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O Herói Dos Esquecidos: O Sopro da Aurora
08 |⭐️| A Sombra
694 palavras • 4111 caracteres • ⏱ 2 min 47 s

08 |⭐️| A Sombra

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Enquanto corria pela floresta em busca do filhote, Samuel se distanciava cada vez mais dos disparos e gritos, até que, de repente, o silêncio envolveu a mata. O mundo exterior parecia ter desaparecido, deixando apenas a escuridão densa e o som da sua própria respiração ofegante. "Será que fui longe demais? O filhote não deve ter corrido tanto assim. Espero que não tenha sido pego por aqueles caçadores." Seus pensamentos estavam uma tempestade, a ansiedade apertando seu corpo como um punho.


A cada passo, a floresta se tornava mais sombria e assustadora. Os galhos pareciam se esticar em sua direção, e as sombras dançavam de forma inquietante entre as árvores. "Preciso encontrá-lo logo. Este não é um bom lugar para um filhote, muito menos sozinho."


Enquanto se movia com cautela, algo o encontrou primeiro. Entre as árvores, uma sombra se movia furtivamente, deslizando como um sussurro. Samuel sentiu o ar ao seu redor ficar denso, como se a própria floresta estivesse prendendo a respiração. Quando a sombra estava prestes a tocá-lo, Samuel virou-se instintivamente, encarando-a diretamente.


— Quem é você? — perguntou ele.


A sombra o observava, seus contornos indistintos parecendo se fundir com a escuridão. Não havia respostas, apenas um silêncio opressivo.


— Você viu um filhote por aqui? — insistiu Samuel, a esperança se esvaindo em sua voz.


Ainda em silêncio, a sombra continuava a estudá-lo. Mas, ao encarar os olhos obscuros, Samuel percebeu algo ali - um sentimento profundo e atormentador. Havia medo, um eco de dor que a prendeu naquele estado. Uma voz suave, quase sussurrante, ressoou dentro de si, implorando: "Ajude-o."


— Eu consigo sentir algo em você. — disse Samuel, o tom de sua voz mais suave. — Um sentimento, uma emoção que te consome.


A sombra hesitou, como se ponderasse suas palavras. Finalmente, um sussurro angustiante escapou de seus lábios: — Culpa...


Samuel sentiu uma onda de empatia. — Culpa, essa eu conheço bem. Ela pode ser uma corrente pesada, arrastando-nos para a escuridão. Não importa o quanto você tente superá-la, ela nunca desaparece. Mas o que te faz se sentir assim?


A sombra parecia se contorcer, como se a própria menção da culpa a ferisse.


— Você teme as consequências de seus erros. A culpa é uma dor, mas também é um sinal de que você se importa.


— Pode parecer fácil dizer isso. — Samuel murmurou, com um tom de compaixão. — Mas continuar a deixar esse sentimento crescer só intensificará sua dor.


— Reconhecer a culpa é o primeiro passo para não deixá-la te consumir. Por que não tenta, uma vez, deixar esse sentimento de lado e seguir adiante? Não custa nada tentar.


Samuel estendeu a mão em direção à sombra. O gesto, simples mas carregado de significado, pairou no ar entre eles. A sombra hesitou, o medo evidente em seus traços etéreos. Mas, após alguns instantes que pareceram uma eternidade, ela finalmente apertou a mão dele.


Nesse momento, a sombra começou a brilhar, uma luz suave irrompendo de seu ser, dissolvendo a escuridão ao redor. 


— Garoto... Obrigado. — a sombra disse, sua voz agora cheia de gratidão. — Eu havia esquecido como é bom viver na luz e sem esse ressentimento...


— Você me trouxe a luz novamente. — continuou a sombra, sua forma se iluminando cada vez mais. — Eu jamais me esquecerei de sua bondade. Nos encontraremos novamente por aí, garoto.


A luz se desfez em fragmentos brilhantes, flutuando no ar como pequenas estrelas cadentes. Um pequeno fragmento caiu lentamente à sua frente, e quando Samuel o pegou, ele desapareceu em um brilho intenso.


Porém, Samuel sentiu-se fraco, como se toda a energia tivesse sido drenada de seu corpo. Ele caiu de joelhos no chão, lágrimas de dor e frustração escorrendo por seu rosto. O sangue ainda escorria de seus ferimentos, e sua visão começou a embaçar. Tentou se levantar, mas a escuridão ao seu redor começou a se fechar, e tudo ficou confuso. Ele viu uma figura se aproximando à distância, mas não conseguiu discernir quem era. Em segundos, a escuridão o engoliu completamente, e ele desmaiou, perdido em um mar de escuridão.


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