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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
30 |⭐️| Sombras da Verdade
765 palavras • 4449 caracteres • ⏱ 3 min 04 s

30 |⭐️| Sombras da Verdade

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O tempo passou, e Alex estava exausto. A caminhada havia sido tão animada que ele mal conseguia se manter de pé, ofegante depois de correr e pular sem parar.


— Parece que você gastou toda a sua energia, não é? — disse Samuel com um sorriso suave, observando o pequeno lobo tentando recuperar o fôlego.


Samuel se aproximou e passou a mão sobre a cabeça de Alex, afagando-o com carinho.


— Vamos voltar para a toca — sugeriu, mas Alex ergueu o rosto com um brilho de expectativa nos olhos.


— Podemos visitar meus tios, a Lumaris e o Kuwabara? — pediu Alex, a cauda balançando devagar.


Samuel assentiu sem hesitar, apreciando a pureza do pedido.


— Claro, vamos.


Enquanto caminhavam, algo incomodou Samuel. O ambiente estava estranho. As árvores pareciam mais sombrias e não havia nenhum sinal dos outros lobos. Um vazio inquietante permeava o ar, mas ele decidiu ignorar a sensação, não queria preocupar Alex.


Chegaram à entrada da toca de Lumaris e Kuwabara, mas algo estava errado. Não havia ninguém ali para recebê-los. Alex, sem esperar por Samuel, correu para dentro.


— Alex? — chamou Samuel, mas o filhote já havia desaparecido na escuridão.


Samuel seguiu atrás dele. O interior estava escuro demais. Ele estalou os dedos e conjurou uma lanterna de luz suave, iluminando o caminho à frente.


— Isso é estranho... — murmurou para si mesmo. — Não sinto nada aqui. Não parece um sonho... nem mesmo um pesadelo.


Ele avançou cautelosamente, atento ao menor som, mas o silêncio era absoluto. Então, ao longe, notou uma imagem distorcida na escuridão, como uma fenda na realidade. Aproximou-se, abrindo-a com cuidado. Do outro lado, uma floresta densa se revelou. E passos. Não eram de lobo, mas sim de humanos.


Samuel permaneceu oculto, observando em silêncio. Um homem surgiu, seguido por dois caçadores. A conversa que se desenrolou diante de seus olhos trouxe um peso inesperado.


— Você acha que o nosso senhor está satisfeito com a nossa derrota? — perguntou um dos caçadores, a voz tensa, mas firme.


— Eu cumpri minha parte! Dei a localização dos lobos! Quero minha filha de volta! Esse era o trato! — suplicou o homem, a voz embargada de desespero.


Um silêncio pesado pairou no ar. O segundo caçador hesitou antes de falar, a expressão de dor evidente em seu rosto.


— Nós sabemos, mas não é tão simples assim. Ele não perdoa fracassos. Se não obedecermos, nossas famílias também pagam o preço.


O homem se ajoelhou, desesperado, com as lágrimas ameaçando cair.


— Eu traí aqueles lobos por vocês! Fiz o que pediram! Eu só quero minha filha!


O primeiro caçador desviou o olhar, apertando a arma nas mãos.


— Nós também temos famílias, e sabemos o que ele faz com quem falha... — A voz dele vacilou. — Sinto muito...


Antes que pudesse dizer mais, o segundo caçador abaixou a cabeça, os ombros tensos.


— A filha dele já estava morta. Não havia mais esperança.


O primeiro caçador fechou os olhos, respirando fundo, lutando contra o remorso.


— Isso não precisava acontecer desse jeito...


— Precisava — respondeu o outro. — Se o senhor soubesse que deixamos ele viver, nós dois estaríamos mortos. Ele não perdoa, você sabe disso.


Samuel, observando, sentiu uma onda de compreensão e tristeza. Esses homens não eram apenas inimigos frios. Eles também eram vítimas, presos em um ciclo de medo e obediência. "Eles não querem fazer isso. Mas são obrigados. O Alfa estava certo. Nem todos os humanos são maus."


A fenda começou a se fechar lentamente, devolvendo Samuel à escuridão. Seus pensamentos, porém, permaneciam agitados. Ele ouviu então a voz de Alex ao longe, chamando-o.


— Pai? Onde você está?


Seguindo a voz, ele encontrou uma luz e, ao atravessá-la, estava de volta à clareira, com Alex ao seu lado.


— Pai? Seus olhos estavam brilhando! O que aconteceu?


Samuel sorriu, a voz mais leve.


— Acho que dormi sentado. Desculpe, lobinho.


Alex riu, apoiando a cabeça na perna de Samuel.


— Seus olhos pareciam vagalumes! Foi engraçado.


Samuel acariciou a cabeça do pequeno lobo com carinho.


— Que bom que se divertiu. Acho que está na hora de voltar para casa. Que tal?


Alex hesitou.


— Podemos passar na toca dos meus tios?


Samuel respirou fundo, disfarçando a preocupação.


— Mais tarde, prometo.


Alex sorriu, aceitando a resposta.


— Tá bom.


Eles se levantaram e, lado a lado, começaram o caminho de volta. Samuel lançou um último olhar para a floresta atrás de si, questionando sobre a verdadeira face dos caçadores.


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