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Um sentimento enorme crescia dentro de Samuel, algo intenso, mas também familiar, embora difícil de definir. Ele correu pela floresta até a entrada da alcatéia, onde encontrou lobos reunidos com o Alfa, formando uma linha defensiva. A tensão pairava no ar. O Alfa percebeu a presença de Samuel e rapidamente o questionou:
— O que está fazendo aqui, Samuel? Eu mandei você ficar com os outros para protegê-los!
— Eu não posso ficar esperando enquanto minha família corre perigo. Não vou deixar que ninguém os machuque de novo. Nunca mais!
O Alfa viu a determinação nos olhos de Samuel e suspirou, compreendendo a profundidade daquela decisão.
— Está bem, então lute por eles com tudo o que tem.
Antes que o Alfa pudesse dizer mais alguma coisa, um estrondo cortou o silêncio. No horizonte, uma horda de caçadores surgiu, rasgando a floresta. Entre eles, destacava-se o capitão, acompanhado por dois lobos submissos, que havia capturado e obrigado a traírem sua própria espécie. O capitão avançou, sua expressão carregada de desprezo.
— Olha só... Achei que vocês tinham se escondido bem, mas nada que um pouco de pressão não resolva, — declarou ele, com um sorriso maligno. — Agora, sejam espertos. Rendam-se, ou vou fazer com que cada um de vocês sofra antes de morrer.
O Alfa avançou para encará-lo de frente, seu olhar desafiador, voz firme.
— Se render? Jamais. Não vamos nos curvar a um líder insano e sanguinário. Lutaremos até o fim.
O capitão sorriu com desprezo. — Tudo bem, se é isso que querem... Já que escolheram a morte, vou fazer com que seja uma cena inesquecível. Ele fez um gesto e ordenou que o exército avançasse, exigindo que deixassem o Alfa vivo para assistir ao massacre.
Samuel sentiu o medo dos lobos à sua volta. Mas dentro dele, aquela emoção desconhecida começou a se transformar em algo mais. Em sua mente, uma imagem brilhante se formou: Alex, brincando inocente e feliz, correndo e rindo. Ele se lembrou das palavras do filhote, com a voz doce ecoando na sua memória: "Pai, eu te amo."
Naquele instante, tudo fez sentido. Seu coração se encheu de amor — amor tão profundo que se transformou em uma força pura, uma chama incandescente que parecia pulsar de dentro para fora. Os olhos de Samuel brilharam, e uma energia inacreditável tomou conta dele. Ele sabia o que precisava fazer.
Samuel avançou, e o Alfa o observou, espantado. Ele se posicionou na linha de frente, sua determinação implacável. Ao vê-lo, o capitão riu.
— Um humano defendendo lobos? Que piada. Quer dar uma de herói, é?. Antes que pudesse terminar, Samuel se lançou contra ele com uma velocidade assustadora, cortando o pescoço do capitão com um golpe preciso.
O corpo do líder caiu ao chão, os olhos arregalados e sem vida. Os caçadores recuaram por um momento, incrédulos, mas logo avançaram, disparando suas armas. Samuel desviou com agilidade, quase como se estivesse em um estado sobre-humano. Cada movimento parecia carregado de poder e propósito, como se a própria natureza o guiasse.
Os lobos observavam, paralisados pelo espanto. Samuel parecia invencível, sua força tão devastadora que ele derrubava um caçador atrás do outro, como se fossem folhas secas ao vento. Mesmo quando alguns tiros o acertavam, ele continuava em pé, o rosto determinado e feroz.
Percebendo a coragem do jovem, o Alfa ergueu a voz e ordenou aos outros lobos que se juntassem à batalha. Um rugido uníssono ecoou, e os lobos avançaram com uma força renovada. O combate se intensificou, com lobos e caçadores em uma dança mortal de ataques e defesas.
Samuel, mesmo ferido, liderava o ataque, e os caçadores, que antes avançavam com arrogância, começaram a hesitar. Por um instante, a vitória parecia possível. Os lobos, que antes só conheciam o medo, agora sentiam o gosto da resistência. Sob a liderança e o sacrifício de Samuel, uma nova chama de esperança se acendeu.
Quando os caçadores restantes perceberam que a derrota era iminente, já era tarde demais. Um a um, foram caindo, até que só restou um dos lobos submissos, rendido e arrependido. Pela primeira vez, os lobos haviam vencido.
Samuel caiu de joelhos, exausto, o corpo coberto de ferimentos e sangue. Mas enquanto o Alfa se aproximava, ele encarava suas mãos, sabendo que, agora sua família estava segura. Suas últimas palavras , antes de desmaiar, foram: "Me desculpem... eu não vou conseguir voltar..."
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