
— Sério? Obrigado por avisar.
Após mais algumas palavras, Samuel despede-se de Alex e parte para visitar os lobos refugiados.
Chegando lá, ele sente uma calma incomum. A sensação de paz que fluía entre os lobos contrasta com o caos que sentia mais cedo. Ele segue até onde os feridos estão sendo tratados e logo encontra o líder do grupo.
— Humano! — exclama Varnor ao notá-lo. — Filhotes, este é o humano que nos ajudou.
Os filhotes olham para Samuel com olhos brilhantes, um misto de curiosidade e admiração.
— Eu soube que você queria falar comigo.
Varnor baixa a cabeça, visivelmente aflito.
— É verdade... Mas... Não sei se é o momento certo. — Seus olhos caem sobre um filhote deitado, o menor e mais ferido do grupo.
Samuel se aproxima, a voz firme mas carregada de compaixão.
— Não existe um momento certo para a dor. Mas posso ajudar.
— Ele... Ele não vai sobreviver — sussurra o líder, a voz quebrada. — Eu o encontrei sem os pais, cuidei dele como um filho, mas os caçadores...
— Nenhum pai deveria assistir a isso. Mas você ainda pode lutar por ele, com esperanças.
— Lutar como? Não tenho mais forças...
Samuel ergue a mão, e uma pequena faísca de luz surge na ponta de seus dedos.
— Sabe o que é isso?
O lobo balança a cabeça negativamente, os olhos fixos naquela luz.
— Isso é esperança. Mesmo no escuro, mesmo no fim, ela é a centelha que mantém a chama acesa.
Samuel coloca a pata de Varnor sobre a luz e a guia até o peito do filhote. A faísca desaparece lentamente, e então algo extraordinário acontece. As feridas do filhote começam a cicatrizar diante de seus olhos, até que ele fica completamente curado.
— Co-como? — balbucia Varnor, lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Esperança — responde Samuel calmamente. — Não é apenas acreditar. É agir, mesmo quando tudo parece perdido.
Varnor se curva diante de Samuel, emocionado.
— Você... salvou meu filho. Como posso retribuir?
Samuel coloca a mão no ombro dele.
— Não me deve nada. Apenas continue liderando com fé, guiando os seus para a luz. Isso já é suficiente.
Varnor assente, ainda em lágrimas.
— Obrigado, Humano. Obrigado por ser um verdadeiro herói para nós...
Samuel sorri levemente.
— Esse é meu trabalho.
Samuel se despede e, enquanto se distanciava, Varnor o observava partir, sussurrando para si mesmo. "Você tem o meu respeito, humano..."
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