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A madrugada chegou, trazendo um silêncio acolhedor após a festa que iluminou a noite. Samuel, Alex e o Alfa se despediam de Anne e sua família, e o clima de alegria ainda pairava no ar.
— Que noite incrível! Agradeço por terem se juntado a nós nesta noite, — disse Anne, seu sorriso refletindo a felicidade do evento.
— Verdade. Acho que esta foi uma das melhores noites da minha vida, — acrescentou Sam, ainda impressionado com a energia da celebração.
— Foi um prazer. Não se esqueçam de que, ao entardecer, todos nós partiremos para a nova alcateia, — lembrou o Alfa, com um tom sério.
— Sim, senhor. Não esqueceremos. Obrigado pela preocupação, — respondeu Sam, sua voz refletindo gratidão.
Anne voltou seu olhar para Alex, que estava ao lado de Samuel, um pequeno lobo ainda em busca de seu lugar no mundo.
— Fiquei surpresa quando o Sam disse que ele era seu filhote, Samuel. Eu achava que ele era órfão. Ele chegou a mim como um dos meus aprendizes, mas eu não tinha informações sobre o paradeiro dos pais dele. Fico feliz que ele não esteja mais sozinho, — disse Anne com sinceridade, a preocupação evidente em seu tom.
Samuel tomou uma respiração profunda, seu olhar se tornando mais sério.
— Ele não é meu filho de sangue, mas prometi à mãe dele que cuidaria dele. Ela se foi... assim como o resto da família dele, — explicou Samuel.
— Não me leve a mal, Samuel, mas uma loba pedir a um humano para cuidar de seu filhote... ela devia confiar muito em você para ter feito isso, — disse Anne, com um toque de incredulidade.
Antes que Samuel pudesse responder, o Alfa interveio:
— Não é porque ele é humano que ele precisa ser igual a um caçador, Anne.
— Eu entendo... Mas você acha que o Alex prefere ser cuidado por um humano em vez de por um de nós, lobos, Alfa? — Anne continuava a questionar, buscando entender a dinâmica delicada que se formava.
Samuel suspirou, sentindo o peso da questão.
— A escolha é dele. Se ele não quiser ser cuidado por mim, não o obrigarei. Se ele quiser ficar com vocês, está tudo bem. A decisão é dele.
O olhar de Samuel se suavizou ao encontrar os olhos de Alex, carregado de afeto e proteção.
— Independentemente da escolha dele, eu jamais deixarei de me preocupar com seu bem-estar. Não é só por causa da promessa que fiz; é porque eu o considero meu filho, — afirmou Samuel, sua voz firme.
Anne ponderou, compreendendo a profundidade das palavras de Samuel.
— Se a escolha é dele, então vamos deixar que ele decida. Isso será mais justo, Samuel.
Ela se abaixou, olhando nos olhos de Alex, cuja expressão refletia a confusão e o medo de ter que escolher.
— Alex, você quer ficar comigo ou com ele?
O pequeno lobo olhou de um para o outro, sentindo o peso da decisão. A pressão de escolher entre duas pessoas que se importavam tanto com ele era quase esmagadora.
Mas então, em meio ao medo, ele se lembrou de algo — uma memória de sua mãe, um eco de amor e proteção. Mesmo sendo tão jovem, ele sabia que ela faria qualquer coisa por seu bem-estar. Se ela confiou naquele humano, mesmo sem conhecê-lo direito, era porque viu algo bom nele. Com isso em mente, Alex tomou sua decisão.
— Parece que ele já fez sua escolha, — disse Samuel, o alívio inundando seu ser. — Desculpe, Anne.
— Não tem problema, — respondeu Anne, um leve sorriso surgindo em seu rosto. — Era algo que eu já esperava. De qualquer forma, estamos indo. E Alex, Samuel... Sintam-se à vontade para nos visitar quando quiserem. Vocês são sempre bem-vindos. Até mais!
Depois de um breve adeus, Anne e sua família partiram, deixando um espaço que parecia ecoar em sua ausência. O Alfa, que acompanhara tudo em silêncio, se aproximou de Samuel, sua expressão de respeito.
— Confesso que fiquei na dúvida se ele escolheria você, mas parece que você realmente conquistou a confiança dele.
Samuel olhou para Alex, agora sob sua responsabilidade, com um sentimento de realização e ternura.
— Vamos voltar. É melhor descansarmos um pouco. Afinal, o Alex vai ficar com a gente a partir de agora.
— Parece uma ótima ideia, — respondeu o Alfa, com um sorriso.
Os três caminharam de volta para a toca, onde a segurança os envolvia, e em poucos minutos, chegaram ao abrigo.
— Que noite excelente. A alcateia precisava dessa energia positiva, principalmente depois de tudo que passou, — disse o Alfa, sentindo-se renovado.
— Obrigado por se juntar a nós esta noite, Samuel. Notei que os outros lobos estão mais tranquilos com sua presença. Talvez, na Nova Alcateia, as coisas possam continuar assim, — o Alfa continuou, o olhar esperançoso.
Antes de se retirar, ele fez um último aviso:
— Está bem tarde. Vão se deitar. Tenho a sensação de que amanhã será um bom dia. Durmam bem e tenham uma ótima noite de sono.
Com isso, o Alfa se afastou para um cômodo da toca, deixando Samuel e Alex sozinhos. Samuel abriu sua bolsa e tirou um manto, estendendo-o no chão, ao lado do filhote.
— Deite-se aqui, não precisa ficar no chão, lobinho, — disse Samuel gentilmente.
Alex caminhou até o manto e se deitou, seu pequeno corpo relaxando na maciez do tecido.
— Está confortável?
Alex balançou a cabeça, confirmando, enquanto Samuel se sentava ao lado dele, sentindo uma onda de proteção.
— Posso te fazer uma pergunta? — Samuel começou, hesitante.
Alex balançou a cabeça, permitindo que ele continuasse.
— Por que me escolheu? Eu não tinha esperanças de que você fosse me escolher, depois de tudo o que passou por causa dos humanos. Eu fiquei com medo naquele momento, achei que nunca mais te veria. Então, por que não desistiu de mim?
A preocupação era evidente na voz de Samuel, e Alex percebeu o peso que aquelas palavras carregavam. E então, de forma inesperada, ele respondeu baixinho:
— Pai...
A simplicidade daquela palavra cortou a tensão no ar. Antes que Samuel pudesse reagir, Alex se levantou e deitou no colo dele. Naquele momento, toda a preocupação de Samuel se dissipou, substituída por um amor profundo.
— Você é especial, Alex. Tanto para mim quanto para este mundo. Mesmo que eu não seja o melhor pai, vou fazer o meu melhor. Pode acreditar em mim. Obrigado por ficar comigo, lobinho, — disse Samuel, acariciando suavemente o filhote, cada movimento transmitindo carinho e conforto.
Alex foi adormecendo lentamente no colo de Samuel, seus olhos pesando com o sono. Quando ele finalmente adormeceu por completo, Samuel o pegou com cuidado e o colocou no manto, um gesto cheio de ternura.
— Boa noite, filho, — sussurrou Samuel, sua voz suave como um carinho.
Ele se deitou ao lado de Alex, encarando o teto, seu coração leve, agora preenchido por um sentimento de família e pertencimento. Aos poucos, o sono o venceu, e ele também adormeceu, sonhando com um futuro em que ambos estariam juntos, enfrentando o mundo lado a lado.
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