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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
34 |⭐️| Fragmentos de Esperança
681 palavras • 4013 caracteres • ⏱ 2 min 43 s

34 |⭐️| Fragmentos de Esperança

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Horas haviam se passado quando o Alfa retornou à toca. Sua expressão estava carregada, um reflexo do peso que trazia consigo. Samuel e Alex aguardavam silenciosamente.


— Como foi? — Samuel perguntou, quebrando o silêncio com delicadeza.


O Alfa suspirou profundamente antes de responder.


— Encontraram o corpo dele na floresta. O sangue ainda estava quente... foi recente.


Samuel permaneceu em silêncio, ouvindo atentamente enquanto o Alfa continuava.


— Os lobos acreditam que foi obra dos caçadores, mas não havia nenhum vestígio deles por lá. Nenhum rastro. Apenas ele... sozinho.


O Alfa se aproximou e sentou-se ao lado de Samuel e Alex. Apesar de sua postura firme, seu olhar revelava a exaustão de uma longa batalha que parecia nunca terminar.


— Sempre que pensamos ter encontrado um momento de paz... de alegria... os caçadores voltam. Eu só consigo pensar no fim dessa guerra. Nosso povo já sofreu demais, Samuel. Perdas, dor, medo... é tudo o que conhecemos.


Samuel esperou por um instante, observando o Alfa que, mesmo cansado, carregava uma chama de resiliência.


— Você sabe que todos nós estamos aqui por sua causa, não é? — continuou o Alfa. — Naquele ataque... se não fosse por você, jamais teríamos vencido.


— Essa luta não é só minha — respondeu Samuel, sua voz firme, mas gentil. — Todos vocês resistiram porque acreditaram. Porque, no fundo, mesmo em meio à escuridão, ainda havia esperança.


O Alfa suspirou, refletindo nas palavras de Samuel.


— Tenho esperança de que o fim dessa guerra está próximo. Mas, às vezes, me pergunto como serão nossas vidas depois de tanto sofrimento.


Samuel observou Alex adormecido ao seu lado, antes de responder.


— A vida daqueles que sobreviveram a esta guerra pode não ser fácil no início. Haverá lembranças difíceis de esquecer e cicatrizes que levarão tempo para curar. Mas será um novo começo, Alfa. Uma nova oportunidade de viver, principalmente para os mais jovens. Eles não carregarão o peso que nós carregamos. Eles conhecerão um mundo diferente, livre dos horrores desta guerra.


As palavras de Samuel pareciam pairar no ar, envolvendo o Alfa com um misto de consolo e esperança.


— Às vezes, tudo o que desejamos — continuou Samuel — é ver o sorriso de uma alma jovem e inocente. Um sorriso que não conhece o peso da tristeza que carregamos.


O Alfa baixou a cabeça, absorvendo cada palavra.


— O futuro é incerto, mas enfrentá-lo, mesmo com o coração marcado pela dor, é o que nos dá forças. É o que nos lembra que podemos construir algo melhor. E é isso que devemos buscar.


O Alfa levantou o olhar, grato, e respondeu com um aceno de cabeça.


— Suas palavras sempre encontram um jeito de nos lembrar por que continuamos.


Samuel sorriu levemente.


— Por que não descansa um pouco? — sugeriu Samuel.


— Não posso. Tenho uma reunião com os outros alfas para discutir a morte daquele humano.


Samuel levantou suavemente a mão, hesitando por um momento antes de perguntar:


— Posso?


O Alfa, surpreso pela gentileza do gesto, balançou a cabeça em afirmação.


Samuel o acariciou levemente, deslizando os dedos pelo pelo espesso e marcado por batalhas. Aos poucos, as preocupações do Alfa pareciam se dissipar naquele gesto.


— Obrigado, Samuel. Eu precisava disso mais do que imaginava.


— Não há de quê. Às vezes, pequenos momentos como esse são o que nos mantêm firmes.


O Alfa se levantou, respirando profundamente, e saiu da toca.


Samuel olhou para Alex, que dormia tranquilo ao seu lado, completamente alheio ao peso que o mundo carregava. Um sorriso discreto cruzou os lábios de Samuel enquanto ele alisava o filhote.


— Espero que ele tenha se divertido hoje — murmurou Samuel, mais para si mesmo do que para qualquer outro.


Seus olhos se voltaram para a entrada da toca, onde a noite já se instalava. As estrelas no céu pareciam brilhar um pouco mais naquele momento, como se quisessem confirmar o que ele sentia.


— Esperança... — sussurrou Samuel, com os olhos fixos no horizonte, onde um novo dia eventualmente surgiria.


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