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Ao entardecer, Samuel e Alex permaneciam à beira do lago, um pequeno refúgio em meio ao tumulto do mundo. Samuel acariciava o filhote suavemente e, ao olhar para ele em seu colo, percebeu que Alex estava adormecido, com as patinhas levemente contraídas e a respiração tranquila. Ele deve estar cansado. Melhor levá-lo para a toca. Não quero deixá-lo dormindo aqui fora nesse frio.
Cuidadosamente, enquanto se levantava para não acordá-lo, Samuel ouviu uma voz atrás de si.
— Samuel? — A voz era de Sam.
Ele virou a cabeça e viu que era o jovem lobo, seu olhar carregando uma mistura de hesitação e determinação.
— Podemos conversar? — perguntou Sam.
Samuel assentiu, sua expressão séria.
— O Alfa e a Anne me explicaram o que aconteceu ontem. Desculpe por ter julgado e atacado você daquele jeito. Quando ouvi a Anne gritar, corri para ajudar, e quando te vi, pensei que minha família estava em perigo. Vim aqui pessoalmente te pedir desculpas.
Ele fez uma pausa, visivelmente desconfortável.
— Eu não confio muito em humanos. Já vi tantas coisas ruins que eles fizeram conosco, então agi de forma irracional. Me perdoe por isso.
Samuel o encarou e respondeu com tranquilidade:
— Eu também não confio muito nos humanos. Agiria da mesma forma se as pessoas que amo estivessem em perigo. Mas da próxima vez, não hesite em matar, especialmente se for um caçador.
Sam piscou, confuso, mas sorriu levemente ao entender.
— Isso foi um "desculpado"? — perguntou ele, um pouco hesitante.
Samuel assentiu.
— Muito obrigado, Samuel.
Os olhos de Sam foram atraídos para Alex, ainda adormecido nos braços de Samuel.
— Desculpe a curiosidade, mas... por que você está com esse filhote? Não é comum ver um humano assim com um lobo.
Samuel olhou para Alex, lembrando-se de sua promessa e do vínculo que começava a se formar entre eles. Ele voltou o olhar para Sam e disse com firmeza:
— Ele é meu filho.
— Seu filhote!? — Sam exclamou, surpreso. — Nossa, agora me sinto ainda mais culpado pelo que fiz ontem. A Anne deveria ter me contado que ele era seu filhote...
Sam balançou a cabeça, envergonhado, antes de mudar de assunto.
— Bom, de qualquer forma, hoje à noite teremos a celebração da Noite da Lua. Gostaríamos de convidar você e seu filhote para se juntar a nós. O que acha?
— Apareço por lá. Obrigado pelo convite, — respondeu Samuel.
— Eu que agradeço. Até mais tarde! — disse Sam, antes de se afastar, deixando Samuel com seus pensamentos.
Samuel ajeitou Alex cuidadosamente nos braços e decidiu levá-lo para a toca do Alfa. Espero que ele não se importe, pensou. Enquanto caminhava de volta, percebeu que os olhares dos outros lobos estavam diferentes agora, mais suaves, menos desconfiados com a presença dele ali.
Ao chegar à toca, Samuel colocou Alex delicadamente no chão e, usando seus poderes, fez surgir uma pequena coberta sobre ele. Assim ele ficará confortável.
Samuel saiu silenciosamente da toca e, ao fazê-lo, encontrou o Alfa.
— Já voltou? Onde está o filhote? — perguntou o Alfa, um brilho de curiosidade nos olhos.
— Ele está dormindo lá dentro. Devia estar cansado, — explicou Samuel, sua voz baixa e cuidadosa.
— Entendi. Fiquei sabendo que você e o Sam fizeram as pazes, é verdade?
Samuel concorda.
— Fico feliz em ouvir isso, — disse o Alfa, com um sorriso leve, que parecia iluminar o ambiente.
Os olhos de Samuel se voltaram para Alex, e o Alfa, percebendo o quanto o filhote significava para ele, comentou:
— Ele parece muito importante para você. Quando você falou sobre ele, disse que falhou em proteger alguém. Como assim?
Samuel suspirou, lembrando-se de seu passado, das cicatrizes que ainda o marcavam.
— No primeiro dia da infecção, eu perdi meu irmão. Tentei protegê-lo, mas fui tarde demais. Uma daquelas criaturas o atacou antes que eu pudesse salvá-lo. Depois de vê-lo morrer em minha frente, eu simplesmente fugi e acabei deixando tudo para trás.
A dor em sua voz era palpável, e o Alfa escutou em silêncio, respeitando o momento de vulnerabilidade.
— E por esse motivo você quer proteger esse filhote? Isso é culpa? — perguntou o Alfa, suas palavras carregadas de entendimento.
— Não, não é culpa, — disse Samuel, olhando para suas mãos. — Agora que posso proteger quem amo, não preciso mais ter medo da culpa.
O Alfa assentiu, a compreensão brilhando em seus olhos. Então, Samuel voltou para dentro da toca e se sentou ao lado de Alex. O filhote acordou lentamente, levantando a cabeça e se aproximando de Samuel.
— Acordou, lobinho. Precisa de algo? — perguntou Samuel, suavemente, sua voz cheia de carinho.
— Não, não... — respondeu Alex timidamente, seus olhos ainda pesados de sono.
Samuel ficou surpreso ao ouvi-lo falar.
— Dormiu bem? Espero que não tenha sido um problema eu te trazer até aqui.
Alex balançou a cabeça afirmativamente, ainda um pouco envergonhado, um rubor em seu focinho pequeno.
Pouco depois, o Alfa entrou na toca, observando os dois com um sorriso gentil.
— Está quase anoitecendo. Melhor irmos para não perder a grande lua surgir no céu.
Com a aproximação da noite, os três partiram em direção à Montanha da Lua. No caminho, Alex parou, hesitante.
— O que foi, Alex? — perguntou Samuel, preocupado.
O filhote olhou para o chão, relutante. Deve estar com medo do que aconteceu ontem, pensou Samuel, sentindo um aperto no coração.
— Quer que eu te leve? — sugeriu Samuel, percebendo o receio de Alex.
O filhote balançou a cabeça afirmativamente, e Samuel o pegou nos braços, envolvendo-o em um abraço reconfortante. Quando finalmente chegaram ao topo da montanha, uma grande multidão de lobos já estava reunida, aguardando o momento especial. Anne, ao vê-los, correu para cumprimentá-los.
— Vocês chegaram! Venham, minha família está logo ali na frente.
Eles seguiram Anne e, ao se sentarem, Samuel olhou ao redor, absorvendo a energia vibrante que preenchia o ar. Todos esperavam ansiosamente pela lua. Então, uma aura azul e verde começou a iluminar o céu, expandindo-se até que, por fim, a grande lua azul surgiu no horizonte. A magia do momento envolveu todos, e Samuel não pôde deixar de sentir uma profunda paz enquanto observava o brilho nos olhos de Alex, refletindo a luz da lua.
A celebração começou logo depois. Homenagens e apresentações aconteceram, e por um breve momento, todos ali esqueceram os horrores da guerra.
Samuel, ao lado de Alex, não sorria, mas por dentro, sentia uma alegria serena. Naquela noite, ele sabia que, mesmo em meio ao caos, ainda havia espaço para momentos de esperança e união. O peso do passado começou a se dissipar, e ele se permitiu acreditar que, com Alex ao seu lado, um novo futuro poderia ser construído.
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