Quanto tempo já se passou? muitos testes haviam sido feitos, mas agora, esse seria o teste final que diria se nós iríamos pro segundo ano ou não, e na nossa frente estava os professores dando o teste final para todos, com um aluno bem na minha frente fazendo o teste, e para esse teste, estávamos numa pradaria bem aberta, com poucos lugares para se esconder, mas com um poder abundante para nós e os monstros explorarem.
Professor: então senhor João, eu sou um minotauro com um escudo bloqueador de magia e uma espada de chamas, o senhor usaria qual técnica?
Pedro: um feitiço de chão de lama que o afundaria no chão e depois um feitiço de cimento rápido para prendê-lo
Professor: agora demonstre.
E com o apertar de um botão, no campo totalmente tecnológico, um grande minotauro apareceu, ele tinha 5 metros de altura, armas gigantescas, músculos nos próprios músculos e uma feiura que paralisava, assim como paralisou o aluno.
Pedro fez o possível para fazer o feitiço que falou, mas tinha uma diferença enorme entre os livros e a vida real, e com um golpe, o minotauro derrotou o aluno, reprovando ele na hora.
Suspirando, eu apenas senti tristeza com aquilo, tantos alunos brilhantes, travando bem na hora verdadeira, mas ao mesmo tempo, estava feliz, melhor eles perderem alguns anos e ficarem vivos do que passarem rápido e serem mortos no mundo lá fora.
Não demorou até os alunos que não paralizavam e estavam prontos pra coisa real aparecerem, e cada aluno que passou e derrotou o monstro ganhou uma saraivada de aplausos, e quando era algo bom mesmo, até os professores aplaudiam, o que me deixou bem feliz por não ser o primeiro, Saytus passar não foi uma surpresa, pra uma primeira prova, aquilo nem era um desafio pra ela.
E quando chegou minha vez, me senti um pouco nervoso, mas respirei fundo, e apenas olhei pra os professores, esperando a pergunta deles.
Professor: senhor Antonio, eu sou um avestruz relâmpago que tem um bico de aço e capaz de escapar de armadilhas, o senhor usaria que método?
Antonio: eu, criaria um chão grudento para mantê-la presa e jogaria uma bola de fogo nela
Professor: agora demonstre.
Um monstro de velocidade, parecia óbvio, mas meus golens tinham um grande problema de velocidade mesmo, e quando o avestruz foi feito, comecei a espalhar cola e melaço por todo o chão, e como me falaram, o animal entendia minha armadilha, e deu um salto que passou por cima de todo o melaço que pus no chão.
Eu teria um problema sério se não tivesse um plano b, mas com um simples cântico, criei uma armadura igualmente grudenta em meu corpo, e com dois chutes, o avestruz ficou preso na minha cara.
E antes dele escapar, invoquei um grande golem de cordas e o e consegui imobilizá-lo sem problemas, como eu dizia, não havia segredos para o primeiro teste.
Os alunos fizeram uma pequena onda de aplausos pra mim, não queria me acostumar com aquilo e ficar arrogante, mas acho que não tinha nenhum problema em aceitar aplausos dos meus colegas, e sem notar, estava rindo como um pateta de novo.
Depois de matar o avestruz, os professores fizeram algumas anotações, pensei que eles ficariam com raiva por eu ter feito um feitiço que não falei que faria, mas se eles se irritaram com isso, só demonstraram não aplaudindo pra mim.
Sai da área de testes bem calmo, não estando sequer cansado, e fui abraçado bem forte por Saytus logo depois.
Saytus: é disso que eu tava falando mano, você é natural pra isso, você acabou aquele avestruz de raio como se fosse um inseto, UM INSETO, como você fez isso?
Antonio: eu só segui os livros, junto de um pouco de experiência pessoal.
Saytus parou de falar, mas o rosto dela deixou claro que ela entendeu o que falei, ficando feliz que eu tinha um “amigo de punhos” como ela se referiu.
Depois de mim, fiquei meio impressionado como muitos alunos acabavam só sendo vencidos pelos monstros, às vezes por ficar confusos se deviam fazer só o que os outros falavam, às vezes não acertavam a intensidade dos feitiços, as vezes erravam o tempo, tinham milhares de possibilidades, me fazendo ponderar se o avestruz que eu lutei era muito forte ou minha turma era muito fraca.
Mas essas ponderações pararam quando a Dandara entrou no palco, eu falei várias e várias vezes que eu não devia olhar ela…mas eu não conseguia, droga, o que aconteceu comigo? Eu não sou assim, quando foi que cumprir uma promessa ficou tão difícil pra mim? Talvez, só talvez, se ela nunca tivesse me pedido pra parar de olhá-la eu não teria dado tanta atenção a ela, droga, droga, mas antes de me perder dentro da minha própria cabeça de novo, Saytus chamou minha atenção bem a tempo.
Antes de se virar ao palco, Dandara olhou pra mim, e o rosto que parecia quase o de um fantasma ganhou bem mais vida quando me viu, até ela desviar o olhar e virar novamente o rosto de um fantasma. Até os professores notaram que tinha algo errado, mas decidiram resolver tudo depois do teste.
Professor: senhorita Dandara, eu sou um elefante feito de magma capaz de disparar jatos de lava com minha tromba, a senhorita usaria que método?
Antonio: pera ai, isso não parece um teste pra alguém do primeiro ano
Saytus: acho que nem alguém do terceiro ano faria algo assim
Dandara: um míssil de inundação vertical.
Ninguém, ninguém mesmo eu esperava ela falar assim, de repente, o lugar inteiro ficou em silêncio total, até o vento parecia ter se calado ao som daquela voz, todos ficaram parados por alguns segundos, até os professores…que voz era aquela? Ela não parecia humana, era mais uma maquina…não, nem golens falavam de forma tão robótica assim, ela era uma máquina quebrada, velha e tão enferrujada que parecia prestes a quebrar. Eu até ouvi alguns alunos cochicharem que…era a primeira vez que eles ouviram a voz da Dandara, deus, deus, deus, deus, deus, deus, deus, precisava me acalmar, eu tinha, que, ficar, calmo.
Até os professores se paralisaram alguns segundos antes de falarem.
Professor: (tosse) agora demonstre.
Segundos depois, o grande elefante de lava apareceu, queimando as pradarias e exalando tantos gases tóxicos que os alunos começaram a ir pra trás, mesmo longe, até eu e Saytus sentíamos aquele calor imenso.
E vendo a expressão feliz e extasiada de Dandara eu entendi tudo, ela pediu isso, e…os professores deixaram, pois a arrogância e o desrespeito que Dandara mostrava a todos só podia ser quebrado quando ela se machucasse de verdade.
Antonio: assim como o Brutus falou
Saytus: quem é Brutus?
Antonio: te apresento ele depois.
Eu estava focado demais na Dandara pra me focar na Saytus, vendo aquele ser gigantesco que deveria ser nosso oponente depois do terceiro ano frente a Dandara. E nem diante aquele ser Dandara fez qualquer movimento “vivo”, ela continuava sendo nada além de pura eficiência, com movimentos tirados do livro.
Dandara deu um único disparo no elefante de lava, e disparou um gigantesco míssil que desencadeou uma gigantesca inundação debaixo dele, uma inundação tão pesada que o elefante não teve sequer tempo de ter sua lava resfriada, ele foi desmantelado de forma tão feia que os professores mandaram Dandara parar o ataque antes que alguém acabasse se machucando, um teste perfeito, e no meio dos alunos, ouvi alguém comentando com uma voz trêmula e cheia de medo.
Aluno1: ai, quantos alunos conseguiram atacar o alvo dos testes?
Aluno2: até agora, só 3.
É, 3 alunos, contando a Dandara conseguiram fazer aquilo, mas apesar de seu feito, nenhum aluno ou professor aplaudiu o que ela fez, nenhum professor fez um unico comentario pra ela, e a própria Dandara sequer parecia feliz ou triste de ter passado tão fácil na primeira prova, ela apenas olhou sua varinha, que parecia desgastada e suja com o próprio sangue dela, e sem rodeios ela foi ate a saida da escola…TA BOM, CHEGA, EU NÃO AGUENTAVA MAIS.
Corri o mais rápido que consegui até a Dandara, impedindo ela de passasse pela porta, e frente a ela, vi uma felicidade que ela não demonstrou em nenhum momento no teste estampada por todo seu rosto, sério, por que ela tava tão feliz? Que tipo de felicidade ela tinha só olhando pra mim? então eu notei que eu fiquei tão focado em alcançá-la que acabei não pensando o que dizer.
Dandara: ola Antonio Carvalho
Antonio: ola Dandara.
A voz dela tava normal de novo…não, ela tava muito mais doce que o normal, e por que a forma que ela dizia meu nome parecia tão…intimo? Era só meu nome, mas, me sentia estranho ouvindo ela falando
Dandara: posso ajudá-lo de alguma forma Antônio Carvalho?
Eu demorei a falar, mas não por que estava pensando demais, não, era o contrário, novamente sentia que estava com a mente mais clara e sem distrações do que nunca.
Antônio: não faça isso, o que você está fazendo só vai te causar dor…acredite…eu sei.
Apertei meus braços por instinto, a lembrança daqueles dias me deixava desconfortável mesmo naquela situação, e a felicidade de Dandara logo foi substituída por uma raiva muito pura, não sabia se era de mim ou outra pessoa, mas estava feliz que a voz dela não parecia mais uma máquina quando falou.
Dandara: obrigada pelo aviso Antônio Carvalho, mas não quero que você se meta em minha vida.
E com essas simples palavras, ela passou por mim, não tentei a impedir, já havia extrapolado demais o limite do nosso acordo, mas então, ouvi a voz dela novamente.
Dandara: a propósito, não precisa mais se segurar pra não me olhar, eu…fico mais calma quando você me olha agora
Antonio: ta bom.
E novamente, minha mente parecia muito limpa para alguém que eu tinha tantos sentimentos, era quase contraditório, mas apesar de tudo, eu ria como um pateta por ter finalmente a chance de falar com Dandara de forma normal, e a distância, Saytus olhava pra mim bem orgulhosa.
Enquanto eu ainda olhava para a Dandara partindo, eu conseguia ver algo familiar até demais...um "peso" um peso de responsabilidade pesado demais prós ombros de uma moça tão jovem, um "peso" que parecia prestes a cair, e ia ser bem complicado quando caísse.
Saytus: tá chateado com ela?
Antônio: não, por que sei que ela vai voltar
Saytus: você acha?
Antônio: eu sei.
"Eu sei", a Saytus não entendeu o que eu quis dizer com isso, mas era simples, eu já tinha passado por algo parecido, e ajudei ela um pouco a entender a própria situaçao, se a ruiva realmente fosse tão inteligente quanto eu pensava que fosse, ela com certeza iria voltar, nem tinha dúvidas em meu coraçao que ela voltaria, eu só precisava ser um pouco mais paciente.
Alguns dias depois, os resultados do teste foram liberados, e sem nenhuma surpresa, a Dandara estava no primeiro lugar da turma, e eu tinha passado, e isso já tava bom.
Pra comemorar o próximo ano, Sayrus sugeriu que eu e ela tivéssemos um duelo pra comemorar, e eu aceitei, mas pedi que ela me encontrasse num lugar específico, dizendo que eu queria apresentá-la a alguém bem especial.
O Davi e o Brutus tinham passado de ano também, eu ia comemorar com o Brutus primeiro e depois iria comemorar com o Davi.

