No dia seguinte, eu sabia que iria ser uma briga boa, o que eu não esperava era que meu amigo viesse comigo, e agora eu via melhor, vi que ele era um gigante com colares de conchas, uma blusa de flores e um short de praia. Saytus estava curiosa sobre quem ele era.
Saytus: ahn quem é esse?
Amigo: sou o curandeiro das brigas
Antônio: isso e ele quis conhecer o Brutus também, isso se você não ligar
Saytus: ligar? Por que ligaria? Eu vou conhecer dois amigos do meu melhor amigo, eu não poderia estar mais feliz.
E com aquelas simples palavras, levei os dois até o ponto de encontro que eu tinha com o Brutus, ele estava lá, sentado no banco, com sua armadura completa, mas agora ele parecia ainda mais forte do que da última vez, haha, isso seria divertido.
Brutus: e aí Tony
Antônio: e aí Bro
Brutus: quem são seus amigos?
Antônio: ah, eles vieram te conhecer, mas eu, vim aqui pra comemorar eu ter passado de ano, se não se importar
Brutus: não me importar? (se levanta) FOI POR ISSO QUE EU VIM (estala dedos) como você quer lutar dessa vez?
Antônio: CORPO A CORPO!
Segurando minha varinha bem forte e batendo meus dois punhos com ela, criei um robô gigante de 10 metros de altura que quase não cabia na quadra, mas diferente dos outros dois, que estavam bem mais assustados, Brutus estava empolgado, deixando sua armadura vermelha e ficando na minha frente com um imenso martelo também vermelho, entao eu vi, uma ilusão, eu não estava mais na quadra, não havia chão, ou paredes, apenas a mais profunda escuridão, tendo apenas eu e um cavaleiro tão grande que parecia eu fazer um rato, ha, era assim que eu parecia pra ele, bom, não queria decepcionar o Brutus, mas esse rato morde.
Eu assumi a posição junto do imenso cavaleiro vermelho, e ambos carregamos nossos poderes, enquanto eu carreguei meu soco com todo o conhecimento “anti-cavaleiro de aura” que eu sentia ser útil naquela situação, o cavaleiro carregava toda a vontade, tempo e sentimentos alimentados para serem entregues a mim. De forma bizarra, ambos preparamos cartas para o outro em forma de ataques, e agora era a hora das entregas.
Sabíamos desde o início que não estávamos atrás do rosto um do outro, nossos ataques colidiram de forma perfeita um no outro, e a onda de choque que criamos foi tão intensa que a cidade ativou o feitiço de contenção na hora.
Nossa explosão criou várias cores diferentes enquanto o chão da quadra aguentava apenas com rachaduras, mas para quem olhava de fora, parecia que um grande bombardeio de explosões com milhares de cores diferentes acontecia, meu Amigo conseguia acompanhar de boa, mas a Saytus ficava com os olhos queimando só tentando acompanhar o que acontecia, tadinha.
Meu punho de aço criou vários foguetes para aumentar minha velocidade, muitos espinhos e um caminho que ficou no ponto exato que eu devia atingir, rachando e destruindo cada vez mais o cavaleiro gigante, que depois de muitos golpes, ficamos empatados, nenhum de nós estava conseguindo machucar o outro, até eu encontrar o verdadeiro “ponto ideal” e consegui mandar o martelo do gigante pra longe.
O gigante imaginário tentou manter as coisas nos trilhos, mas mesmo mudando o ponto cego, eu já havia o encontrado várias vezes, eu bati no martelo até que o gigante começou a se desfazer bem devagar, bom, no meio disso, o gigante acabou me pegando, mudando seu martelo para pegar meu braço em um lado mais vulnerável, mas no próximo golpe, eu mandei o martelo pra longe e substitui meu braço por minha imensa perna.
Mesmo perneta, consegui me equilibrar a ponto de quebrar e rachar o martelo, no penúltimo golpe, o Gigante conseguiu destruir meu braço, mas antes de descartá-lo, eu fiz algo clássico, e apertando um botão, fiz meu braço quase destruído disparar no martelo em um grande soco foguete, bem no momento em que eu troquei ele pela minha outra perna, me plantando no chão como uma árvore, e logo, o martelo do gigante foi destruído desfazendo a fusão logo depois.
Cara, só agora eu senti o fedor da lava que a gente criou com nossos golpes, as coisas estavam ficando perigosas, mas vendo o martelo estilhaçado de meu oponente, vi que tínhamos ido muito longe pra parar agora.
Minha armadura estava bem danificada e amassada, mas com o cavaleiro de verdade na minha frente, eu continuei meu ataque, a armadura dele estava bem rachada, mas ele ainda conseguiu se defender de meus golpes com um escudo curto, então eu vi, minha armadura sofrendo a reação, como se tivesse sido atingida por um punho quase igual ao dela, com a diferença que a força do brutus era somada em tudo aquilo, conseguindo destruir meus braços, mas não completamente.
Pensei estar seguro, mas além dos meus braços, todo o corpo da minha grande armadura começou a entrar em pane por todos os ataques que aguentou, droga, parece que eu ainda não era bom o bastante. Não perdendo tempo, Brutus pegou o próprio escudo e o jogou no meu peito, eu tentei parar o escudo, mas o meu robô travou, não conseguindo impedir a colisão.
A colisão do escudo criou uma reação em cadeia com os poderes do Brutus dentro de mim, criando uma explosão tão grande que meu Amigo e a Saytus foram jogados para a parede, enquanto Brutus, ainda com sua armadura rachada, riu euforicamente, enquanto meus gritos conseguiam passar pelo barulho das explosões, cara, a gente tinha exagerado nessa, fazia tempo que não o via rir assim, a brigada dos cavaleiros estava mudando ele…pra melhor.
Brutus: HAHAHA, EU VENCI
Antônio: TEM CERTEZA!?
Falei enquanto saltava pra fora das chamas, mesmo de armadura, Brutus não conseguiu levantar sua guarda a tempo e recebeu um soco meu bem na cara, dentro da armadura gigante, eu estava preparado com uma armadura sob medida pra mim. A explosão havia queimado e amassado minha armadura em vários lados, mas eu estava tao cheio de adrenalina que nem liguei.
Brutus tentou revidar, mas já era tarde, apenas 20 golpes foram o bastante pra o desestabilizar, e com um gancho no queixo, joguei Brutus no chão, eu ri, ri bastante, enquanto esbanjava ele não conseguir levantar e admitir a derrota.
Antonio: ÉÉÉ, NOSSA, ISSO FOI O MÁXIMO!
BRUTUS: FOI MESMO MANO!
Ter tanto poder assim era incrível, eu não precisava entender mais nada, eu não precisava entender quem eu era, o que eu precisava, ou o que eu iria me tornar, na luta, ali, isolados do mundo por algo bem mais forte que a redoma nos prendendo ali, na quadra, no ringue, na pista de batalhas, era em momentos assim que eu me sentia completo, no calor da batalha, eu sabia quem eu era, eu era apenas um guerreiro, um campeão, ou um lutador de forma mais simples, é só isso importava.
Infelizmente, não podia lutar o tempo todo, e eu tinha que entender quem eu era em outros lugares também…pensar desse jeito me deu boas ideias pra conversar com Davi, mas primeiro olhei pra trás e vi a Saytus, tremendo de empolgação por ter aguentado uma explosão de tantos poderes assim, ela estava empolgada de várias formas diferentes, e isso em si me empolgava bastante também, eu estava esgotado e na última gota, mas estava pronto pra lutar com Saytus no soco logo depois de vencer o Brutus.
Amigo: um momento vocês dois, deixa eu curar você e o lobinho primeiro.
Ah, é, parecia mais justo assim mesmo…cara, eu sabia que tinha ficado bem mais forte, mas era bizarro como eu estava sem nenhum arranhão, eu estava só com alguns machucados aqui e ali, mas diferente dos ferimentos de antes, aquilo era menor que um joelho ralado, era tão…maneiro, então isso que significava ser um mago de verdade?
Brutus: é, é isso sim
Antônio: é sério mano, as vezes eu acho que você consegue ler mentes
Brutus: quem dera mano, quem dera.
No fim, eu e o Brutus nos sentamos no banco como sempre fazíamos, mas agora estava estranho graças as pessoas extras.
Antônio: bom, isso é estranho, nessa hora agente normalmente vai comprar um espetinho, um sorvete ou algo perto disso, aí Saytus, você quer lutar com quem?
Saytus: eu…quero conhecer melhor o senhor Brutus, então acho que quero lutar com ele
Brutus: você que manda.
Então, depois de beber uma poção de cura e uma recuperadora, Brutus pegou o bastão que um dia já foi um martelo e colocou muita aura nele, apertando o bastão com bastante força, então, os pedaços destruídos do martelo voaram novamente céu, remontam o martelo e derreteram o bastante pro martelo parecer novinho em folha. E sua armadura quebrada foi esquentada e se reconstruiu novamente.
Antônio: truque legal
Brutus: esse é o tipo de coisa que faz seus inimigos ficarem confusos demais pra contra atacar no campo de batalha.
Rindo um pro outro, vi Brutus ficando na frente de Saytus, e vi algo interessante, a fada abriu bem todos seus olhos e levantou duas mãos para cima, fazendo várias pecinhas, fios e outras partes mecânicas e independentes surgirem e as duas varinhas em seus braços debaixo carregavam feitiços potentes. E Brutus apenas pegou seu martelo e deu seu arco e flecha, sua espada curta, seu escudo e seu bastão pra fantasmas de aura, partes dele próprio que o deixavam mais alerta às mudanças de Saytus.
O domo acabou se desativando com o poder que eles demonstraram, nem mesmo meu Amigo sentia que seria um problema, olhando de longe, eles pareciam cowboys, analisando cada detalhe do movimento um do outro, só esperando o momento certo de atirar, se bobear a batalha acabaria em um golpe.
Mas depois de tanto tempo, estava mais curioso do que nunca pra saber o que a Saytus faria, o que será que ela criaria? Um golen? Um autômato? Um canhão? Um bastão de raios? Ou uma bomba?
Nenhum deles, ela uniu várias peças em uma máquina de som, e outra de luz, ahhhhh, golpe baixo, fechei os olhos e tampei as orelhas a tempo, e me protegi da grande granada de som e luz que ela criou. O Brutus não teve a mesma sorte e foi atingido pelo golpe e caiu no chão, se curvou e agonizou por um bom tempo, estando cego e surdo por alguns segundos.
Sem perder a chance, Saytus criou um bastão gigante de raios que segurou com uma mão e eletrocutou o Brutus, o choque era tão forte que era possível ver os ossos dele, e logo depois, ela criou um canhão de cola que prendeu Brutus no chão, uma cola tão potente que ele não conseguiu mais se mover.
Uuuuuuuuh, eu vi o que ela fez ali, não dava pra destruir aquela cola na força bruta, e como era um duelo não mortal, ela tinha certeza que o Brutus não tentaria a cortar se fosse a machucar, hehe, que ingênua.
Ela parecia estar pronta para caso isso acontecesse de verdade, mas tanto ela quanto eu não prevíamos que, debaixo da cola, o Brutus tivesse força o bastante para alinhar e disparar 4 flechas ao mesmo tempos, em um único disparo, 4 flechas foram liberadas pelo mesmo arco.
Mesmo à distância, senti o peso daquelas flechas quando os braços e pernas de Saytus foram evaporados, não dava sequer para chamar aquilo de flechas, eram grandes canhões.
Saytus ainda tentou voar, mas o Brutus era muito rápido, e antes dela se afastar demais, ele pegou um grande martelo e a atingiu com tudo, o rosto que ela fez foi interessante, era sempre interessante ver a surpresa de magos ao ver o quão rápido o Brutus era de verdade. Em um movimento, Brutus girou no ar, sem deixar seu martelo liberar a Saytus, até a esmagar no chão com tudo, criando uma onda de choque tão forte que o domo de proteção quase foi atingido novamente.
O corpo de Saytus estava muito feio, não vi órgãos, mas eu vi muito líquido estranho no lugar de sangue, e a carcaça dela estava mais vazia do que o normal. Com um pouco de medo, virei pro meu amigo e perguntei.
Antônio: você pode consertar isso, né?
Amigo: fadas são duronas, vou ser moleza.
Brutus tirou seu martelo de cima dela e tirou o capacete só pra ver os olhos dela, parecia bem perto de ser um empate, mas no lugar disso, Brutus ficou em cima dela e a olhou nos olhos, uma batalha psicológica? Não, não era isso, o Brutus só queria ter certeza quem cairia primeiro, pois para um cavaleiro, não era quem tava no chão ou quem tava menos machucado que ganhava. “Quem ainda está acordado”, aquele que continua acordado o bastante pra finalizar o oponente, esse sim é o verdadeiro vencedor, e pelo fato da Saytus fechar os olhos primeiro, Brutus ficou bem feliz e se permitiu cair no chão, e na hora, fui até eles pra dar poções de cura junto do meu Amigo, que conseguiu reconstruir os corpos deles.
Diferente de sapiens, perder um braço pra uma fada era quase como quebrar uma unha, só de um tempo e outro crescia, a magia de cura do meu Amigo só acelerou bastante o processo. Depois de alguns segundos, os dois acordaram, mas eles não queriam sentar na cadeira, eles queriam falar ali, no chão sujo de suor, sangue e terra.
Brutus: hunnnnn, prazer em conhecê-la senhorita Saytus
Saytus: então senhor Brutus, o que minha magia te contou sobre mim?
Brutus: sem precisar ir muito fundo, vejo que você sempre gostou das mesmas batalhas e grandes conhecimentos que sua raça prega ser a maior alegria do mundo, mas você tem muito orgulho de tudo que você fez, um orgulho não só seu, mas da sua família por você ter vindo num reino Sapien só pra poder aprender mais
Saytus: não é muito comum fadas ficarem tanto tempo num lugar só, o ancião fala que eu sou especial
Brutus: (gemidos de dor) talvez, sem contar o Antônio, fazia muito tempo que eu não sentia uma dor dessa, você é forte Saytus
Saytus: obrigada
Brutus: mas ainda tem algo a mais nos seus feitiços…eu vejo uma alegria, possível apenas quando você ama algo incapaz de ter, como…uma tecnologia proibida pro seu povo ou a simples falta de existência por seu povo não ver necessidade disso, como…comidas mais saborosas, questionamentos que um guerreiro não precisa, ou histórias de romance e amor que não tem a ver com guerra ou dor.
Saytus não respondeu, ela só olhou o Brutus um bom tempo, fazendo um rosto que parecia bem mais confortável, como se ela se entregasse totalmente pra ele naquele momento
Saytus: um guerreiro não precisa saber o que é amor, nem de comidas muito boas, ele só precisa saber lutar bem, mas nada impede o guerreiro de descobrir as coisas sozinho.
Vi os dois rindo no chão, felizes e alegres a ponto de eu ficar tentado a sentar no chão também, e meu Amigo também ria, mesmo só conhecendo eles a pouco tempo
Brutus: ei grandão, quer lutar também?
Amigo: to de boa só observando, obrigado.
A gente estava bem feliz, eu estava bem tentado a lutar com o Brutus de novo, mas antes disso acontecer, uma voz cortou todo o ar, uma voz com tanta vida que fiquei surpreso e assustado, apenas pra só ficar feliz demais segundos depois.
Dandara: ANTONIOOOOOOOOOOOOOOO.

