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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
12 |⭐️| Laços e Cicatrizes
865 palavras • 5053 caracteres • ⏱ 3 min 28 s

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Enquanto Samuel caminhava de volta à alcatéia ao lado do Alfa, os sons e as movimentações ao redor pareciam intensificados, refletindo a agitação que pairava no ar. Ele observou os outros lobos correndo de um lado para o outro, trocando olhares ansiosos, e não pôde conter sua curiosidade.


— Por que estão todos tão agitados? — perguntou Samuel.


O Alfa lançou-lhe um olhar sereno, antes de responder com um ar de reverência.


— Daqui a dois dias, será a Noite da Lua. É o dia em que celebramos o sacrifício da Deusa da Lua, a primeira loba sagrada. Ela é a razão pela qual mantemos nossa esperança. Sua luz nos guia, e sua memória nos fortalece.


Samuel assentiu, sentindo o peso das palavras do Alfa.


— Por enquanto, vamos à minha toca. Você ficará lá até estarmos prontos para partir rumo à nova alcatéia.


Após alguns minutos de caminhada, chegaram à caverna do Alfa. Samuel nota novamentea simplicidade e o silêncio do lugar, acolhedor e pacífico.


— Preciso ir a uma reunião agora. Vou discutir com os outros mentores sobre os novos aprendizes. Não se preocupe, logo estarei de volta — informou o Alfa, saindo rapidamente.


Sozinho, Samuel sentou-se no chão da caverna, perdido em pensamentos. Ele se questionava sobre seu papel entre os lobos, se realmente estava pronto para a responsabilidade que o Alfa depositava nele. Lembranças do ataque dos caçadores vinham à tona. A imagem dos lobos mortos o perturbava profundamente. Poderia ele proteger a alcatéia sem colocar os lobos em mais perigo?


Seus pensamentos foram interrompidos quando o Alfa retornou, com um sorriso amistoso.


— Estava tão pensativo... Em que estava refletindo?


Samuel hesitou.


— Apenas... pensando no que implica ser seu vice. É uma honra, mas também uma responsabilidade.


O Alfa assentiu, compreensivo.


— Eu sei que ser um humano entre nós não é fácil. Mas quero que saiba que confio em você, Samuel. Acredito que pode ser a mudança de que precisamos. Contudo, não esqueça que ser vice envolve mais do que liderança. Exige cuidado, proteção e lealdade para com a alcatéia.


Samuel escutou atentamente. Aquelas palavras fortaleceram sua decisão.


— Está certo, Alfa. Farei o meu melhor.


— Fico feliz em ouvir isso. Hoje à noite, terei de apresentá-lo ao conselho dos outros alfas e à nossa rainha. A presença deles será importante para oficializar sua posição — explicou o Alfa.


— Espero que essa decisão não lhe traga problemas — comentou Samuel, preocupado.


— Não se preocupe. Estou confiante de que eles reconhecerão seu valor, assim como eu reconheci.


Para solidificar ainda mais seu posto, o Alfa fez um colar de pedra lunar aparecer no pescoço de Samuel. Era um talismã, símbolo da confiança e autoridade dentro da alcatéia.


— Enquanto estou fora, se alguém duvidar de sua autoridade, mostre esse talismã. Isso deve ser o suficiente para que o respeitem como vice.


Samuel segurou o talismã com reverência, ciente do peso simbólico que carregava. Com isso, o Alfa se despediu, deixando Samuel a cargo da alcatéia até o seu retorno.


Enquanto estava sentado do lado de fora, observando os lobos em suas tarefas, um grupo de lobos se aproximou, questionando:


— Onde está o Alfa?


— Ele saiu, mas posso ajudar com algo?


— Esse é um assunto para o Alfa, não para você, humano — respondeu um dos lobos, com desdém.


Samuel, mantendo a calma, ergueu o talismã que pendia em seu pescoço. Os lobos, ao verem o símbolo, ficaram tensos, trocando olhares desconfiados.


— Parece que o Alfa confia mesmo em você... — comentou um deles, relutante.


Outro lobo explicou:


— Encontramos um caçador escondido nas árvores. Houve uma luta, e um dos nossos, Miniex, se feriu.


— Ele está bem?


— Sim, foi levado aos curandeiros. Quanto ao caçador, está amarrado perto do rio. Não quisemos trazê-lo para a alcatéia sem a ordem do Alfa.


Samuel assentiu, focado.


— Levem-me até ele.


Ao chegarem, Samuel reconheceu o homem amarrado. O caçador, mesmo amordaçado, olhou para ele com uma mistura de medo e ódio. Samuel se aproximou, arrancando a mordaça, e falou com voz firme:


— O que você fez com o filhote?


O caçador, com um sorriso cruel, cuspiu a resposta:


— Filhote? Que filhote? Deve estar morto, como todos vocês deveriam estar.


Samuel cerrou os punhos, a raiva crescendo.


— Não tem vergonha de caçar seres indefesos?


O caçador apenas sorriu, malicioso:


— É gratificante ver a vida se esvair dos olhos desses bichos... Se acha que isso me intimida, está enganado.


No limite de sua paciência, Samuel ergueu o caçador, encarando-o com intensidade.


O som de um disparo ecoou. O caçador caiu ao chão, sem vida. Os lobos ao redor ficaram em silêncio, observando Samuel, que desviou o olhar, firme.


— Isso é o que acontece com aqueles que ameaçam a alcatéia


Sem dizer mais, virou-se e começou a se afastar. O respeito dos lobos presentes era palpável, embora misturado com surpresa.


— Agora entendo por que o Alfa confia tanto nesse humano — comentou um deles.


Samuel seguiu em silêncio, focado em seu dever e em sua promessa de proteger a alcatéia a qualquer custo.


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