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Quando Samuel e Alex se aproximaram da toca do Sam, notaram a presença de mais um lobo além do Sam e Kuwabara. Era o Alfa Kai, um lobo de pelagem pálida, com algumas cicatrizes profundas que marcavam sua jornada. Seus olhos, firmes e observadores, pareciam carregar o peso de decisões difíceis.
Assim que chegaram, foram recebidos com entusiasmo pelos lobos.
— Obrigado por vir! Espero que não tenhamos sido rudes em chamá-lo assim de repente. — disse Sam, ansioso.
— Está tudo bem, mas só me chamaram para ver meus poderes? Não precisava de tanta cerimônia. — Samuel respondeu, olhando para o grupo.
Kuwabara deu um passo à frente, parecendo animado demais para esconder seus pensamentos.
— Eu já vi você usando seus poderes antes, mas... quando derrotou aqueles caçadores sozinho... foi simplesmente incrível!
Samuel suspirou, desviando o olhar.
— Vocês dois não têm mais nada para fazer, não? Deviam estar cuidando da Anne e da Lumaris. Principalmente você, Kuwabara. Seu filhote ainda é recém-nascido.
O comentário direto fez ambos ficarem visivelmente desconcertados. Foi o Alfa Kai quem quebrou o silêncio constrangedor, assumindo a liderança da conversa.
— Perdoe-os, Samuel. Na verdade, fui eu que insisti para chamá-lo aqui. Não sempre temos a oportunidade de presenciar alguém como você em ação. Para nós, é uma chance única ver o poder do humano que derrotou dezenas de caçadores de uma só vez.
Samuel ponderou por um momento, cruzando os braços antes de suspirar novamente.
— Está bem. Não negarei o pedido de vocês, mas da próxima vez, tentem ser mais... discretos, tudo bem?
Sam e Kuwabara assentiram rapidamente, aliviados. Samuel então abaixou-se, pegando Alex cuidadosamente de seus ombros e colocando-o no chão. Ele se sentou próximo ao filhote e gesticulou para que os outros também se sentassem.
— Antes de começarmos, quero deixar algo claro. Não vou demonstrar como meu poder destrói, mas sim como ele traz vida.
As palavras de Samuel ecoaram como uma promessa, capturando a atenção de todos. O Alfa Kai inclinou levemente a cabeça, intrigado.
— Como assim? — perguntou ele.
— O poder, seja de onde vier, carrega uma essência. No meu caso, essa essência é algo que transcende a força.
Ele ergueu lentamente a mão, e uma esfera brilhante flutuou acima dela. A luz brilhava suavemente, emanando calor e uma tranquilidade que parecia envolver todos ao redor.
— Esta é a base do meu poder: esperança.
Kuwabara arqueou as sobrancelhas, fascinado.
— Esperança?
Samuel continuou, passando a outra mão sobre a esfera, que começou a mudar de forma. Primeiro, transformou-se em uma memória viva: um momento feliz entre dois lobos brincando em uma clareira.
— A esperança nasce das memórias que nos trazem luz, mas também das palavras, das pessoas e até dos próprios desafios que enfrentamos.
A esfera voltou a mudar, desta vez assumindo a forma de um pequeno broto que rapidamente floresceu em uma flor luminosa.
— O poder da esperança é transformar. Ele não destrói, mas dá a chance de um novo começo.
Samuel então dividiu a esfera em pequenos fragmentos, entregando cuidadosamente um a cada lobo presente. Cada fragmento brilhou com intensidade única, assumindo formas que refletiam as aspirações mais profundas de quem o segurava.
— Enquanto o mundo mudar, enquanto o tempo passar, sempre haverá histórias que merecem ser contadas. A esperança é o fio que conecta o passado ao futuro.
Os fragmentos começaram a se desfazer em partículas brilhantes, iluminando os rostos emocionados dos lobos ao redor. O Alfa Kai, tocado pela profundidade das palavras de Samuel, inclinou a cabeça em um gesto de respeito.
— Samuel... suas palavras alcançaram algo que muitos de nós esquecemos. Obrigado por nos lembrar do que realmente importa.
Samuel sorriu levemente, mas permaneceu firme.
— Não precisam me agradecer. Só quero que nunca deixem de acreditar. A esperança é o que nos mantém vivos, mesmo diante do impossível.
O Alfa Kai deu um passo à frente e se despediu.
— Hoje, você não apenas ganhou meu respeito, mas o de todos os lobos. Continue guiando-nos com essa luz.
Assim que o Alfa Kai desapareceu em um portal mágico, Samuel virou-se para Kuwabara e Sam, que ainda estavam processando o que haviam presenciado.
— E vocês dois? Não têm algo mais útil para fazer? Cuidem de suas famílias antes que eu...
— Certo, certo... Já estamos indo. — Kuwabara respondeu, enquanto ambos saíam apressados.
Samuel então voltou-se para Alex, que ainda segurava um pequeno fragmento de luz em suas patas antes de vê-lo desaparecer em pó dourado.
— Sempre acredite, lobinho. Mesmo quando tudo parecer desabar, acredite em um novo começo.
Alex sorriu levemente e concordou.
— Vamos? Ainda temos uma tarde inteira pela frente.
Pai e filho seguiram juntos de volta para a toca, iluminados por uma sensação de renovação e propósito.
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