logo do projeto lunar

Capa
O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
35 |⭐️| A Voz da Compaixão
862 palavras • 5295 caracteres • ⏱ 3 min 27 s

35 |⭐️| A Voz da Compaixão

0
0
0

🐾────── 🐺 ──────🐾


Depois de uma longa noite, o sol começava a despontar no horizonte, lançando um brilho suave que filtrava pela entrada da toca. Samuel, no entanto, não havia pregado os olhos. Seu semblante estava carregado, e pensamentos densos o assombravam. Era algo diferente daquela vez; não era apenas uma preocupação comum, mas um sentimento intenso que o consumia por dentro. Não era esperança, tampouco angústia. Era como se ele estivesse absorvendo o medo de alguém, um eco de sofrimento que não era seu, mas que ressoava nele com força. 


Lá fora, um som crescente o tirou de seus devaneios. Havia vozes. Uma discussão fervorosa ecoava próxima à entrada da toca. Movendo-se com cuidado para não acordar Alex, ele se levantou e saiu para verificar. 


O que encontrou foi uma cena caótica. Uma multidão de lobos cercava o local, com alguns alfas e vices da região no centro do tumulto. A energia era tensa, carregada de hostilidade. No meio da aglomeração, um grupo de lobos se destacava. Eles estavam em condições deploráveis: corpos magros, feridos e exaustos, com o olhar marcado pela dor. 


Samuel aproximou-se, deixando que as palavras do debate o alcançassem. 


— Vocês não são bem-vindos aqui! — rosnou um dos alfas, cheio de desdém. — O que estão fazendo? Voltem para onde vieram! 


— Não podemos voltar! — respondeu um dos lobos, aparentemente o líder daquele grupo. Sua voz era desesperada, mas firme. — Não temos mais para onde ir! 


— Deveriam ter pensado nisso antes de se rebelarem contra nós! Vocês não merecem ajuda depois do que fizeram. 


— Nós não temos culpa! — implorou o lobo. — Foi o nosso Alfa que tomou as decisões erradas! Por favor, ao menos acolham os filhotes. Eles não têm culpa disso! 


— Nada feito! — rugiu outro Alfa. — Vocês não são mais nossos aliados. 


A Alfa Lumaris deu um passo à frente, impondo-se com sua autoridade. 


— Silêncio, Healer! Quero ouvir o motivo. Por que vocês decidiram vir até nós? O que aconteceu com sua alcateia? 


O lobo abaixou a cabeça, a voz falhando em meio à dor. 


— Fomos atacados pelos caçadores. Eles nos pegaram desprevenidos... foi uma emboscada. Nossa alcateia foi devastada. Muitos foram capturados ou mortos. Só conseguimos escapar com muito sacrifício. Sabemos que vocês têm resistido, que vocês têm esperança. Por favor... deixem-nos fazer parte disso. 


As palavras foram recebidas com desprezo por alguns alfas. 


— Esperança? Vocês só vêm agora, de joelhos, implorando? Quanta hipocrisia! 


A discussão continuava, mas algo desviou a atenção de Samuel. Aquele sentimento de medo voltou a pulsar com intensidade em seu peito. Ele vasculhou a multidão com os olhos, tentando identificar a fonte. Foi então que o viu. 


Entre o grupo de refugiados, um filhote chamava sua atenção. Suas patinhas estavam machucadas, e seu pequeno corpo trazia hematomas profundos. Ele tremia de medo, seus olhos cheios de pavor, mas vazios de lágrimas, como se já não houvesse mais forças para chorar. 


Samuel sentiu uma onda avassaladora de visões. Elas vinham do filhote. Ele viu, como se estivesse lá, cada golpe que ele havia sofrido, cada instante de dor e humilhação. Viu cenas de abuso e crueldade, onde o pequeno era pisoteado e chutado até perder os sentidos. Aquelas imagens eram quase insuportáveis, mas Samuel manteve-se firme. 


Tomado pela indignação, ele avançou. 


— Chega! — Sua voz cortou o ar, e a multidão se calou imediatamente. 


Os alfas se viraram para ele, surpresos com sua intervenção. 


— O que faz aqui, Samuel? — questionou Lumaris.


— Tentando fazer o que vocês deveriam estar fazendo — respondeu ele, a voz firme e penetrante. — Olhem para eles! Vocês não enxergam? São lobos como vocês! Estão feridos, famintos e sem esperança. 


Um dos alfas tentou rebater. 


— Eles se rebelaram! Traíram nossa confiança. Não há mais lugar para eles aqui. 


Samuel deu um passo à frente, encarando-o diretamente. 


— E quem é você para julgar? Não importa o que aconteceu no passado. Você não têm o direito de ignorar o sofrimento deles agora. 


— Você não é um Alfa! Não pode tomar decisões aqui! 


Samuel o fitou intensamente, sua voz carregada de convicção. 


— Não sou um Alfa, mas se fosse, faria muito mais pelo meu povo do que você jamais fez. E faria isso porque entendo o que significa cuidar daqueles que precisam. 


A tensão atingiu seu ápice. O Alfa tentou responder, mas foi interrompido por Lumaris e Kai, que deram um passo ao lado de Samuel, mostrando apoio silencioso. O outro lobo recuou, constrangido, e se retirou sem dizer mais nada. 


O líder dos refugiados olhou para Samuel, os olhos brilhando de gratidão. 


— Obrigado... humano. Obrigado por acreditar em nós. 


Samuel balançou a cabeça. 


— Não precisam me agradecer.


Com a aprovação de Lumaris, os refugiados foram acolhidos, recebendo abrigo e comida. Enquanto isso, Samuel observava o pequeno filhote ser levado com cuidado por uma loba que prometeu cuidar dele.


Seus pensamentos finalmente se dissiparam, como se aquela decisão tivesse sido a coisa certa a fazer. Lembrando-se de Alex, ele caminhou de volta para a toca, ansioso para ver se o filhote já havia acordado.


🌙────── 🐾 ──────🌙



Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.