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Após várias horas de caminhada, a alcatéia chega a uma floresta nevada, que caracteriza a região sul. Samuel percebe que Alex está exausto e, com um gesto cuidadoso, decide carregá-lo nos braços. Ao sentir o peso do filhote, Samuel se preocupa com o restante do grupo e se aproxima do Alfa.
— Ainda falta muito para chegarmos? — pergunta Samuel, com um tom de preocupação. — Acho que os outros devem estar cansados de tanto caminhar.
— Estamos quase lá — responde o Alfa, com um olhar tranquilizador. — Não se preocupe, nós lobos estamos acostumados com longas jornadas. Mas se você estiver cansado, podemos fazer uma pausa.
— Eu estou bem — Samuel diz, ajustando Alex em seus braços e forçando um sorriso, mas a preocupação em seu olhar é evidente.
Enquanto continuam a caminhada, Samuel sente uma estranha sensação de estar sendo observado. Ele olha ao redor, mas tudo o que vê são os outros lobos da alcatéia. Procurando discretamente, nota algo peculiar: um lobo com marcas estranhas nas costas, que se move silenciosamente entre os demais. Antes que Samuel consiga observar mais de perto, um barulho à frente desvia sua atenção. Quando ele olha de volta, o lobo já desapareceu. "Essa sensação... é a mesma que senti quando encontrei aquela sombra no dia do ataque", reflete, uma nuvem de apreensão pairando sobre ele.
Samuel olha para o filhote em seus braços e decide deixar isso de lado por enquanto. Não vou me preocupar com isso agora, especialmente com Alex aqui. Eles continuam seguindo o Alfa pela floresta coberta de neve, o som dos passos dos lobos criando um ritmo suave na noite silenciosa.
Depois de algum tempo, a alcatéia finalmente chega à entrada de seu novo lar. São recebidos por alguns lobos guerreiros, cuja postura firme e vigilante é reconfortante.
— Sejam bem-vindos! Estávamos aguardando a chegada de vocês. Eu sou Felix, e vou guiá-los. Por favor, entrem — diz um lobo, sua voz ressoando com autoridade.
O grupo segue Felix até o interior da nova alcatéia. Aquele lugar é vasto, com várias tocas, um ambiente frio e coberto de neve, mas também cheio de vida. Um grande rio corta a região, e perto dele, uma estátua da Deusa Lua se ergue, imponente e serena, como uma guardiã silenciosa.
Enquanto Felix apresenta o local, Samuel percebe alguém vindo em sua direção. Ao focar a visão, reconhece quem é.
— Samuel? — uma voz familiar o chama, trazendo um sorriso ao seu rosto.
— Samuel! Não acredito que é você! — diz Kuwabara, surpreso. — Você sumiu naquela noite. Como está? Vejo que você se curou bem dos ferimentos, meu amigo.
— Estou bem, deixei uma pequena lembrança de agradecimentos antes de partir naquela noite. Espero que tenha gostado — responde Samuel, aliviado ao encontrar um rosto conhecido.
— Claro que gostei! Embora não fosse necessário, aqueles chocolates eram deliciosos — diz Kuwabara, rindo, e a alegria em sua voz alivia um pouco a tensão acumulada em Samuel.
— E Lumaris? Como ela está? — pergunta Samuel, ansioso.
— Está bem. Deve estar descansando na nossa nova toca. Não pode se esforçar muito agora — responde Kuwabara.
— Ela está bem? — Samuel pergunta, a preocupação transparecendo em seu tom.
— Nada de grave. Ela está grávida, e por isso precisa de descanso. Está quase na hora do filhote nascer — revela Kuwabara com um brilho nos olhos.
— Ela ainda guarda ressentimentos de mim? — Samuel questiona, hesitante, temendo a resposta.
— Não se preocupe, ela sabe que você não foi o culpado. Aliás, por que não nos visita mais tarde? Ela ficaria muito feliz — sugere Kuwabara, com um sorriso encorajador.
Samuel acena com a cabeça, concordando.
— Ótimo! — exclama Kuwabara, e então nota Alex ao lado de Samuel. — E quem é esse?
— Este é Alex — responde Samuel, orgulhoso.
— Uau! Ele é incrível! Ah, agora me lembro, você disse que ele era o filhote da Lua. Isso significa que ele é meu sobrinho? — diz Kuwabara, com empolgação, sua animação contagiando Alex, que observa com curiosidade.
— Talvez? — Samuel responde, rindo levemente.
— Que fantástico! Prazer em conhecê-lo, Alex! — diz Kuwabara, animado, enquanto Alex sorri timidamente.
— Acho melhor você voltar para Lumaris. Os outros também devem estar esperando a gente — sugere Samuel, lembrando-se da urgência da situação.
— Não se preocupe com isso. Eu vou mostrar a vocês onde irão ficar. Lumaris está descansando, então está tudo bem — diz Kuwabara, assumindo a liderança com confiança.
Samuel, Alex e Kuwabara se juntam ao Alfa e à alcatéia. Ao se aproximarem, Kuwabara despede-se de Felix, que obedece obedientemente. O Alfa, observando Kuwabara, pergunta a Samuel:
— Quem é esse lobo?
— Ele foi quem me salvou no dia do ataque — responde Samuel, sentindo uma onda de gratidão.
— Ele me parece familiar — diz o Alfa, pensativo.
Kuwabara, ouvindo a conversa, interpõe-se.
— Meu nome é Kuwabara. Prazer em conhecê-lo — ele diz, estendendo uma reverência sutil.
— Hum... Prazer. Alfa — responde o Alfa, cauteloso, mas mantendo a cordialidade.
— Alfa? Pensei que fosse se apresentar pelo seu nome — comenta Kuwabara, com um leve sorriso.
— Sem formalidades. O que você faz aqui? — pergunta o Alfa, curioso.
— Minha Alfa está impossibilitada de guiar vocês, então estou assumindo essa responsabilidade. Espero que não se importe — explica Kuwabara, sua postura respeitosa.
O Alfa hesita por um momento, mas logo se lembra da ajuda que Kuwabara deu a Samuel. Eles continuam até o local onde a alcatéia ficará, e Kuwabara anuncia:
— Aqui será onde vocês ficarão. O lugar tem tudo o que precisa e é bem aconchegante. Quando estiverem acomodados e descansados, venham nos encontrar para a celebração da nossa nova alcatéia!
Após a despedida de Kuwabara, os membros da alcatéia começam a escolher suas tocas, sobrando poucas opções. O Alfa, percebendo a situação, se dirige a Samuel e Alex.
— Não se preocupe, já escolhi uma toca ideal para nós — diz o Alfa, com um semblante decidido.
Eles o seguem até a toca, e ao entrarem, percebem que o local era realmente confortável e acolhedor, um refúgio perfeito para descansar.
— Eu sabia que essa seria perfeita assim que a vi — diz o Alfa, satisfeito, enquanto observa o ambiente.
O Alfa então se aproxima de Samuel e pergunta:
— Aquele lobo, o Kuwabara... Ele me parece familiar. Acho que o vi em uma reunião com outros alfas. Você sabe quem ele é?
— Ele é o marido da Alfa e também é o tio do Alex — revela Samuel, com um brilho de orgulho no olhar.
— Sério? — pergunta o Alfa, surpreso, sua expressão se iluminando.
— Sim. A Alfa era irmã da Lua, por isso ele é o tio dele — explica Samuel, sentindo a conexão entre os lobos crescer.
— Elas eram tão diferentes... Nem sinceramente irmãs. Obrigado por me contar, Samuel — diz o Alfa, pensativo, uma sombra de nostalgia atravessando seu olhar.
— Vocês devem estar cansados. Melhor descansarem. Amanhã será um dia cheio. Qualquer coisa, me chamem, estarei fora por alguns minutos. Bom descanso — despede-se o Alfa, saindo da toca.
Samuel olha para Alex, que estava exausto, e rapidamente prepara um canto confortável para o filhote descansar. Assim que se deita, Alex adormece instantaneamente, seu pequeno corpo relaxando em paz.
"Não deveria ter deixado ele caminhar tanto... Olha como está cansado", pensa Samuel, observando o pequeno lobo com ternura. Ele se lembra da estranha figura que viu mais cedo, a inquietação crescendo novamente em seu peito. "Aquela sombra... parecia um lobo camuflado entre nós. Eu tenho que ficar mais atento, não deve ter sido só minha imaginação... " Ele reflete, sua mente zanzando entre os medos e as esperanças.
"Melhor eu ir me deitar igual o Alex. Amanhã, como o Alfa disse, vai ser um dia bem cansativo." Com um leve suspiro, Samuel se deita ao lado de Alex, fechando os olhos. Apesar das preocupações, a exaustão o envolve e, lentamente, ele acaba dormindo, sentindo-se seguro na companhia da nova alcatéia e do pequeno lobo ao seu lado.
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