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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
09 |⭐️| Um Amigo Inesperado
1007 palavras • 5733 caracteres • ⏱ 4 min 02 s

09 |⭐️| Um Amigo Inesperado

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Algumas horas se passaram e Samuel finalmente despertou. Ao abrir os olhos, notou que estava em uma toca. " Que dor de cabeça... Onde estou? Isso é uma toca? O que são essas coisas no meu braço? Seu corpo estava envolto por plantas e ervas medicinais que cobriam seus ferimentos, um alívio temporário para a dor que pulsava em sua cabeça. Ele se esforçou para se sentar e, ao virar a cabeça, viu três filhotes espiando-o de um canto, com olhinhos curiosos.


— Oi? — disse Samuel, tentando soar amigável.


Os filhotes, ao perceberem que haviam sido descobertos, saíram correndo rapidamente. "Devo ser bem assustador para eles" pensou ele. Com dificuldade, Samuel se levantou e saiu da toca, dando de cara com uma alcateia enorme. Alguns lobos notaram sua presença e começaram a murmurar entre si.


— Ele acordou!

— Aquele humano acordou!

— Quem será ele?


No meio da multidão, um lobo de pelagem amarelada e olhos verdes se aproximou de Samuel, sua postura confiante transmitindo uma calma que Samuel ansiava.


— Você acordou! Excelente! — disse o lobo, um brilho de entusiasmo em sua voz.


— Quem é você? — questionou Samuel.


— Quem você acha que te trouxe para cá e cuidou dos seus machucados, hein?


O tom do lobo era descontraído, como se estivessem conversando sobre trivialidades.


— Por que me ajudou?


— Que pergunta é essa? Você acha que eu ia te deixar na floresta, largado e morrendo? E outra, você não parece ser um caçador.


— Hm, entendi. Muito obrigado por cuidar dos meus ferimentos. Eu me chamo Samuel, caso queira saber meu nome.


— Eu sei.


— Sabe?


— Sim.


— Como?


— Achei seu nome nas suas coisas...


O lobo sorriu, um sorriso travesso que fez Samuel sentir uma mistura de alívio e estranhamento.


— Você mexeu nas minhas coisas?


— Sim.


Samuel suspirou, um misto de frustração e gratidão.


— E qual é o seu nome?


— É Kuwabara.


Os outros lobos, percebendo a interação entre os dois, começaram a se aproximar, cercando Samuel e bombardando-o com perguntas.


— Quem é você?

— De onde você é?

— Quantos anos você tem?


— Calma, gente! Ele mal acordou e vocês já estão enchendo ele de perguntas? Esperem um pouco, ele vai falar com vocês! — gritou Kuwabara, impondo um certo respeito entre os lobos.


Os lobos, percebendo a autoridade de Kuwabara, recuaram um pouco, embora ainda parecessem intrigados.


— Eles não têm medo nem ódio de mim? — perguntou Samuel, olhando ao redor.


— Eles têm, mas não é todo dia que vemos um humano na nossa alcateia. Além disso, já é comum vermos híbridos passando por aqui.


— Híbridos?


— Você não sabe? São lobos que podem se transformar em humanos, ou quase. Eles são o fruto de relacionamentos entre humanos e lobos.


— Sério?


Samuel parecia enojado, mas não demonstrou.


— Sim. Eu sou um deles.


Kuwabara se transformou em uma forma humanoide, exibindo traços de lobo que o tornavam ainda mais intrigante.


— Tá legal... Mas você sabe onde fica a Vila Luar? Tenho que voltar para lá, ou melhor, encontrar uma pessoa.


— Oh, é sua pretendente?


— Não, não é isso. Você soube do ataque ontem à noite?


— Soube, sim.


— Estava procurando um filhote, mas acabei me distanciando e agora felizmente estou aqui.


— Entendi. Mas acho que você ainda não está bem para caminhar. Seus ferimentos foram graves. Talvez fosse melhor descansar. Se quiser, posso pedir para a minha alfa mandar alguém notificar sua vila de que você está aqui.


— Não, eu estou bem. Posso andar, não se preocupe.


— Tem certeza?


— Tenho.


Samuel tentou caminhar novamente, mas caiu de joelhos no chão.


— Droga, como posso estar tão fraco assim?


— Eu avisei — disse Kuwabara, rapidamente se aproximando para ajudar Samuel a se levantar.


— Por que parece que você tá acostumado com isso? — perguntou Samuel, percebendo a familiaridade de Kuwabara com situações de vulnerabilidade.


— Que nada. Vamos, eu te levo de volta para a toca.


— Por que você está sendo tão gentil comigo? Você nem me conhece.


— Ah, eu posso não te conhecer, mas sei que você não é uma pessoa má como os caçadores. Eu sinto algo em você. Eu vi o que você fez ontem, e isso já foi o suficiente para acabar com minhas dúvidas.


Samuel permaneceu em silêncio, surpreso pela confiança que Kuwabara depositava nele. Ambos entraram na toca, e Samuel se sentou, tentando processar tudo o que acontecera.


— Vai ficar aí mesmo? Precisa de mais alguma coisa? — perguntou Kuwabara, com um olhar preocupado.


— Não, tá tudo bem. Esse chão é confortável.


Kuwabara se transformou novamente em lobo, voltando à sua forma original.


— É melhor assim — disse Kuwabara, sua voz agora mais suave e reconfortante.


— Isso não dói? — perguntou Samuel, curioso.


— Que nada, eu só prefiro ficar igual aos outros.


— Acho que, sem sua ajuda, eu ainda estaria largado na floresta até agora. Obrigado.


— De nada, Samuel. Amigos têm que ajudar, né?


Samuel balançou a cabeça em concordância, sentindo-se grato por ter encontrado um aliado naquele momento.


— Eu até te levaria para conhecer a alcateia, mas como você está impossibilitado, fica difícil. De qualquer forma, preciso ir agora. Vou ajudar alguns lobos que vieram do ataque de ontem, já que essa é minha função como curandeiro. Mas volto antes do anoitecer.


— Você não deveria confiar tanto assim em qualquer um, principalmente comigo sendo um humano.


— Eu sei, mas você é diferente. Você não é qualquer um.


Kuwabara sorriu e se despediu, saindo da toca.


Samuel deitou-se, pensativo sobre os acontecimentos do dia anterior. O peso da preocupação sobre Alex, o filhote que havia perdido, o acompanhava, e ele não conseguia afastar os pensamentos que o assombravam. Com tantas coisas passando por sua cabeça, o cansaço finalmente o venceu, e ele logo adormeceu, esperando que ao despertar, encontraria respostas.


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