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O dia amanheceu nublado, com nuvens suaves cobrindo o céu, mas o ambiente parecia tranquilo, como se o mundo estivesse tomando fôlego após os eventos recentes. A brisa fria acariciava a terra, e o som distante dos pássaros preenchia o silêncio. Samuel estava reunido com o Alfa, discutindo o ocorrido do dia anterior.
— Ela só disse essas palavras? Por que não veio me chamar? — questionou o Alfa, sua voz firme, mas não rude.
Samuel suspirou, encarando o chão por um momento antes de responder:
— Não achei que fosse necessário. Além do mais, pela rapidez com que ela partiu, parecia que estava apenas de passagem.
O Alfa franziu o cenho.
— Poderia ser algo importante. Não se trata apenas de "te ver", Samuel.
Samuel ergueu os olhos, sua expressão séria.
— Eu entendo que talvez tenha sido rude, mas não iria mentir sobre o que aconteceu.
O Alfa deu um passo à frente, o olhar mais suave.
— Ela disse que viria te ver hoje, então esteja pronto. E, pelo amor de tudo, peça desculpas pelo jeito como a tratou. Não custa mostrar respeito.
Samuel fechou os punhos levemente.
— Não vou pedir desculpas. Não menti. A única coisa de que me arrependo foi ter feito isso na frente dos outros... especialmente do Alex.
O Alfa soltou um suspiro profundo.
— Tudo bem, mas não cometa mais erros assim. Eu tenho uma reunião com os outros alfas pela manhã. Quero que fique aqui e cuide dos outros.
Samuel assentiu, mais tranquilo.
— Ótimo. Qualquer coisa, sabe onde me encontrar. — disse o Alfa, virando-se para sair da toca.
Samuel observou a figura do Alfa desaparecer na saída e refletiu. "Talvez ele tenha razão. Ela veio até aqui apenas para me ver... mas o que ela realmente quer de mim?" Ele fitou suas mãos, sentindo o peso do pensamento.
Nesse momento, uma voz alegre quebrou o silêncio:
— Bom dia, pai! — Alex exclamou, cheio de energia.
Samuel sorriu suavemente ao ver Alex despertar tão animado.
— Acordou cedo? Bom dia, lobinho.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Alex pulou em cima dele com entusiasmo, derrubando-o no chão.
— Obrigado pela festa! Eu adorei! — disse Alex, lambendo o rosto de Samuel com alegria.
Samuel riu, acariciando a cabeça de Alex.
— Não precisa agradecer, lobinho. Você merece. — respondeu ele com carinho.
Alex balançava o rabo com tanto entusiasmo que parecia não conseguir se conter. Logo, saltou de cima de Samuel, que se levantou, ainda sorrindo.
— Que tal darmos uma volta? — sugeriu Samuel. — O dia está bem calmo hoje.
— Sim! — respondeu Alex, correndo animado até a entrada da toca.
Samuel pegou a mochila e, juntos, saíram para uma caminhada tranquila. O ar fresco enchia seus pulmões e os dois andavam lado a lado, cercados pelo murmúrio suave das árvores balançando ao vento. Alex corria de um lado para o outro, farejando cada arbusto com curiosidade.
Chegaram a uma clareira onde os primeiros raios do sol, tímidos, atravessavam as nuvens, lançando um brilho dourado sobre a grama orvalhada.
— Que lugar lindo! — disse Alex, ofegante, mas radiante.
Samuel sentou-se na grama, observando o céu.
— Sim, às vezes momentos tranquilos como este são inesquecíveis.
Alex deitou ao lado dele, encarando o céu.
— Pai... você acha que essa guerra vai acabar logo?
Samuel fez uma pausa, o olhar fixo no horizonte. Sua voz saiu firme, mas suave.
— Vai acabar. Eu prometo que farei tudo para que isso aconteça.
Alex o encarou, os olhos brilhando com confiança.
— Eu acredito em você.
Após um momento de silêncio, Alex hesitou, mas perguntou:
— Pai...
— Oi?
— Posso te perguntar uma coisa?
— Claro que pode.
— Eu nunca perguntei... de onde você veio?
Samuel refletiu, escolhendo cuidadosamente as palavras.
— Vim de um lugar distante, bem diferente daqui.
— Sério?
— Sim. Não havia magia lá, nem felicidade. Era um lugar escuro e cruel.
Alex abaixou as orelhas, preocupado.
— Sinto muito por perguntar...
Samuel sorriu, acariciando a cabeça dele.
— Está tudo bem. Aquele lugar me ensinou que, mesmo na escuridão mais profunda, sempre há esperança. Uma luz esperando para brilhar. E sabe o que trouxe a minha luz de volta?
Alex piscou, curioso.
— O que foi?
Samuel sorriu, o olhar cheio de ternura.
— Você.
— Eu? — Alex perguntou, envergonhado e alegre ao mesmo tempo.
Samuel riu suavemente ao ver Alex esconder o rosto entre as patas.
— Você é minha esperança, Alex. Sempre será.
Samuel o observou, o coração cheio de amor. "Não importa o que aconteça, sempre estarei ao seu lado, meu filhote."
A brisa sussurrava entre as árvores, embalando pai e filho naquele momento de paz. O mundo ao redor parecia distante, mas Samuel sabia que, por ora, isso era tudo o que importava.
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